Petróleo sobe com ameaça de Trump ao Irã e barril vai a US$ 110
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Os preços do petróleo dispararam nesta sexta-feira, com a referência global Brent registrando alta de 3,7% e se aproximando de US$ 110 por barril. O movimento ocorreu em meio a crescentes tensões no Golfo Pérsico, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se recusar a descartar o uso de uma arma conhecida como ‘Mãe de Todas as Bombas’ contra o Irã. A escalada verbal reacendeu temores de interrupção no fornecimento de petróleo da região.

Conflitos elevam prêmio de risco geopolítico

Os rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, continuam a atacar a Arábia Saudita com mísseis e drones, enquanto Rússia e Ucrânia trocam ataques contra infraestruturas de energia. Esses eventos mantêm o mercado em alerta, pois envolvem importantes centros de exportação de petróleo. A continuidade dos conflitos foi um dos principais fatores para a segunda alta semanal consecutiva do Brent.

Analistas do Eurasia Group elevaram de 35% para 65% a probabilidade de agravamento do conflito. Em relatório, escreveram: ‘O conflito provavelmente vai se intensificar. A atual situação de impasse deixou de ser sustentável para os Estados Unidos.’ A declaração reflete a percepção de que as tensões podem escalar ainda mais, pressionando os preços.

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Trump ameaça usar ‘Mãe de Todas as Bombas’

Em entrevista à Newsmax, Trump se recusou a descartar o uso contra o Irã, após as eleições de 3 de novembro, de uma arma conhecida como ‘Mãe de Todas as Bombas’. A CNN informou no início desta semana que os Estados Unidos desenvolveram planos de ataque que podem incluir o uso de uma bomba de grande potência, conhecida como GBU-43/B Massive Ordnance Air Blast Bomb. A possibilidade de ação militar direta contra o Irã aumentou a incerteza no mercado.

Os analistas acompanham de perto os acontecimentos no Golfo Pérsico em busca de sinais de agravamento do conflito. A região é crucial para o transporte global de petróleo, e qualquer interrupção poderia ter impactos significativos nos preços. A ameaça de Trump adiciona um novo elemento de risco, que os investidores passaram a precificar.

Estreito de Ormuz volta ao foco

A última vez que os preços chegaram a esses níveis foi há quase cinco meses, quando a paralisação dos fluxos globais de petróleo bruto e combustíveis levou a um acordo frágil e de curta duração, que reabriu temporariamente o Estreito de Ormuz. Agora, o volume de cargas que atravessa essa importante rota marítima se aproxima dos níveis anteriores à guerra, superando 100 milhões de barris de petróleo bruto na semana passada. Apesar disso, os preços continuam persistentemente elevados.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enfrenta cada vez menos alternativas para conter os custos de energia antes das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro. A pressão sobre o governo americano é alta, pois os preços dos combustíveis afetam diretamente a inflação e o humor do eleitorado.

Combustíveis também disparam

Os contratos futuros de diesel e gasolina também subiram. O diesel fechou a US$ 4,90 por galão em Nova York. Os contratos dos dois combustíveis estão sendo negociados nos níveis mais altos já registrados para esta época do ano. A exclusão contínua do diesel russo dos mercados globais obriga refinarias de outros países a ampliar o processamento de petróleo para atender à demanda.

Trump reiterou que Moscou cumprirá o compromisso de liberar diesel. No entanto, ataques persistentes, como o recente bombardeio à refinaria russa de Ryazan, noticiado pela Reuters, aumentam as dúvidas sobre a capacidade de o acordo produzir os resultados prometidos. A incerteza sobre a oferta de diesel contribui para a pressão sobre os preços dos combustíveis.

Fatores técnicos ampliam movimento

Outro fator técnico contribuiu para o movimento: nas últimas sessões, o Brent ficou, em geral, atrás dos ganhos da referência americana, reduzindo a diferença entre os preços dos dois petróleos. A queda nos custos de transporte de barris americanos estimulou a demanda. Segundo dados da Baltic Exchange, o custo de transportar uma carga típica de petróleo da Costa do Golfo dos Estados Unidos até Roterdã caiu cerca de 12% na última semana.

Estratégias de negociação de commodities que seguem tendências de mercado, assim como outros fatores técnicos, também contribuíram para o desempenho relativamente mais forte do Brent. A forte oscilação dos preços na sexta-feira foi a primeira desse tipo em uma semana de negociações marcada por movimentos limitados, embora as notícias apontassem para uma piora da segurança energética em diferentes partes do mundo.

Estados Unidos recorrem a estoques

Os Estados Unidos também tentam conter os preços recorrendo aos estoques emergenciais de petróleo e pressionando outros países a fazerem o mesmo. Na sexta-feira, o governo americano ofereceu até 17 milhões de barris da Reserva Estratégica de Petróleo. A medida visa aliviar a pressão sobre os preços, mas pode não ser suficiente diante da escalada das tensões geopolíticas.

Rebecca Babin, operadora sênior de energia do CIBC Private Wealth Group, resumiu o sentimento do mercado: ‘Depois de uma breve trégua, o mercado de petróleo está tendo de voltar a incorporar os riscos aos preços, especialmente com a aproximação do fim de semana.’ A declaração reflete a cautela dos investidores diante de um cenário incerto.

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