Prévia da inflação de maio estoura teto da meta mesmo com alívio de combustíveis

O IPCA-15 de maio, prévia da inflação oficial, registrou alta de 0,59% no mês e acumulou 4,07% em 12 meses. O índice superou o teto da meta de 4,5%, mesmo com a redução nos preços dos combustíveis. Analistas apontam que a desaceleração em relação a abril não reflete uma queda estruturada de preços entre todos os setores.

Núcleo persistente pressiona serviços

O núcleo da inflação segue elevado, com serviços e bens industrializados subjacentes ainda pressionados. Os serviços intensivos em mão de obra subiram 0,59% na comparação mensal. A média móvel de três meses desse indicador passou de 7,19% para 7,43%, enquanto o acumulado em 12 meses atingiu 7,03%.

Para André Matos, o ponto que mais merece atenção é a difusão da inflação e o comportamento dos serviços subjacentes. A pressão nesse segmento indica que a inflação de serviços continua disseminada.

Alimentos sobem e surpreendem

O grupo de alimentação e bebidas avançou 1,46%, com destaque para a alimentação no domicílio, que subiu 1,73% na comparação mensal. As principais surpresas de alta vieram de:

  • tubérculos, raízes e legumes (+3 pontos-base)
  • produtos farmacêuticos (+2 pontos-base)

Gabriel Pestana destaca que a pressão de preços está mais disseminada e alcança os alimentos in natura. Por outro lado, as surpresas de baixa vieram de:

  • derivados de leite (-4,7 pontos-base)
  • passagens aéreas (-5 pontos-base)
  • bens industrializados (-3 pontos-base)

Julio Cesar afirma que o dado vai contra o recuo de preços no segmento, que era esperado pelo mercado.

Bancos revisam projeções

O Bank of America (BofA) considera a leitura dos dados desfavorável. O Itaú projeta que o IPCA em 2026 deve fechar em 5,2%. A XP projeta moderação para o trimestre seguinte e prevê aumento no último trimestre de 2026 em decorrência do fenômeno climático El Niño. Quanto à política monetária, a XP estima que o Copom realizará três cortes de 25 pontos-base, encerrando o ciclo com a Selic a 13,75%. Para o C6 Bank, a projeção é de Selic em 13,5% ao fim do ano. O Banco Pine informou que havia mudado a projeção da Selic para o ano, estimando dois cortes de 25 pontos-base, levando a taxa final a 14% para 2026.

Indústria e combustíveis

Leonardo Costa explica que o comportamento do setor reflete a absorção de efeitos indiretos do aumento de preços do petróleo. Carlos Thadeu tem uma leitura mais otimista, apontando que a desaceleração do segmento industrial confirma uma dinâmica favorável para a inflação futura. Apesar do alívio nos combustíveis, a inflação de serviços e alimentos mantém o índice acima da meta, desafiando o Banco Central.

Fonte

By

0 0 votos
Classificação
guest

Resolva a soma:
6 + 2 =


0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários