Taxas reagem a empate técnico
As taxas dos títulos do Tesouro Direto voltaram a subir nesta quinta-feira (15). O movimento ocorre após mais uma pesquisa trazer um cenário de empate técnico entre o candidato de oposição Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP). Na quarta-feira (14), a Quaest mostrou Flávio com 46% das intenções de voto, contra 44% de Lula no segundo turno, com margem de erro de 2 pontos percentuais pra cima ou para baixo.
Na Quaest, o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 46% das intenções de voto, contra 44% do presidente Lula (PT). Com margem de erro de dois pontos, há empate técnico. Com isso, os preços em reais caíram em quase toda a prateleira, revertendo parcialmente o ganho ocorrido após o primeiro turno, quando o senador do PL surpreendeu ao liderar a votação contrariando os resultados das pesquisas.
O mercado reduziu o prêmio dos ativos por enxergar um governo Flávio Bolsonaro mais alinhado com um ajuste fiscal mais forte. Os investidores associam o nome dele a um ajuste fiscal mais forte. No entanto, parte desse alívio dos juros começou a ser revertido em meio aos levantamentos divulgados desde a terça-feira (13), após o feriado. A votação acontece daqui a 11 dias, em 25 de outubro.
Prefixados avançam com força
Entre os títulos prefixados, as taxas subiram de forma generalizada. O Tesouro Prefixado 2029 paga 12,64% ao ano. O Prefixado 2032 e o Prefixado com Juros Semestrais 2037 empataram em 12,87%. O papel de 2037 teve a maior subida do dia, de 0,16 ponto percentual em relação a ontem. Entre 13 e 15 de outubro, os Prefixados 2032 e o 2037 com juro semestral tiveram altas de 0,38 ponto percentual e 0,36 ponto. Esse avanço reflete a cautela dos investidores diante da indefinição eleitoral.
Para quem compra agora, o retorno nominal é maior, mas o preço do título no mercado secundário cai. A lógica é simples: quando a taxa sobe, o valor presente dos fluxos futuros diminui. Por isso, quem já tinha esses papéis viu o patrimônio encolher no curto prazo. A fonte não detalhou o volume negociado.
IPCA+ e RendA+ também sobem
No caso do IPCA+, as taxas dos papéis de 2040 e 2050 subiram 0,16 e 0,19 p.p. no mesmo período. Entre os papéis atrelados à inflação, quanto mais distante o vencimento, maior a alta. O Tesouro IPCA+ 2050 passou de IPCA + 6,62% para IPCA + 6,74% na sessão atual. Todos os RendA+, os Educa+ com vencimento a partir de 2036 e os IPCA+ de 2040 em diante subiram entre 0,10 e 0,12 ponto. No RendA+ 2065, a taxa foi de IPCA + 6,59% para IPCA + 6,71%.
Parece contraintuitivo, mas na renda fixa quando a taxa sobe, o preço cai. Nos papéis longos, esse efeito se acumula por mais anos, por isso são mais voláteis. Quem aplicou R$ 10 mil no Tesouro IPCA+ 2050 ontem teria hoje cerca de R$ 9.740. A perda é de aproximadamente R$ 260 em um dia. No RendA+ 2065, a perda chegaria a quase R$ 500. O recuo devolve parte do ganho recente. O IPCA+ 2050 acumulou alta de 11,1% em reais entre 5 e 14 de outubro, segundo levantamento do InvestNews.
Contexto externo e alternativas
Na quarta-feira, além das pesquisas, a inflação americana acima do esperado pressionou as taxas para cima. O dado reduziu as apostas em cortes agressivos de juros pelo Federal Reserve, o que afeta os mercados globais. No Brasil, a incerteza fiscal e eleitoral amplifica o movimento. O mesmo resultado aparece na pesquisa Indexa/Broadcast divulgada nesta quinta-feira (15).
Na direção oposta, os mesmos R$ 10 mil no Tesouro Selic renderam cerca de R$ 3,81 desde ontem. O Tesouro Selic acompanha a taxa básica de juros e tem baixa volatilidade, sendo uma opção para quem busca segurança. Esses resultados só se concretizam se o título for vendido antes do vencimento. A conta não considera imposto de renda nem taxa de custódia. Quem mantém o papel até o fim recebe a taxa contratada na compra.
O que esperar até a votação
Desde o primeiro turno, a liderança do candidato do PL vinha impulsionando os mercados. Agora, com o empate técnico, a tendência é de maior oscilação nas taxas. A cada nova pesquisa, os preços podem reagir rapidamente. Para o investidor, o momento exige atenção ao horizonte de cada aplicação. Títulos longos prefixados e de inflação são mais sensíveis a mudanças de expectativa. Já os pós-fixados, como o Tesouro Selic, oferecem previsibilidade.
A fonte não detalhou projeções para os próximos dias. Contudo, o calendário eleitoral curto deve manter a volatilidade elevada. A recomendação geral é avaliar o perfil de risco e a necessidade de liquidez antes de tomar decisões.
Fonte
- investnews.com.br
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