O cafezinho de 2027 pode ficar mais caro. A combinação de tensões geopolíticas no Estreito de Ormuz e a perspectiva de um novo El Niño acendeu o alerta entre cafeicultores brasileiros. Airam Quiuqui, administrador do Sítio Jabuticaba, em Águia Branca (ES), já sente no bolso os efeitos da crise.
Dependência de fertilizantes e o gargalo de Ormuz
O Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA). Desse total, aproximadamente 30% vêm da Rússia e precisam passar pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica no Oriente Médio. Qualquer instabilidade na região pode interromper o fluxo de insumos essenciais para a lavoura cafeeira.
Airam Quiuqui administra uma propriedade com cerca de 60 hectares dedicados ao cultivo de café. A dependência externa de fertilizantes torna o sítio vulnerável a choques de oferta. A fonte não detalhou o impacto específico no custo dos adubos, mas a situação já preocupa.
Irrigação mais cara pesa no bolso do produtor
O custo da irrigação explodiu, segundo o administrador. Alguns componentes utilizados no sistema hídrico ficaram até 50% mais caros. A alta pressiona as despesas operacionais do Sítio Jabuticaba, que precisa garantir água para as plantas em um cenário de estiagem.
Grande parte do choque de custos ainda não foi repassada ao consumidor final porque muitos produtores seguem utilizando estoques adquiridos na safra anterior. No entanto, a tendência é de pressão crescente sobre os custos da safra 2026/2027, sem melhora substancial no cenário.
El Niño: ameaça climática para a florada
Modelos meteorológicos internacionais indicam aumento da probabilidade de um novo ciclo de El Niño ao longo de 2026. O fenômeno de 2024 trouxe temperaturas extremas, estiagens severas e forte estresse hídrico, afetando a produtividade das lavouras.
O principal foco do setor está na janela climática entre agosto e outubro, período decisivo para a florada do café. A chegada das chuvas será determinante para o potencial produtivo da próxima safra e para o preço do cafezinho nos meses seguintes.
Adaptação como necessidade econômica
Segundo Quiuqui, a adaptação deixou de ser apenas estratégia ambiental e passou a ser necessidade econômica. “Sem água e sem proteção térmica, o café não suporta”, afirmou o administrador. A declaração reflete a urgência de investimentos em tecnologias de irrigação e manejo climático.
O cenário atual combina riscos geopolíticos e climáticos que podem elevar os custos de produção e, consequentemente, o preço final da bebida. A safra 2026/2027 será um teste para a resiliência do setor cafeeiro brasileiro.
Fonte
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