A startup Reflect Orbital recebeu autorização da FCC dos EUA para testar um satélite que refletirá luz solar para a Terra após o anoitecer. A iniciativa promete energia solar 24 horas, mas enfrenta forte oposição de astrônomos e especialistas em vida selvagem, que alertam para riscos à saúde e ao meio ambiente.
Como funciona o espelho orbital
O satélite, a 640 km de altitude, desdobrará um espelho de quase 18 metros de diâmetro. Ele refletirá luz solar para iluminar uma área circular de cerca de 5 km na superfície terrestre. Se o teste for bem-sucedido, a Reflect Orbital planeja lançar 1.000 satélites maiores até o final de 2028 e outros 5.000 até 2030. Os maiores espelhos terão quase 55 metros de largura, refletindo tanta luz quanto 100 luas cheias.
Planos de negócio e aplicações
Ben Nowack, cofundador e CEO, afirmou que a empresa cobrará cerca de US$ 5.000 por hora pela luz de um único espelho, para contratos anuais de pelo menos 1.000 horas. A iluminação para eventos pontuais e emergenciais será mais cara. Nowack acredita que os satélites podem acelerar obras noturnas e aumentar a produtividade agrícola.
Investimento e aprovação regulatória
Em maio de 2025, a Reflect Orbital levantou US$ 20 milhões em Série A, liderada pela Lux Capital, com participação da Sequoia Capital e Starship Ventures. A aprovação da FCC ocorreu apesar da oposição de astrônomos e especialistas. A FCC afirmou: “O satélite de demonstração da Reflect Orbital é um exemplo de uma tecnologia potencialmente revolucionária”.
Riscos apontados por especialistas
Os críticos alertam que a luz dos espelhos pode distrair pilotos, prejudicar observações astronômicas e interferir nos ritmos circadianos. Roohi Dalal, diretora de políticas públicas, escreveu: “É evidente que as atividades propostas pela Reflect Orbital terão um impacto no meio ambiente da Terra, incluindo na saúde humana, na agricultura e na vida selvagem, além da astronomia”. A luz dispersa faria com que os satélites aparecessem no céu como milhares de Vênus, visíveis a olho nu.
Impacto na astronomia
O astrônomo Olivier Hainaut, autor de estudo do ESO, afirmou: “Seja em Auvergne, na França, no Saara ou no deserto do Atacama, no Chile, o céu deixaria de ser puro e pareceria com o que se observa nos arredores de uma cidade”. Ele alerta para o crescente número de satélites em órbita – cerca de 14 mil, incluindo 6 mil da Starlink. O estudo do ESO, em colaboração com a Royal Astronomical Society e a União Astronômica Internacional, serviu de base para um informe à FCC.
Posição da FCC
A FCC afirmou: “Mesmo que a comissão tivesse autoridade para revisar e condicionar essas operações (o que não tem), é improvável que esses danos ocorram”. A comissão flexibilizou regulamentações para empresas de telecomunicações e mídia, descrevendo-se como “grande demais e autoritária”. A decisão reflete a visão de que a inovação não deve ser barrada por preocupações não comprovadas, mas o debate promete continuar.
