A Cosan, conglomerado controlado por Rubens Ometto e André Esteves, mantém sua estratégia de reduzir o endividamento com uma condição clara: não pretende desfazer-se de ativos a qualquer custo. A informação surge em meio a rumores sobre uma possível venda da participação na Rumo, que foram prontamente desmentidos pela diretoria.

Plano de redução da dívida: avanços e desafios

A Cosan segue com seu plano de zerar o endividamento da holding, uma meta que tem guiado decisões corporativas recentes. Ao longo de 2025, o grupo conseguiu uma redução expressiva, cortando sua dívida líquida expandida de R$ 23,5 bilhões para R$ 9,8 bilhões.

Operações realizadas

Para alcançar esse patamar, a empresa realizou uma série de operações:

  • Venda de ações da Vale
  • Follow-on de R$ 10,5 bilhões, ancorado por BTG Pactual e Perfin

A Perfin tornou-se uma das principais acionistas da Cosan após essa operação, concluída em setembro. Apesar do progresso, o grupo deixa claro que não aceitará propostas abaixo do valor justo para acelerar o processo.

Eficiência operacional

O CFO Rafael Bergman revelou que o quadro de funcionários da Cosan foi reduzido entre 40% e 45%, um ajuste que integra os esforços de eficiência. Com essas medidas, a empresa encerrou o quarto trimestre de 2025 com dívida líquida expandida de R$ 9,8 bilhões.

Indicadores financeiros

A empresa ainda enfrenta desafios, como um índice de cobertura do serviço da dívida em 0,9 vez, abaixo do patamar mínimo considerado saudável de 1,0 vez. Esses números mostram que, embora a trajetória seja positiva, a estrada até o equilíbrio completo ainda exige atenção.

Rumores sobre a Rumo: desmentido oficial

Recentemente, circularam no mercado informações sobre uma possível negociação envolvendo a fatia de 30% que a Cosan detém na Rumo. Segundo os boatos, a participação estaria sendo oferecida à Ultrapar e à gestora Perfin.

Posição da diretoria

A diretoria do grupo foi categórica ao desmentir essas alegações, afirmando que não há absolutamente nenhum engajamento para realizar a operação veiculada. O CEO Marcelo Martins atribuiu a movimentação a especulações de potenciais interessados.

Em sua avaliação, esses agentes estariam tentando derrubar o preço das ações para comprar barato, uma prática que ele condena. A postura da Cosan reforça a disposição de não ceder a pressões de mercado que possam subvalorizar seus ativos estratégicos.

Desempenho da ação

Vale ressaltar que, em 12 meses, os papéis da companhia recuaram 5,5%, com um valor de mercado próximo a R$ 30 bilhões. Esse desempenho pode ter alimentado os rumores, mas a diretoria mantém a posição de que a venda não está nos planos, a menos que surja uma proposta condizente com o valor real do negócio.

Estratégias complementares em andamento

Além do foco na dívida e na defesa de ativos como a Rumo, a Cosan avança em outras frentes.

IPO da Compass Gás e Energia

O grupo protocolou na semana passada o pedido de registro para um IPO da Compass Gás e Energia, empresa que controla a Comgás. Esse movimento pode abrir uma nova fonte de recursos e valorização, contribuindo para os objetivos financeiros globais.

Operação com ações da Rumo

Paralelamente, o grupo realizou uma venda parcial de cerca de 10% do capital da Rumo, combinada com a contratação de um total return swap. Esse instrumento financeiro permite exposição ao ativo sem necessariamente aliená-lo por completo.

Essa operação ilustra a busca por flexibilidade sem abrir mão do controle estratégico. Marcelo Martins reforçou que o follow-on de setembro nunca foi o ponto de chegada, mas sim o início de uma nova fase, indicando que mais ajustes podem vir pela frente.

Situação da Raízen

Por outro lado, a Raízen, joint venture da Cosan com a Shell, acumula prejuízo de R$ 19,8 bilhões no ano-safra 2025/26. A empresa revelou estar avaliando uma solução abrangente para sua estrutura de capital, mas a Cosan não participa diretamente desse processo.

O grupo defende que uma solução definitiva para a Raízen passa pela separação dos negócios, com estruturas de capital distintas para o segmento de etanol, açúcar e bioenergia e para a distribuição de combustíveis. Essa visão sugere que, enquanto cuida de sua própria casa, a Cosan também observa os desdobramentos em suas associadas.

Próximos passos e perspectivas

Diante desse cenário, fica claro que a Cosan adota uma postura cautelosa e estratégica. A redução da dívida é uma prioridade, mas não a qualquer custo, como demonstra a resistência em vender a Rumo por valores considerados inadequados.

Estratégia de valor

As operações realizadas até agora, incluindo o follow-on e a venda parcial de ativos, mostram um caminho de reestruturação que busca equilibrar alívio financeiro com preservação de valor. O desmentido sobre a Rumo, combinado com o anúncio do IPO da Compass, indica que o grupo prefere explorar alternativas que não envolvam a alienação de participações centrais.

Foco na eficiência

Além disso, a situação da Raízen adiciona uma camada de complexidade, embora a Cosan mantenha distância das soluções de capital dessa joint venture. O foco permanece na consolidação interna e na busca por eficiência, como evidenciado pela redução no quadro de funcionários.

Mensagem ao mercado

Para os investidores e o mercado, a mensagem é de que a Cosan não se deixará levar por pressões especulativas. O CEO Marcelo Martins e sua equipe enfatizam que o processo de desalavancagem é contínuo e metódico, com cada decisão sendo tomada com base no valor justo e no potencial futuro.

Assim, enquanto o grupo avança em seu plano, os olhos estarão voltados para como essas estratégias se desdobrarão nos próximos trimestres, especialmente diante de indicadores como o índice de cobertura da dívida, que ainda requer atenção.

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