Empresas brasileiras devem antecipar emissões de dívida no início de 2026 para evitar a volatilidade típica de um ano eleitoral, segundo avaliação de um executivo do HSBC. A expectativa é de que o ano comece já movimentado, com janelas interessantes para emissões no mercado de dívida corporativa, tanto local quanto internacional.
O cenário eleitoral de 2026
Os eleitores brasileiros irão às urnas em outubro do próximo ano para escolher presidente, senadores, deputados federais e estaduais e governadores. Esse período costuma trazer incertezas e oscilações aos mercados financeiros, o que motiva a recomendação de antecipação das operações.
Além disso, o movimento de redução da taxa básica de juros, a Selic, é apontado como mais um dos grandes temas do próximo ano, influenciando as decisões corporativas.
Quem deve liderar as emissões
Na visão do executivo Soares, o movimento das empresas no mercado de dívida corporativa global no começo de 2026 deve ser iniciado por emissores frequentes. Ele enxerga outros nomes que nunca acessaram o mercado internacional acompanhando essa tendência.
Soares afirmou que vê vários casos de emissores que devem vir pela primeira vez e fazer uma operação inaugural no mercado de bônus, com expectativa de já ter algo público logo no começo do ano.
Expansão do perfil de emissores
Mudança no perfil tradicional
Historicamente, o mercado externo de dívida tem sido acessado por exportadores, mas essa dinâmica está em transformação. O executivo disse que vê emissões atreladas a projetos de infraestrutura também ganhando impulso no médio prazo.
Soares afirmou que vê ano a ano, além dos emissores frequentes, novos grupos acessando também o mercado internacional, indicando uma diversificação crescente.
Perspectivas de volume e liquidez
Mercado internacional
Na visão de Soares, a tendência de volumes e liquidez crescentes no mercado de dívida corporativa local continuará em 2026. Paralelamente, o mercado internacional também deve mostrar volumes maiores que nos anos anteriores.
Soares afirmou que o mercado internacional é um mercado super profundo, que oferece prazos interessantes, e está bastante confiante de que será ativo ao longo de 2026.
Mercado local
Por outro lado, o mercado local continua sendo um mercado super relevante para os clientes brasileiros como um todo.
Outros movimentos no mercado
Fusões e aquisições
Além das emissões de dívida, o executivo do HSBC avalia que setores como infraestrutura, petróleo e gás, logística e portos devem continuar com movimentação relevante em fusões e aquisições.
Transição energética
Projetos na agenda de transição energética, envolvendo data centers, também devem ganhar espaço nesse tipo de operação.
Soares citou que continua recebendo questionamentos de novos investidores olhando e querendo entender o mercado brasileiro, sinalizando interesse externo sustentado.
