Picanha de Lula vira arma contra ele na eleição
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Em um cenário eleitoral acirrado, a promessa de campanha de Luiz Inácio Lula da Silva de que “o povo vai voltar a comer picanha” voltou para assombrá-lo. O principal rival na disputa de outubro, o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, tem usado simbolicamente o corte nobre para criticar o atual mandatário. A questão do aumento dos preços dos alimentos alimenta a indignação dos eleitores na véspera de uma eleição que se prevê tão renhida quanto a de quatro anos atrás.

Picanha vira símbolo de promessa não cumprida

Em algumas das suas intervenções públicas, Flávio Bolsonaro tem utilizado simbolicamente a picanha precisamente para vincar a promessa falhada de Lula. O candidato de extrema-direita, de 45 anos, diverte-se a lembrar ao presidente que este não conseguiu garantir bife para todos. “Como Lula não trouxe picanha, eu trouxe alguma aqui hoje”, anunciou em um recente comício de campanha, onde distribuiu churrasco para todos, incluindo os jornalistas. A cena, transmitida e repercutida, reforça a narrativa de que o atual governo não entregou o que prometeu em 2022.

Lula, que exerceu dois mandatos entre 2003 e 2010, conseguiu um regresso espetacular após um escândalo de corrupção que o levou a cumprir pena, conquistando assim um terceiro mandato como o candidato de sempre das classes trabalhadoras em 2022. Naquela campanha, declarou em tom de comício: “O povo vai voltar a comer picanha!”. No entanto, quase quatro anos depois, este pedaço de carne custa quase 10 por cento a mais, revelam os dados da agência de estatísticas do Brasil.

Alta do preço da carne em números

O último relatório sobre o tema aponta variações regionais expressivas. “Entre julho de 2025 e julho de 2026, a subida do preço da carne de primeira variou entre 1,42% em Brasília e 19,09% em Rio Branco”, lê-se no documento. Os números reforçam a percepção de que a picanha, antes símbolo de fartura, tornou-se artigo de luxo para muitos brasileiros. A inflação dos alimentos, embora menor do que em gestões anteriores, ainda pesa no bolso do eleitor.

Os preços dos alimentos subiram, em média, 4% ao ano desde 2022, uma descida em relação aos mais de 11% de média registados durante os últimos três anos da presidência de Bolsonaro, que coincidiram, em parte, com a pandemia da covid. Ainda assim, a alta acumulada da carne de primeira incomoda, especialmente porque a promessa de Lula era específica. A fonte não detalhou a metodologia exata do cálculo, mas os percentuais foram amplamente divulgados.

Lula rebate críticas com dados econômicos

O atual presidente tentou defender as suas contas com uma série de dados que mostram que a economia está em melhor forma do que se pensa, em geral. Em resposta às provocações, Lula retorquiu recentemente: “Um adversário mostrou uma picanha na televisão porque é cara. Seria bom que estes adversários, em vez de irem ao supermercado para darem espetáculo, olhassem para os factos e soubessem que as coisas melhoraram muito neste país”.

O presidente gabou-se de ter mantido a inflação dentro da meta do Banco Central de 3%, mais ou menos 1,5 pontos, e de ter reduzido o desemprego a níveis históricos mínimos.

No entanto, o crescimento económico abrandou e o consumo privado diminuiu. Essa desaceleração pode minar o discurso otimista do governo e dar força à oposição, que explora o simbolismo da picanha. A disputa eleitoral, portanto, deve girar em torno da percepção sobre a economia real, não apenas dos indicadores macroeconômicos.

Impacto na corrida eleitoral

A estratégia de Flávio Bolsonaro de associar Lula à picanha cara tem potencial para mobilizar eleitores insatisfeitos com o custo de vida. A distribuição de churrasco em comícios é uma forma direta de contrastar a promessa não cumprida com uma ação concreta, ainda que simbólica. A fonte não detalhou se a campanha de Lula planeja alguma resposta específica sobre o tema, mas o presidente já sinalizou que pretende focar nos avanços econômicos.

Com a eleição se aproximando, a picanha deixou de ser apenas um corte de carne para se tornar um termômetro da confiança do eleitor no governo. O desfecho da disputa pode depender, em parte, de qual narrativa prevalecer: a da melhora geral da economia ou a da promessa específica que não se concretizou para todos.

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