Com a contagem de votos ainda em andamento, não há vencedor definido nas eleições em Israel. Nem o bloco do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, nem o principal rival, Gadi Eisenkot, conquistaram as 61 cadeiras do Parlamento necessárias para formar maioria. A indefinição eleitoral abre um período de intensas negociações entre os partidos, que buscam alianças para viabilizar um novo governo.
A apuração parcial indica um cenário fragmentado, sem que nenhuma força política consiga, isoladamente, garantir a governabilidade. Diante desse impasse, os líderes partidários já articulam conversas para a formação de coalizões, um processo que pode se estender por semanas. A expectativa é de que os resultados oficiais sejam publicados em 4 de novembro, após a conclusão da contagem prevista para amanhã (30).
Oposição judaica rejeita aliança com partidos palestinos
No entanto, a maior parte da oposição judaica em Israel descartou governar ao lado de partidos liderados por palestinos que, durante a campanha eleitoral, foram alvos de acusações racistas. Netanyahu não se cansou de retratar os cidadãos palestinos como um inimigo dentro do Estado. Essa postura, segundo analistas, dificulta a formação de uma coalizão ampla que inclua as legendas árabes, mesmo diante da necessidade de somar cadeiras.
A recusa em negociar com partidos palestinos reduz as opções de aliança para a oposição, que precisaria buscar apoio em outras legendas judaicas para alcançar a maioria. Enquanto isso, o bloco liderado por Netanyahu também enfrenta obstáculos, já que não conseguiu, até o momento, garantir o número mínimo de assentos. A fragmentação do voto reflete a polarização que marcou o pleito e deve influenciar diretamente as negociações.
Netanyahu acusa partidos árabes de “roubar” eleições
Agora, o partido de Benjamin Netanyahu acusa os partidos de maioria árabe de terem “roubado” as eleições. A que se junta o apelo desesperado do ministro da extrema-direita, Ben Gvir, para prender os seus líderes. As declarações, feitas sem apresentação de provas, intensificam o clima de tensão política no país e são vistas como uma tentativa de deslegitimar o processo eleitoral.
O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, cita alegações infundadas de interferência estrangeira. A polícia israelense e o comitê central de eleições afirmaram que não há provas de fraude eleitoral. Apesar da ausência de evidências, as acusações ganharam repercussão e podem influenciar a opinião pública, especialmente entre os apoiadores do atual governo.
Autoridades negam fraude e reforçam lisura do pleito
Em resposta às acusações, as autoridades eleitorais de Israel reiteraram que o processo de votação ocorreu dentro da normalidade. A polícia israelense e o comitê central de eleições afirmaram que não há provas de fraude eleitoral. A declaração conjunta busca assegurar a credibilidade do pleito e conter a disseminação de informações falsas que podem gerar instabilidade.
A previsão é de que a contagem dos votos termine amanhã (30), e os resultados oficiais da eleição sejam formalmente publicados no dia 4 de novembro. Até lá, as negociações entre os partidos devem avançar em ritmo acelerado, com reuniões a portas fechadas e consultas a lideranças políticas. A transparência do processo é considerada essencial para a legitimidade do próximo governo.
Negociações por coalizão dominam o cenário político
Os partidos vão ter que negociar e tentar chegar a uma coligação que tenha maioria no Congresso. O desafio é encontrar pontos de convergência entre legendas com agendas divergentes, especialmente em temas como segurança, economia e relação com a população palestina. A formação de uma coalizão estável exigirá concessões de ambos os lados, em um ambiente de forte polarização.
Enquanto isso, a comunidade internacional acompanha com atenção o desenrolar das negociações, uma vez que a composição do novo governo pode impactar as relações diplomáticas e a dinâmica regional. A ausência de um vencedor claro prolonga a incerteza política, mas também abre espaço para arranjos inéditos que podem redefinir o equilíbrio de forças no Parlamento israelense.
Fonte
- agenciabrasil.ebc.com.br
- Rádios (radios.ebc.com.br)
- TV Brasil Repórter Brasil de 29 de outubro de 2026; assista na íntegra (tvbrasil.ebc.com.br)
