A percepção dos investidores sobre os principais riscos para os mercados vem passando por uma mudança gradual. A possibilidade de uma nova rodada inflacionária continua sendo vista como uma ameaça mais relevante do que um eventual excesso de otimismo em torno da inteligência artificial. No entanto, a distância entre essas duas preocupações diminuiu de forma significativa nos últimos meses.
Inflação e IA: riscos em nova perspectiva
Kevin Warsh, novo presidente do Federal Reserve, argumenta que os ganhos de produtividade proporcionados pela IA poderão exercer uma pressão desinflacionária relevante ao longo do tempo. Essa visão, combinada com o acordo para a reabertura do Estreito de Ormuz, começa a remodelar o cenário de riscos. A combinação entre avanços tecnológicos e a redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio começa a favorecer uma reavaliação de ativos como o ouro.
Correção abre nova janela para o metal
O ouro foi apontado como uma das posições mais consensuais do mercado no início do ano. Desde então, o metal atravessou uma correção expressiva e hoje parece negociar em níveis mais próximos de seu valor de equilíbrio. A correção contribuiu para tornar o posicionamento técnico do mercado significativamente mais saudável, abrindo espaço para novas entradas.
Bancos centrais seguem como pilares da demanda
Os bancos centrais continuam desempenhando o papel de comprador marginal relevante, respondendo atualmente por cerca de 20% da demanda global pelo metal. No primeiro trimestre de 2026, as compras líquidas do setor oficial alcançaram 244 toneladas. China, Polônia e Turquia seguem ampliando suas reservas de ouro. O Conselho Mundial do Ouro projeta uma demanda oficial entre 700 e 900 toneladas ao longo deste ano.
O congelamento de aproximadamente US$ 300 bilhões em reservas russas reforçou a busca por ativos livres de sanções. A demanda estrutural por ouro continua oferecendo um importante suporte de longo prazo para o metal, especialmente em economias emergentes que ainda mantêm uma participação baixa do ouro em suas reservas.
Proteção e diversificação em portfólios
O ouro segue tendo um papel relevante dentro de portfólios, funcionando como instrumento de proteção, preservação de capital e mitigação de riscos em períodos de maior incerteza. Especialistas apontam que posições entre 2,5% e 5% do portfólio costumam ser suficientes para que o ouro cumpra sua função de diversificação e proteção sem comprometer o equilíbrio da carteira.
Como investir em ouro hoje
Para investidores com acesso ao mercado internacional, ETFs como o iShares Gold Trust (IAU) oferecem uma forma simples e líquida de obter exposição direta ao ouro. No Brasil, alternativas como o ETF BTG Pactual B3 Ouro (GOLB11) desempenham papel semelhante. Já os fundos de ouro dolarizados, sem proteção cambial (hedge), adicionam uma camada adicional de defesa ao combinar a exposição ao metal com uma proteção natural contra eventuais episódios de desvalorização do real.
Fonte
- www.moneytimes.com.br
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