Ozempic e Mounjaro: BBA prevê impacto na Bolsa
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Uma análise do banco BBA aponta que os medicamentos para emagrecer da classe GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, têm potencial para redesenhar setores inteiros da economia brasileira e, consequentemente, da Bolsa de Valores.

O estudo projeta um crescimento explosivo para este mercado, que já movimenta bilhões, com impactos significativos no varejo farmacêutico e nos hábitos de consumo da população.

Contexto brasileiro: um mercado propício

O Brasil ocupa posição de destaque no cenário global quando o assunto é busca por aparência. O país é o segundo maior mercado mundial de procedimentos estéticos.

Quando se ajusta o dado pelo tamanho da população adulta, o Brasil salta para a primeira posição neste ranking. Esse contexto evidencia uma propensão cultural significativa que ajuda a entender o terreno fértil para o crescimento de tratamentos farmacológicos para controle de peso.

Projeções de mercado até 2030

Crescimento em usuários e faturamento

Atualmente, o mercado brasileiro de medicamentos GLP-1 é estimado em R$ 10 bilhões. As projeções do BBA são bastante otimistas para a próxima década.

O banco considera difícil que esse mercado não alcance cerca de 15 milhões de usuários até 2030. Em termos financeiros, a expectativa é igualmente robusta: o banco também considera difícil que o faturamento não chegue a aproximadamente R$ 50 bilhões no mesmo período.

Impacto direto no varejo farmacêutico

Participação nas receitas das redes

Um dos setores mais diretamente impactados por essa onda é o varejo farmacêutico. Os medicamentos GLP-1 já representam uma fatia relevante do negócio.

Atualmente, eles correspondem a algo entre 8% e 9% das receitas de grandes redes listadas na Bolsa, como:

  • Raia Drogasil (RADL3)
  • Pague Menos (PGMN3)
  • Panvel (PNVL3)

A tendência, porém, é de que essa participação aumente substancialmente. Os modelos do banco indicam que esses remédios podem representar cerca de 20% das receitas de cada uma dessas três empresas até 2030.

A chegada dos genéricos a partir de 2026

Ampliação do acesso e impacto nas margens

Um fator crucial para a popularização desses tratamentos será a entrada no mercado da semaglutida em sua versão genérica, prevista para o segundo semestre de 2026.

A expectativa é que essa chegada reduza os preços ao consumidor final, ampliando o acesso. Curiosamente, essa redução não deve prejudicar as redes varejistas.

Pelo contrário, a entrada do genérico deve elevar as margens para o varejo farmacêutico. Os modelos do BBA incorporam essa previsão em suas análises.

Dinâmica de preços pós-patente

A perda da exclusividade da semaglutida, princípio ativo de medicamentos como o Ozempic, não deve provocar uma guerra de preços imediata.

Isso porque a primeira onda de genéricos deve ser dominada por genéricos de marca, também conhecidos como similares. Essa característica tende a suavizar a erosão de preços no curto prazo.

As projeções do banco são graduais:

  • Queda de cerca de 30% no primeiro ano após a quebra da patente
  • Redução acumulada de até 50% ao longo de cinco anos

Efeitos colaterais nos hábitos de consumo

Redução calórica e impacto em setores

O impacto dos medicamentos GLP-1 não se restringe ao setor farmacêutico. Pacientes em tratamento com essas substâncias podem reduzir a ingestão calórica diária em até 40%.

Essa mudança comportamental afeta diretamente outros segmentos da economia. O impacto recai principalmente sobre categorias indulgentes, como:

  • Snacks
  • Produtos de panificação doce
  • Alimentos ricos em carboidratos
  • Bebidas alcoólicas

Em um cenário de adoção massiva, essa alteração nos padrões de consumo pode pressionar empresas desses setores.

Cenário acelerado para os próximos anos

Além das visões de longo prazo para 2030, o BBA também elaborou um cenário mais acelerado para os próximos anos.

Nesta projeção mais agressiva, o Brasil poderia ter 5,5 milhões de usuários de medicamentos GLP-1 até 2027. Esse número, ainda distante dos 15 milhões projetados para o final da década, já seria suficiente para gerar impactos significativos no varejo e no consumo.

A análise do banco pinta um quadro de transformação profunda, impulsionada por uma combinação de fatores culturais, farmacológicos e econômicos. O setor de saúde e beleza no Brasil parece estar à beira de uma reconfiguração histórica.

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