Vírus respiratórios seguem em alta no Brasil, alerta Fiocruz
Crédito: medicinasa.com.br
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Os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por vírus respiratório demonstram que o rinovírus, o metapneumovírus e o Sars-CoV-2 apresentam tendência de aumento em nível nacional. Porém, novos casos semanais de SRAG por covid-19 estão baixos no país. O alerta está no boletim semanal InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado nesta quinta-feira. Os pesquisadores ressaltam que “a população prioritária verifique se está em dia com a vacinação contra a covid-19”.

Vírus em ascensão no território nacional

O levantamento da Fiocruz aponta que três agentes infecciosos merecem atenção especial no momento: o rinovírus, causador frequente de resfriados, o metapneumovírus, menos conhecido do público, e o Sars-CoV-2, responsável pela covid-19. Todos apresentam tendência de aumento em nível nacional, segundo o boletim. Apesar disso, os novos casos semanais de SRAG por covid-19 permanecem baixos, o que indica um cenário de vigilância, mas não de alarme. A distinção entre os vírus é importante para orientar medidas de prevenção e tratamento.

O rinovírus, por exemplo, costuma provocar sintomas leves como coriza, espirros e dor de garganta, mas pode evoluir para quadros graves em crianças pequenas, idosos e imunossuprimidos. Já o metapneumovírus, identificado há relativamente pouco tempo, tem comportamento semelhante ao vírus sincicial respiratório (VSR), podendo causar bronquiolite e pneumonia. A circulação simultânea desses patógenos exige atenção redobrada de serviços de saúde e da população em geral.

Crianças e adolescentes em foco

Em nível nacional, segundo o boletim, observa-se um leve sinal de retomada do crescimento dos casos de SRAG nas crianças e adolescentes de 2 a 14 anos de idade e estabilização dos casos nas demais faixas etárias. Esse dado acende um alerta para pais e responsáveis, que devem ficar atentos a sintomas como febre persistente, tosse intensa, dificuldade para respirar e prostração. A procura por atendimento médico precoce pode fazer diferença no desfecho clínico.

Especialistas reforçam que, nessa faixa etária, a transmissão de vírus respiratórios é facilitada pelo convívio escolar e por hábitos como levar as mãos à boca e ao nariz. Medidas simples, como lavar as mãos com frequência, usar lenço descartável e manter ambientes arejados, ajudam a reduzir a circulação viral. A vacinação contra a covid-19 também é recomendada para crianças e adolescentes elegíveis, conforme o calendário do Ministério da Saúde.

Queda de VSR e influenza B

O boletim aponta ainda que “os casos de SRAG por VSR e influenza B estão em queda e as hospitalizações por influenza A estão estáveis em níveis baixos de incidência”. Isso significa que, embora alguns vírus estejam em alta, outros apresentam tendência de redução, o que é esperado em períodos de transição sazonal. A estabilidade da influenza A em patamares baixos é uma boa notícia, mas não elimina a necessidade de vigilância contínua.

O VSR, principal causador de bronquiolite em bebês, teve pico de circulação em meses anteriores e agora começa a dar trégua. Ainda assim, a Fiocruz faz uma recomendação específica para gestantes: “No caso das gestantes, é fundamental também se vacinar contra o Vírus Sincicial Respiratório [VSR]”. A vacina contra o VSR é uma ferramenta recente e importante para proteger recém-nascidos nos primeiros meses de vida, quando a infecção pode ser grave.

Estados em alerta ou risco

Em nível regional, o boletim alerta que Alagoas, Roraima e Sergipe apresentam incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em nível de alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas com indícios de crescimento nas últimas seis semanas. O aumento de SRAG nesses estados ocorre principalmente em crianças e adolescentes. Em Alagoas e Sergipe esse incremento está associado ao metapneumovírus. Em Roraima, ainda não há dados suficientes para determinar o vírus responsável pela doença.

A situação de Roraima merece atenção especial, pois a falta de identificação do agente etiológico dificulta a adoção de medidas específicas de controle. As autoridades locais devem intensificar a coleta de amostras e a vigilância laboratorial para esclarecer o cenário. Já em Alagoas e Sergipe, o metapneumovírus parece ser o principal responsável pelo aumento, o que pode orientar ações de comunicação e manejo clínico.

Outras unidades com sinal de atenção

O estudo aponta ainda que cinco unidades também apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Nesses locais, a situação é de estabilidade em patamar elevado, o que exige monitoramento constante, mas não indica aceleração recente.

Entre as capitais, cinco das 27 – Aracaju, Porto Alegre, Rio Branco, São Luís e Vitória – apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas. A concentração de casos em capitais pode refletir maior densidade populacional e melhor capacidade de diagnóstico, mas também aponta para a necessidade de reforço na rede de atenção primária e hospitalar.

Recomendações para a população

Diante do cenário, a Fiocruz reforça a importância da vacinação contra a covid-19 para os grupos prioritários, incluindo idosos, imunossuprimidos, gestantes e pessoas com comorbidades. A atualização do esquema vacinal com as doses de reforço disponíveis é essencial para reduzir o risco de formas graves e óbitos. Além disso, a vacinação contra a influenza também é recomendada para os mesmos grupos, conforme o calendário anual.

Para gestantes, a vacina contra o VSR surge como uma proteção adicional importante, especialmente no terceiro trimestre de gestação. A imunização materna transfere anticorpos ao feto, protegendo o bebê nos primeiros meses de vida. A orientação é que as gestantes conversem com seus médicos e busquem os postos de saúde para verificar a disponibilidade da vacina.

Medidas não farmacológicas continuam válidas, como o uso de máscara em locais fechados e com aglomeração, higienização das mãos, etiqueta respiratória e isolamento de pessoas com sintomas. A combinação de vacinação e cuidados individuais é a estratégia mais eficaz para conter a circulação dos vírus respiratórios e proteger os mais vulneráveis.

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