O Google lançou o Lyria 3, um modelo de inteligência artificial integrado ao Gemini que gera músicas de até 30 segundos. A ferramenta é apresentada como um recurso divertido para explorar a criatividade.
Isso levanta uma questão prática: é possível enviar essas faixas para serviços de streaming como Spotify, Deezer, Apple Music e Amazon Music?
Atualmente, essas plataformas não possuem restrições específicas que impeçam a publicação de conteúdos gerados por IA. A barreira, no entanto, não é técnica ou legal explícita, mas pode envolver propriedade intelectual.
Como funciona a criação musical com o Lyria 3
O processo é simples e acessível. O usuário fornece um prompt descrevendo o gênero e o tema da música desejada.
A ferramenta também aceita fotos ou vídeos como referência, atuando como compositora e produtora musical. Ela pode gerar até mesmo uma capa para o single, completando o pacote criativo.
Essa abordagem democratiza a produção musical, embora com a limitação clara da duração máxima de 30 segundos por faixa.
Ausência de barreiras técnicas e legais explícitas
Segundo Paulo Henrique Fernandes, advogado e head de produtos e tecnologia da V+ Tech, o fato de uma música ser criada com essa IA não a torna ilegal.
Ele ressalta que a origem por IA, por si só, ainda não é motivo para bloqueio nas plataformas. Não há impedimentos técnicos ou legais explícitos que barrem o upload.
O foco está na propriedade intelectual
O Google afirmou que o Lyria 3 usa artistas e músicas existentes apenas como “inspiração criativa”, sem “imitação”.
O risco real não está na inspiração, mas em possíveis violações como clonagem de voz sem autorização ou uso indevido de identidade artística.
No Brasil, a Lei de Direitos Autorais (Lei nº 9.610/1998) assegura aos autores o controle sobre suas obras. Violar isso pode gerar problemas, independentemente da ferramenta usada.
Como as plataformas de streaming estão lidando com isso
As principais plataformas monitoram o conteúdo, mas com focos diferentes:
- Deezer: Desde 2025, conta com uma ferramenta que detecta e rotula explicitamente músicas geradas por inteligência artificial, oferecendo transparência aos usuários.
- Spotify: Afirma que, entre setembro de 2024 e setembro de 2025, removeu 75 milhões de faixas classificadas como spam. A origem por IA não é o critério principal; o foco é em conteúdo fraudulento ou de baixa qualidade.
Essas ações mostram que as plataformas estão atentas ao volume de uploads, mas sem uma política específica que proíba conteúdos gerados por IA de forma ampla.
Conclusão
Não há uma regra que impeça o envio de músicas criadas com o Lyria 3 para o Spotify e outros streamings. A publicação é tecnicamente possível.
O usuário, no entanto, deve estar atento para não violar direitos autorais, como usar vozes ou identidades artísticas sem permissão. A responsabilidade final pela legalidade do conteúdo é de quem o publica.
