Os irmãos Wesley e Joesley Batista, controladores da holding J&F, estão de olho em um projeto petrolífero venezuelano com potencial de um bilhão de barris. A movimentação ocorre em meio a uma postura cautelosa do grupo, que tem forte exposição a investimentos americanos e acompanha de perto os acontecimentos no país sul-americano.

A estratégia envolve articulações discretas nos bastidores, enquanto aguardam um cenário de maior segurança jurídica.

Posicionamento discreto nos bastidores

Os Batista estão posicionados de forma discreta nos bastidores do setor de petróleo da Venezuela por meio da participação que um de seus associados mantém no projeto Petrolera Roraima. A J&F, no entanto, disse que não possui ativos na Venezuela, em uma declaração que busca distanciar a holding direta das operações no país.

Além disso, o grupo afirmou que assim que houver um cenário de estabilidade institucional e segurança jurídica, estará pronta para avaliar investimentos. Essa abordagem reflete uma cautela que se intensificou desde que os Estados Unidos impuseram sanções à Venezuela.

Histórico de relações com a Venezuela

Os laços da família com a Venezuela remontam a mais de uma década, com a joia da coroa do grupo, a JBS, fechando um acordo de US$ 2,1 bilhões com o governo Maduro para fornecer carne e frango. Esse contrato foi viabilizado por Diosdado Cabello, um dos principais nomes do chavismo e atual ministro do Interior da Venezuela.

Por outro lado, o grupo dos Batista tem forte exposição a investimentos americanos — incluindo a processadora de frango Pilgrim’s Pride —, o que exige equilíbrio nas relações internacionais. Essa dualidade de interesses explica a postura reservada adotada pelos empresários.

Joesley Batista como figura-chave na transição

Desde a queda de Maduro, Joesley Batista emergiu como uma figura-chave na transição de poder na Venezuela, atuando como interlocutor entre autoridades. Na semana passada, ele viajou de Washington a Caracas para se reunir com a presidente interina do país, Delcy Rodríguez, em um movimento que sinaliza engajamento direto.

Segundo uma pessoa familiarizada com o encontro, Joesley voltou com um relato otimista para autoridades americanas, indicando abertura para negociações. A mesma fonte afirmou que Delcy Rodríguez estaria aberta a investimentos estrangeiros — especialmente nos setores de petróleo e gás natural.

Otimismo e abertura para investimentos

Essa abertura coincide com o interesse dos Batista no projeto petrolífero, que é considerado um marco da engenharia moderna quando entrou em operação no início dos anos 2000. Refinarias conhecidas como upgraders convertiam o petróleo pesado em cerca de 90 mil barris diários de um tipo mais leve e valioso de óleo sintético.

A estatal PDVSA detém 51% do projeto, enquanto a A&B possui 49%, estrutura que pode oferecer oportunidades para investidores externos. A viagem de Joesley reforça seu papel central nas articulações, conectando interesses comerciais e políticos.

Estrutura e oportunidades do projeto petrolífero

O projeto em foco envolve a Petrolera Roraima, com a estatal PDVSA controlando 51% e a A&B mantendo 49% da participação. Essa divisão abre espaço para parcerias, embora os Batista atuem por meio de associados, conforme revelado por fontes.

Além do petróleo, segundo informações disponíveis, os Batista também avaliam oportunidades nos setores de mineração e infraestrutura elétrica na Venezuela, diversificando o leque de investimentos potenciais. No entanto, a J&F reitera que aguarda condições mais estáveis para avançar, em linha com sua declaração pública.

Base financeira e cautela estratégica

Os Batista são controladores da maior empresa de proteína animal do mundo, a JBS, o que lhes dá base financeira para expansões, mas também impõe cautela devido à sensibilidade geopolítica. A holding J&F disse que acompanha de perto os acontecimentos, sem confirmar planos concretos, enquanto mantém uma narrativa de espera por estabilidade.

Em contraste, as articulações nos bastidores sugerem um movimento estratégico para se posicionar antecipadamente. Essa dualidade entre discurso público e ações privadas é comum em negociações de alto risco.

Cautela e exposição internacional

Os Batista adotaram uma postura cautelosa em relação à Venezuela desde que os EUA impuseram sanções, refletindo preocupações com repercussões em seus investimentos americanos. O grupo tem forte exposição a investimentos americanos — incluindo a processadora de frango Pilgrim’s Pride —, o que torna as sanções um fator crítico na tomada de decisões.

Por outro lado, o potencial de um bilhão de barris no projeto petrolífero representa um atrativo significativo, equilibrando riscos e oportunidades. A estratégia parece envolver manter portas abertas sem comprometer relações estabelecidas.

Declaração pública e condicionalidade

A J&F afirmou que assim que houver um cenário de estabilidade institucional e segurança jurídica, estará pronta para avaliar investimentos, declarando publicamente sua condicionalidade. Essa postura é reforçada pela recente viagem de Joesley Batista, que buscou sinalizar otimismo e abertura, conforme relatos de pessoas familiarizadas.

No entanto, a fonte não detalhou prazos ou valores específicos para eventuais investimentos, deixando a implementação em aberto. A combinação de cautela e articulação discreta define a abordagem dos irmãos Batista no cenário venezuelano.

Perspectivas e próximos passos

As perspectivas para investimentos dos Batista na Venezuela dependem de fatores como a evolução da transição de poder e o relaxamento de sanções internacionais. A abertura sinalizada por Delcy Rodríguez para setores como petróleo e gás natural cria um ambiente propício, mas a instabilidade política permanece um obstáculo.

Além disso, a avaliação de oportunidades em mineração e infraestrutura elétrica indica um interesse amplo, não restrito ao petróleo. A fonte não detalhou, porém, como essas avaliações se traduzirão em ações concretas.

Atuação nos bastidores e envolvimento indireto

Enquanto isso, os Batista continuam a atuar nos bastidores, com Joesley mantendo seu papel de interlocutor chave entre Caracas e Washington. A holding J&F insiste na ausência de ativos diretos na Venezuela, mas a participação de associados no projeto Petrolera Roraima sugere um envolvimento indireto.

Essa abordagem permite ao grupo testar as águas sem assumir riscos públicos imediatos. O desfecho dessa articulação dependerá, em grande parte, da consolidação da estabilidade institucional que tanto almejam.

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