Disputa bilionária por ativos argentinos

As gigantes do comércio de energia Mercuria e Vitol são as finalistas para comprar ativos da Raízen na Argentina. O negócio envolve uma refinaria e centenas de postos de gasolina, com valor estimado entre US$ 1 bilhão e US$ 1,6 bilhão.

A transação representa uma movimentação significativa no setor energético sul-americano. Empresas globais buscam ampliar operações na região, aproveitando oportunidades estratégicas.

Procuradas para comentar, a Mercuria não quis se pronunciar. A Vitol e a própria Raízen não responderam imediatamente. A ausência de posicionamentos mantém os detalhes em sigilo.

Interesses consolidados no país

Presença da Mercuria

A Mercuria já possui ativos na Argentina por meio de sua participação majoritária na Phoenix Global Resources. A empresa perfura em uma área de xisto em expansão na Patagônia.

Esse comprometimento mostra o interesse do grupo em consolidar operações no mercado local.

Operações da Vitol

A Vitol também tem presença estabelecida, com um porto próximo a Buenos Aires para comercialização de combustíveis. Essa infraestrutura facilita a logística de distribuição.

As operações prévias sugerem que ambas buscam sinergias e expansão de suas cadeias de valor.

Origem dos ativos e contexto da venda

A Raízen é uma joint venture da Shell e do conglomerado brasileiro Cosan. A empresa adquiriu os ativos na Argentina da Shell em 2018.

Na época, a aquisição ocorreu durante reformas orientadas pelo mercado na Argentina. Era um período de abertura para investimentos estrangeiros.

No entanto, a situação da Raízen mudou nos últimos anos. A empresa enfrenta alto endividamento após investimentos em usinas de biomassa pouco rentáveis.

Pressões financeiras e rebaixamento

Crescimento da dívida

A dívida líquida da Raízen aumentou 49% no terceiro trimestre em relação ao ano anterior. Ela chegou a cerca de US$ 10 bilhões, pressionando o balanço patrimonial.

Quedas nos preços do açúcar e safras fracas agravaram a situação financeira.

Rebaixamento pela Moody’s

A agência de classificação de risco Moody’s rebaixou a nota de crédito da companhia na quinta-feira. O movimento reflete preocupações com a capacidade de honrar compromissos.

Em resposta, a Raízen, sob nova direção, está se desfazendo de ativos para ajudar na reestruturação.

Estratégia de reestruturação em curso

A companhia adotou um plano que prioriza a redução de dívidas e o foco em operações mais lucrativas. A venda de ativos não essenciais gera caixa imediato e melhora o balanço.

A descontinuação dos ativos na Argentina é considerada um passo fundamental nesse processo. A fonte não detalhou prazos específicos para conclusão.

Com a venda, a Raízen poderá concentrar esforços em seus mercados centrais, como o Brasil. Lá, a empresa possui uma base consolidada de operações.

Impacto no mercado energético

A operação pode alterar a dinâmica competitiva no setor de combustíveis da Argentina. A entrada da Mercuria ou da Vitol como novas controladoras pode trazer investimentos.

Para os consumidores, a mudança pode significar uma oferta mais estável. A expertise das traders em logística e comércio global é um fator positivo.

No entanto, os efeitos práticos só serão conhecidos após a conclusão da venda. A atenção agora se volta para o desfecho da disputa entre as duas gigantes.

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