Gerdau planeja criar uma nova Gerdau no Brasil
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Gerdau planeja criar uma nova Gerdau no Brasil

A Gerdau planeja criar uma “nova Gerdau” no Brasil. Dessa forma, o objetivo é equilibrar a operação local com a dos Estados Unidos. Além disso, a empresa está na fase final do plano, que será anunciado em outubro. De acordo com a companhia, o movimento é transformacional e deve levar uma década. No entanto, o volume de aportes ainda está em estudo.

Os pilares do plano

O plano inclui:

  • Otimização das plantas brasileiras
  • Reavaliação das usinas
  • Investimentos em ativos produtivos
  • Fechamento de unidades
  • Avanço em mineração e sucata
  • Fim das exportações

Portanto, a empresa deve abandonar as exportações e focar no mercado interno.

Equilíbrio entre Brasil e EUA

Ou seja, essa nova fase pretende fazer do Brasil o que os EUA representam hoje para a Gerdau. “Crescer no Brasil não significará deixar de investir nos EUA”, afirmou o CEO. Além disso, “Vamos continuar crescendo no mercado americano e apostando no Brasil.” Assim sendo, a ideia é replicar no país o que foi feito na operação americana, que passou por um processo de racionalização.

Reestruturação americana como precedente

Nos EUA, a Gerdau focou nas principais operações, vendeu ativos de vergalhão e investiu em produtividade. Em seguida, essas ações ocorreram antes do processo de “reindustrialização” americana na segunda gestão de Donald Trump. Com isso, a companhia se tornou mais enxuta. Agora, o plano de “renacionalização” no Brasil está em fase final.

Plano de renacionalização em outubro

O plano, que será anunciado em outubro, é transformacional, deve levar uma década e tem volume de aportes em estudo. Além disso, a mudança inclui maior otimização das plantas brasileiras e reavaliação das usinas que não atendem às expectativas. “Vamos investir em ativos mais produtivos e fechar capacidades tecnologicamente defasadas”, disse o CEO. “A revisão será estrutural.” Por exemplo, uma das possibilidades é trocar pelo menos duas operações menos rentáveis por uma fábrica mais moderna e eficiente. Os locais não foram definidos. Ademais, a companhia tem 10 usinas no Brasil, e a reavaliação deve identificar quais delas não atendem às expectativas. Consequentemente, o resultado deve ser uma operação mais eficiente e com foco no mercado interno.

Fechamento da Açonorte em Recife

O primeiro efeito concreto desse plano é o fechamento da produção de aço na fábrica de Recife, a Açonorte. A unidade foi a primeira operação industrial da companhia, em 1973. Dessa forma, a Açonorte será parcialmente fechada: permanecerão a coleta e o processamento de sucata, enquanto a aciaria e a laminação serão encerradas. Um terço dos funcionários foi desligado. Sobretudo, a manutenção da coleta e processamento de sucata reforça o avanço da companhia nesse segmento, uma das frentes de crescimento previstas.

Apostas em mineração e sucata

Expansão da mina de Miguel Burnier

A expansão da mina de Miguel Burnier recebeu R$ 3,2 bilhões e deve entrar em produção comercial no terceiro trimestre deste ano. Além disso, a mina deve gerar cerca de 5,5 milhões de toneladas de minério de ferro por ano por cerca de 40 anos. Dessa forma, isso garante a necessidade de 3,5 milhões de toneladas e pode oferecer 2 milhões ao mercado.

Processamento de sucata

Assim sendo, a manutenção da coleta e processamento de sucata na Açonorte e o avanço no segmento de sucata são frentes de crescimento previstas no plano.

Fim das exportações e competição

A companhia também decidiu tirar definitivamente do radar das exportações a partir da operação nacional. A decisão de sair das exportações foi tomada após a constatação de falta de competitividade. Segundo o CEO, não há competitividade para exportar. Sobretudo, os produtos brasileiros tinham como destino Ásia, África, Europa e América Latina. Na avaliação de Werneck, a operação nacional chegou a esse ponto principalmente pelo cenário macroeconômico e pela falta de política pública de valorização ao setor industrial. Ademais, nesse sentido, o CEO entende que o governo precisa avançar em políticas de defesa contra competição desleal, especialmente sobre a entrada do aço chinês. A penetração importada no setor chega perto de 20%. Consequentemente, tudo isso reforça a necessidade de uma reestruturação profunda.

Balanço sólido e visão do mercado

O CEO afirma que o balanço da Gerdau está bom e que a relação dívida líquida sobre Ebitda é de 0,69 vez. Além disso, no mercado, relatório do Itaú BBA, divulgado em 11 de agosto, mostra que as iniciativas devem começar a surtir efeito de forma gradativa. Os analistas revisaram o preço-alvo de R$ 25,23 para R$ 29 em 12 meses, com potencial alta de 15%. A recomendação, no entanto, foi rebaixada para neutra. Com essas medidas, a Gerdau busca construir uma estrutura mais sólida no Brasil. O plano, que será detalhado em outubro, deve orientar a empresa na próxima década. Em resumo, a combinação de fechamento de unidades, investimentos em mineração e sucata e o fim das exportações faz parte dessa nova estratégia.

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