O plenário do Senado concluiu a aprovação da PEC do fim da 6×1 na noite de quarta (14), com 75 votos a favor e apenas um contrário. A votação, que ocorre a menos de duas semanas do segundo turno das eleições, foi interpretada pela imprensa estrangeira como uma vitória política do candidato Lula. Jornais e agências internacionais destacaram o impacto da medida e as movimentações do adversário Flávio Bolsonaro (PL).
Clarín chama aprovação de jogada política
Na Argentina, o jornal Clarín classificou a aprovação como “jogada política de Lula: Brasil aprova redução da jornada de trabalho, a menos de duas semanas do segundo turno das eleições”. O veículo afirmou que a votação foi uma “vitória para Lula” próxima ao segundo turno eleitoral. A reportagem acrescentou ainda as críticas dos grupos empresariais, que reclamam de aumento de custos. A cobertura argentina enfatizou o contexto eleitoral da decisão.
Financial Times destaca alinhamento com países ricos
O britânico Financial Times trouxe uma análise sobre os efeitos da mudança na jornada. “Terminar a semana de trabalho de seis dias alinhará o Brasil com muitas nações de renda mais alta, onde as horas de trabalho diminuíram à medida que a produtividade e a eficiência melhoraram”, escreveu o jornal. A publicação não detalhou outros aspectos da votação. A citação ressalta a comparação com economias desenvolvidas.
The Guardian calcula alcance de 30 milhões
O também britânico The Guardian aponta vitória de Lula com a aprovação e calcula que a mudança pode afetar até 30 milhões de pessoas no Brasil. O jornal explicou a origem da proposta: “A proposta começou como um movimento do TikTok chamado Vida Além do Trabalho, fundado por um assistente de farmácia que entrou na política após seu sucesso e mais tarde foi abraçado por Lula”.
A reportagem ainda lembrou que o candidato Flávio Bolsonaro (PL), que disputa o 2º turno contra Lula, era contrário à PEC, mas mudou de posição poucos dias antes da votação.
Mudança de posição de Flávio Bolsonaro
O The Guardian detalhou a guinada do candidato do PL. “Mesmo depois de mudar sua posição, Bolsonaro disse na terça-feira que ‘apoia algo ainda melhor’, referindo-se a uma proposta alternativa que há muito tempo defendia em que o pagamento seria baseado nas horas realmente trabalhadas”, acrescentou o jornal. A oposição, que era contrária à aprovação da matéria, mudou de lado após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pautar o tema no plenário. A estratégia teria sido adotada para evitar desgaste eleitoral.
Associated Press destaca único voto contrário
A agência de notícias dos Estados Unidos Associated Press (AP) apontou que o único voto contrário foi “do ex-vice-presidente Hamilton Mourão, que atuou durante o governo do presidente Jair Bolsonaro”. A AP explicou que os aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL) “deixaram de bloquear a medida popular para que ele não fosse prejudicado em sua disputa acirrada contra Lula”. A agência não trouxe outros detalhes sobre a tramitação.
Regras da PEC aprovada
O texto da PEC que acaba com a 6×1 prevê descanso remunerado obrigatório de dois dias por semana, em jornada máxima de 5×2, sem redução salarial. A proposta também reduz a atual jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com uma regra de transição total de 14 meses. Pelo texto, 60 dias após a promulgação da emenda constitucional, as empresas deverão adotar a escala 5×2 e reduzir a jornada máxima para até 42 horas semanais de trabalho.
Depois de mais 12 meses, a jornada será reduzida para 40 horas semanais.
Proposta alternativa de contrato por hora
Em entrevista à TV Jovem Pan, o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que, se eleito, Flávio Bolsonaro deve aprovar a PEC 12/2026, que prevê um contrato “por hora trabalhada”. A declaração foi dada após a votação no Senado. A fonte não detalhou o teor completo da proposta alternativa. A fala reforça a posição do candidato sobre flexibilização da jornada.
Fonte
- agenciabrasil.ebc.com.br
- El País (elpais.com)
- Clarín (www.clarin.com)
- La Nacion (www.lanacion.com.ar)
- Financial Times (www.ft.com)
- The Guardian (www.theguardian.com)
