O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, espera que a guerra em todo o Médio Oriente termine em breve e está determinado a pôr-lhe fim, afirmou à Euronews o seu principal conselheiro para os assuntos árabes e do Médio Oriente, Massad Boulos. A declaração foi feita durante a Cimeira Árabe dos Media, em Dubai, onde Boulos reforçou o compromisso do governo americano com a paz na região.
Conselheiro evita definir calendário para o fim
Boulos evitou avançar qualquer calendário, dizendo que caberá a Trump escolher o momento. “O presidente acredita que vai terminar em breve e está determinado a fazê-la terminar. E está a trabalhar nesse sentido”, declarou Boulos à Euronews. A ausência de prazos concretos mantém a incerteza sobre o desfecho do conflito.
Questionado sobre quando isso poderá acontecer, Boulos respondeu: “Isso será decidido pelo presidente.” “Mas estamos muito confiantes e apoiamos totalmente o presidente e a sua liderança”, acrescentou. A postura reflete alinhamento total com a Casa Branca.
Questão nuclear é condição central
Boulos apontou a questão nuclear como condição que tem de ser resolvida antes de a guerra terminar, reiterando que Teerão não será autorizado a adquirir uma arma nuclear. “Alguém tinha de enfrentar e de abordar este dossiê nuclear. Como o presidente Trump tem repetido, não há qualquer possibilidade de permitir que o Irão tenha uma arma nuclear”, sublinhou Boulos.
“Basta imaginar o mundo, basta imaginar esta região com um Irão nuclear. Pensem nisso por um momento”, acrescentou. A fala indica que a desnuclearização é pré-requisito para qualquer acordo de paz.
Diálogo e paciência como estratégia
O conselheiro destacou a abordagem paciente de Trump em relação às negociações. “Está a dar uma oportunidade às negociações e ao diálogo. Tem sido extremamente paciente. E esperamos que, em última análise, a paz prevaleça.” A declaração sugere que Washington aposta na via diplomática antes de qualquer escalada.
“Mantém-se firme nessa posição e está determinado. Estamos totalmente alinhados com a sua visão, tal como os seus parceiros na região. Ninguém quer guerra.” Boulos reforçou que os aliados regionais compartilham da mesma visão de estabilidade.
Trump como “presidente da paz”
Boulos, que descreveu Trump como “o presidente da paz”, afirmou que ele já pôs termo a outros conflitos e está a trabalhar para resolver mais dois. “Sabemos que é o único presidente, pelo menos na história recente, e provavelmente no mundo, que resolveu oito conflitos e oito guerras até agora. E está a trabalhar na nona e na décima”, adiantou.
“Se olharem para o conflito entre o Paquistão e a Índia, falem com eles e dirão que aquilo que o presidente Trump conseguiu evitar poupou-lhes provavelmente quatro ou cinco milhões de vidas.” Boulos não deu pormenores sobre quais os conflitos a que se referia e não detalhou o número de vítimas que mencionou.
Acordos de Abraão e parcerias regionais
Boulos afirmou que a expansão dos Acordos de Abraão, quatro dos quais foram assinados durante o primeiro mandato de Trump, foi interrompida pelas eleições de 2020 e será retomada quando a atual guerra estiver resolvida. “Se não tivesse havido campanha de reeleição, haveria muitos outros países prontos, alinhados e preparados para assinar os Acordos de Abraão”, disse.
Nos últimos meses, vários Estados do Golfo, incluindo os Emirados Árabes Unidos e o Qatar, têm questionado se os mecanismos existentes são suficientes para garantir a sua segurança. Boulos garantiu que a relação com Washington é forte, tanto ao nível da liderança como no plano operacional, e citou a Arábia Saudita, o Egito e a Jordânia entre esses parceiros.
“São verdadeiros parceiros, verdadeiros aliados. O presidente mantém com eles uma excelente relação, incluindo pessoal, e um excelente entendimento e química com estes líderes”, afirmou. A declaração encerra com um tom de confiança na aliança entre os EUA e os países árabes.
