O Cometa Halley, um dos corpos celestes mais famosos da história, pode ter recebido o nome de forma equivocada. Uma nova pesquisa conduzida por Michael Lewis, do Museu Britânico, e Simon Zwart, do Observatório Leiden, aponta que o cometa já havia sido documentado e caracterizado como um objeto repetitivo no século XI, muito antes de Edmond Halley ser creditado como seu descobridor.
Descoberta medieval do cometa
Os pesquisadores encontraram referências a avistamentos do cometa em cinco ocasiões durante os séculos em questão. O monge Eilmer de Malmesbury, conforme documentado por William de Malmesbury, testemunhou o cometa em duas aparições distintas e compreendeu que se tratava de eventos interligados. Essa percepção, ocorrida por volta do ano 1066, sugere que Eilmer já havia identificado a natureza periódica do cometa, algo que Halley só faria no século XVIII.
Naquela época, os cometas eram amplamente vistos como avisos de desastres, e os reis deviam ser prontamente avisados. A representação mais antiga conhecida do Cometa Halley está na Tapeçaria de Bayeux, bordada nos anos 1070, que retrata o cometa como um símbolo associado ao ano de 1066.
O papel de Edmond Halley
O cometa tornou-se um dos símbolos mais famosos associados ao ano de 1066 e aparece na Tapeçaria de Bayeux. No entanto, a conclusão dos dois pesquisadores é que a história questiona se o cometa deve continuar carregando o nome de Halley. Ao menos um observador anterior já havia reconhecido as aparições repetidas do cometa séculos antes do trabalho de Halley.
Não é a primeira injustiça na história da ciência. O monge Georges Lemaitre descobriu a expansão do Universo, mas a descoberta continua sendo atribuída a Edwin Hubble. A pesquisa, intitulada ‘The significance of Halley’s Comet in the Bayeux Tapestry’, foi publicada na arXiv.
