Perigos da biometria que quase ninguém percebe
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Reconhecimento facial, leitura de digital e escaneamento da íris já fazem parte da rotina de milhões de brasileiros. No entanto, especialistas em segurança digital alertam que o uso indiscriminado da biometria pode abrir espaço para novos tipos de golpes, fraudes financeiras e roubo de identidade. Diferente de uma senha comum, informações biométricas não podem ser alteradas caso vazem.

Biometria como senha biológica

O novo episódio do Podcast Canaltech recebeu Marta Schuh, diretora de Cyber & Tech Insurance da Howden Brasil. Segundo Marta, a biometria deixou de ser apenas uma ferramenta de identificação e passou a funcionar como mecanismo de autenticação digital. Rosto, digital, voz e leitura da íris estão se tornando ‘senhas biológicas’ utilizadas para validar identidades em serviços financeiros, aplicativos, aeroportos, empresas e sistemas corporativos. A popularização dessas tecnologias aconteceu mais rápido do que a conscientização da população sobre os riscos envolvidos.

IA e deepfakes ampliam riscos

Marta explicou que a inteligência artificial já consegue reconstruir voz, entonação, padrões de fala e aparência com poucos minutos de material disponível online. Segundo Marta, o Brasil ainda não viveu uma ‘grande onda’ de deepfakes, mas o cenário deve mudar rapidamente nos próximos anos. A combinação entre IA e biometria pode facilitar golpes financeiros, abertura de contas fraudulentas e fraudes de identidade. A executiva compara o momento atual da inteligência artificial ao início da internet no fim dos anos 1990.

World ID e identidade digital global

Outro tema abordado no episódio foi o crescimento de iniciativas como o World ID, projeto que utiliza biometria para criar uma espécie de identidade digital global. Segundo Marta, o conceito do World ID lembra processos já utilizados em aeroportos internacionais, principalmente nos Estados Unidos, onde parte da imigração já acontece por reconhecimento facial. Marta defende cautela antes da adoção em larga escala do World ID.

Vazamento de dados tem impacto permanente

Uma senha vazada pode ser alterada, mas rosto, digital ou íris não. Segundo Marta, o vazamento de biometria tem impacto permanente, porque esses dados acompanham a pessoa pela vida toda. Marta afirma que já evita fornecer biometria em diversos contextos do dia a dia, principalmente quando não existe clareza sobre como essas informações serão armazenadas ou protegidas.

Adoção sem necessidade real

Segundo Marta Schuh, muitas empresas passaram a implementar reconhecimento facial simplesmente porque a tecnologia virou tendência. Marta cita casos de portarias, clínicas, academias e apartamentos residenciais que passaram a exigir biometria sem necessidade operacional real. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) classifica biometria como dado sensível, o que exige cuidado redobrado no tratamento dessas informações.

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