Uma pesquisa realizada pelo Instituto Oncoguia com pacientes oncológicos revela que a inteligência artificial já ocupa um espaço relevante entre a consulta médica e a vida real de quem enfrenta o câncer. De acordo com o levantamento, 8 em cada 10 participantes (82%) afirmaram já ter utilizado alguma ferramenta de IA para cuidar da saúde ou esclarecer questões relacionadas à doença e ao tratamento. O estudo reuniu 1.186 respostas e retrata predominantemente a experiência direta de pacientes.
Do total de respondentes, 55% estavam em tratamento ativo e 38% haviam concluído o tratamento e permaneciam em acompanhamento. Somados, esses grupos representam 93% da amostra, o que confere um retrato fiel das necessidades de quem vive o câncer no dia a dia. A coleta de dados foi feita por meio de questionário online, embora a fonte não tenha detalhado o período exato da aplicação.
IA ajuda a entender doença e tratamento
Entre os pacientes que utilizaram inteligência artificial, 93% disseram que a tecnologia ajudou a compreender melhor a doença ou o tratamento. Desses, 62% afirmaram que ajudou muito, enquanto 31% consideraram que ajudou um pouco. Apenas uma minoria não percebeu benefício significativo, embora os números exatos desse grupo não tenham sido divulgados.
Esse dado sugere que a IA tem funcionado como uma ponte para traduzir informações complexas em linguagem acessível, especialmente em momentos de ansiedade e dúvida. A pesquisa não detalhou, porém, se o uso ocorreu antes, durante ou após as consultas médicas. Ainda assim, a percepção de utilidade é amplamente majoritária entre os usuários.
ChatGPT lidera preferência dos pacientes
O ChatGPT é a ferramenta mais mencionada pelos participantes, com 69% das citações. Em seguida aparece o Gemini, do Google, utilizado por 57% dos entrevistados. A Meta AI, disponível no WhatsApp, foi citada por 25% dos usuários.
Essa preferência pode estar relacionada à facilidade de acesso e à popularidade dessas plataformas no Brasil. A pesquisa não investigou os motivos específicos da escolha, mas o predomínio do ChatGPT indica uma adesão significativa a assistentes conversacionais. Outras ferramentas de IA não foram detalhadas no levantamento.
Verificação das respostas é prática comum
Apesar dos riscos associados ao uso de inteligência artificial, como informações imprecisas ou desatualizadas, 79% dos usuários afirmaram conferir as respostas da IA sempre ou na maioria das vezes. Apenas 7% disseram nunca fazer essa verificação.
Esse comportamento demonstra uma postura cautelosa por parte da maioria dos pacientes, que parecem reconhecer as limitações da tecnologia. A pesquisa não detalhou quais fontes são utilizadas para essa checagem, mas o dado reforça a importância da educação digital em saúde. Ainda assim, uma parcela pequena admite confiar cegamente nas respostas, o que acende um alerta para a necessidade de orientação.
Médico segue como principal fonte de confiança
O avanço da IA não significa, até o momento, o afastamento da equipe de saúde. Para 65% dos participantes, o médico é a principal fonte de confiança para confirmar uma informação obtida por meio da tecnologia.
Além disso, 65% dos usuários já levaram alguma informação encontrada em ferramentas de IA para conversar com um médico ou outro profissional de saúde. Outros 8% ainda não fizeram isso, mas pretendem. Esses números indicam que a IA tem sido usada como um complemento, e não como substituta, do aconselhamento profissional.
IA também orienta sobre direitos e bem-estar
Além das questões clínicas, 41% dos usuários disseram já ter utilizado IA para entender direitos do paciente, como benefícios, leis e prazos. Outras finalidades mencionadas foram traduzir laudos e relatórios médicos complexos, com 49%; buscar informações sobre alimentação, bem-estar e atividade física, com 46,5%; explicar termos médicos difíceis, com 42%; e organizar sintomas ou efeitos colaterais para apresentar na consulta, com 21%.
Essa diversidade de usos mostra que a IA atende a demandas que vão além do diagnóstico e do tratamento, abrangendo aspectos práticos e emocionais da jornada oncológica. A pesquisa não detalhou se essas finalidades foram relatadas de forma isolada ou combinada, mas os percentuais indicam múltiplas necessidades atendidas pela tecnologia.
Pacientes querem aprender a usar IA com segurança
A demanda por educação aparece de maneira direta: 81% dos participantes gostariam que o Oncoguia oferecesse conteúdos ensinando como utilizar inteligência artificial de forma segura para obter informações sobre câncer. Outros 17% responderam “talvez”. Apenas 2% não demonstraram interesse.
Esse interesse massivo por orientação sugere que os pacientes reconhecem o potencial da IA, mas também suas armadilhas. A pesquisa não detalhou o formato preferido para esses conteúdos, como vídeos, cartilhas ou workshops. Ainda assim, o dado aponta para uma lacuna que organizações de saúde podem preencher com iniciativas educativas.
Os resultados do levantamento reforçam que a inteligência artificial já faz parte do cotidiano de quem enfrenta o câncer, funcionando como uma ferramenta de apoio entre as consultas. Ao mesmo tempo, evidenciam a necessidade de orientação para que esse uso seja seguro e complementar ao cuidado profissional. A fonte não detalhou a margem de erro da pesquisa nem o perfil demográfico completo dos participantes.
Fonte
- medicinasa.com.br
- e-book (www.oncoguia.org.br)
