O LibreOffice, suíte de escritório gratuita e de código aberto, afirmou que a ausência de inteligência artificial generativa em seus aplicativos é uma vantagem em relação aos concorrentes Microsoft Office e Google Workspace. A posição foi formalizada em uma política divulgada pela fundação que mantém o projeto. Segundo a organização, atualmente não existe uma integração capaz de atender a todos os critérios definidos durante todo o ciclo de suporte de uma versão.
Critérios rígidos para eventual integração
O projeto estabeleceu uma série de condições para uma eventual integração. Entre elas estão permitir que o próprio usuário escolha onde o processamento da IA acontece, impedir o envio de conteúdo para servidores sem autorização e evitar qualquer tipo de telemetria. Uma futura ferramenta também precisaria funcionar com diferentes provedores, em vez de depender da API de uma única empresa, e ser completamente opcional. Administradores de empresas, por exemplo, deveriam conseguir instalar o LibreOffice sem que qualquer recurso de IA aparecesse na interface.
Isso não significa que a ferramenta descarte a tecnologia. A fundação diz que pode reconsiderar a decisão caso encontre uma implementação que cumpra os requisitos definidos pelo projeto. A organização também afirma que continuará acompanhando a evolução do setor. Modelos locais estão se tornando mais acessíveis para computadores comuns e, caso surja uma solução que respeite seus critérios, a inclusão de IA poderá ser reavaliada.
Política já presente na versão 26.8
Essa política já aparecia no LibreOffice 26.8, lançado em 26 de agosto. Na ocasião, a organização destacou que a suíte não possui recursos de IA generativa, não precisa de conexão com a internet para funcionar e não envia documentos para serviços remotos para processamento. O LibreOffice é gratuito e de código aberto e reúne alternativas ao Word, Excel e PowerPoint por meio dos aplicativos Writer, Calc e Impress. A versão 26.8 está disponível para Windows, macOS e Linux.
Quem quiser combinar o LibreOffice com modelos generativos ainda encontra alternativas. O programa aceita extensões de terceiros capazes de conectar a suíte a ferramentas como Ollama, LM Studio e serviços compatíveis com a API da OpenAI. Dessa forma, usuários que desejam recursos de IA podem adicioná-los por conta própria, sem que isso afete a instalação padrão do software.
Cenário competitivo com Microsoft e Google
Microsoft e Google têm ampliado a integração de inteligência artificial justamente nos programas contra os quais o LibreOffice compete. O Copilot aparece dentro de Word, Excel e PowerPoint e pode criar, editar e analisar conteúdo nos arquivos. Em 2026, a Microsoft aprofundou essa integração com agentes capazes de executar ações em várias etapas diretamente nos documentos.
No Google Workspace, o Gemini está integrado a serviços como Docs, Sheets, Slides, Gmail e Drive. A IA pode escrever textos, criar arquivos e buscar contexto em informações de diferentes aplicativos, dependendo dos recursos e permissões habilitados na conta. Essa abordagem contrasta com a postura do LibreOffice, que prioriza a privacidade e o controle do usuário sobre o processamento de dados.
A fundação não detalhou se há planos concretos para implementar IA em versões futuras, mas reforçou que qualquer mudança dependerá do cumprimento integral dos critérios estabelecidos. Enquanto isso, o LibreOffice mantém sua posição como alternativa sem IA generativa nativa, deixando a escolha para o usuário por meio de extensões opcionais.
Fonte
- canaltech.com.br
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