Mohsen Rezaei, uma das figuras fundadoras do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (IRGC), foi nomeado secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã. Com efeito, o decreto presidencial foi assinado por Masoud Pezeshkian no domingo, dando a Rezaei autoridade formal sobre o órgão que concentra as decisões estratégicas de Teerã. Além disso, com quase cinco décadas no topo do aparelho de segurança e militar da República Islâmica, o veterano de 71 anos assume em um momento de crise.
Nomeação em meio a crise
De fato, a nomeação de Rezaei surge após um dos períodos mais turbulentos na história da República Islâmica. No dia 28 de fevereiro, os Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra alvos militares iranianos que resultaram na morte do aiatola Ali Khamenei, do ministro da Defesa Mohammad Reza Ashtiani e de cerca de 40 altos comandantes militares e de segurança.
Além disso, Ali Larijani, que servia como secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional desde agosto de 2025 e era apontado por muitos analistas como a figura mais poderosa do Irã na véspera da guerra, foi morto numa vaga posterior de ataques israelitas contra Teerã.
Horas antes do decreto, o aiatola Mojtaba Khamenei tinha nomeado Rezaei como seu representante pessoal no conselho. Dessa forma, Rezaei sucede a Mohammad Bagher Zolghadr, que se demitiu após cerca de quatro meses no cargo e foi nomeado conselheiro político de Khamenei.
Origens e formação política
Rezaei, de nome de nascimento Sabzvar, nasceu em 1954 na província de Khuzestan, numa família tribal bakhtiari. Em seguida, no início da década de 1970, foi detido pela SAVAK e preso em Ahvaz.
Além disso, tornou-se um dos fundadores do grupo armado Mansouroun, que ajudou a lançar as bases para a Organização dos Mojahedin da Revolução Islâmica. Dessa forma, após a revolução de 1979, Rezaei integrou o conselho central da República Islâmica e fez parte de uma comissão de 12 membros que redigiu o estatuto da Guarda Revolucionária.
Comando da Guarda e carreira institucional
Comando da Guarda Revolucionária
Em setembro de 1981, com 27 anos, o aiatola Ruhollah Khomeini nomeou Rezaei comandante-chefe dos Guardas da Revolução. Assim, ele manteve o cargo por 16 anos, deixando a chefia em setembro de 1997. Além disso, durante esse período, esteve ligado à operação Karbala-4, na guerra contra o Iraque.
Controvérsia da operação Karbala-4
Em 2015, por exemplo, foram identificados os restos mortais de 175 mergulhadores que participaram na operação, alegadamente sepultados com as mãos atadas. Qassem Soleimani, contudo, contrariou essa versão, afirmando que Karbala-4 sempre tinha sido a operação principal. A controvérsia em torno do episódio permanece até hoje, com versões divergentes sobre o que teria ocorrido.
Conselho de Discernimento e disputas presidenciais
Após deixar o comando, Rezaei passou a secretário do Conselho de Discernimento do Interesse do Estado, órgão que resolve disputas entre o parlamento e o Conselho dos Guardiães e define grandes linhas da política de Estado. Dessa forma, ele desempenhou essa função durante quase 24 anos.
Em 2021, foi nomeado vice-presidente para a Economia no governo do presidente Ebrahim Raisi, cargo que deixou em junho de 2023. Além disso, Rezaei concorreu quatro vezes à presidência e perdeu em todas. Nas eleições de 2021, por exemplo, obteve 3,4 milhões de votos, menos do que o número de boletins considerados inválidos.
Atentado à AMIA e alerta da Interpol
Com efeito, o nome de Rezaei tem sido associado internacionalmente ao atentado de 1994 contra o centro comunitário judaico AMIA em Buenos Aires, que matou 85 pessoas e feriu centenas. Em 2007, procuradores argentinos pediram mandados de captura para nove pessoas, incluindo Rezaei.
Ademais, no mesmo ano, a Interpol emitiu um alerta vermelho para a captura de Rezaei, que continua em vigor. No entanto, Teerã e Rezaei negaram sempre qualquer envolvimento no ataque, descrevendo as acusações como motivadas politicamente. O alerta vermelho, emitido em 2007, segue ativo e, dessa forma, não impediu Rezaei de continuar a desempenhar funções de alto escalão no Irã.
Tragédia familiar
Em novembro de 2011, Ahmad Rezaei, filho mais velho de Mohsen Rezaei, que tinha fugido para os Estados Unidos e dado entrevistas criticando altos responsáveis da República Islâmica, foi encontrado morto num quarto de hotel no Dubai.
A polícia do Dubai atribuiu a morte de Ahmad Rezaei a uma overdose de antidepressivos, mas a família e a secretaria do Conselho de Discernimento rejeitaram essa conclusão e consideraram a morte suspeita. Todavia, a causa da morte nunca foi estabelecida de forma conclusiva.
Portanto, aos 71 anos, com quase cinco décadas de experiência no aparelho de segurança, Rezaei assume a secretaria do Conselho em um cenário de crise, após a morte de figuras centrais da liderança iraniana. O histórico de controvérsias, incluindo o alerta da Interpol e a morte não esclarecida do filho, acompanha sua trajetória.
