Os presidentes da Colômbia, Gustavo Petro, e dos Estados Unidos, Donald Trump, concordaram em realizar uma “ação conjunta” contra guerrilheiros que traficam cocaína na fronteira com a Venezuela. O compromisso foi firmado durante a primeira chamada telefônica entre os dois líderes, realizada na quarta-feira, segundo informações divulgadas pelo governo colombiano.
A medida representa uma possível mudança na relação bilateral, que enfrentava deterioração desde o início do segundo mandato de Trump em janeiro.
Acordo contra o Exército de Libertação Nacional (ELN)
Durante a conversa, Trump e Petro “comprometeram-se a tomar medidas conjuntas” especificamente contra o Exército de Libertação Nacional (ELN). O grupo guerrilheiro é acusado pela Colômbia de lançar ataques e sequestros de soldados colombianos.
Estratégia de pressão na fronteira
As autoridades colombianas afirmam que o ELN se retira para bases de retaguarda na Venezuela, aproveitando-se da fronteira porosa de 2.200 quilômetros que os dois países compartilham. Petro pediu a Trump “para ajudar a atacar duramente o ELN na fronteira” com a Venezuela.
O líder colombiano defendeu que os guerrilheiros devem “ser atacados na retaguarda”, bem como em solo colombiano. Essa abordagem reflete a complexidade do conflito na região, onde vários grupos armados disputam o controle dos lucros do tráfico de droga, da mineração ilegal e do contrabando.
Contexto de tentativas de paz fracassadas
A decisão de buscar ação militar conjunta surge após o fracasso das tentativas de Petro de negociar um acordo de paz com o ELN. O presidente colombiano tentou estabelecer diálogos com o grupo depois de chegar ao poder em 2022, mas as negociações não prosperaram.
Esse contexto ajuda a explicar a mudança de estratégia em direção a medidas mais duras, envolvendo agora a cooperação dos Estados Unidos.
Histórico recente de tensões bilaterais
Washington e Bogotá mantêm uma cooperação em matéria de segurança há décadas, embora os laços tenham se deteriorado recentemente. Em novembro, Petro ordenou às forças de segurança do seu país que deixassem de partilhar informações com os Estados Unidos.
Confrontos verbais entre líderes
Essa medida representou um ponto baixo na parceria histórica entre as nações. As relações entre os dois países passaram por momentos significativos de atrito nos últimos meses:
- Trump classificou Petro de traficante de droga, acusando-o especificamente de ser “um homem doente que gosta de fabricar cocaína e vendê-la aos Estados Unidos”.
- Em resposta, o líder colombiano prometeu pegar em armas contra qualquer ataque dos EUA.
- Outro episódio tenso ocorreu quando Petro criticou os EUA por terem detido Maduro em Caracas durante um ataque noturno a 3 de janeiro.
- Na ocasião, Trump disse a Petro para “ter cuidado”, aumentando ainda mais a hostilidade pública entre os governantes.
Sinais de reaproximação e próximos passos
Apesar do histórico conturbado, Petro aceitou o convite de Trump para se reunir em Washington, indicando uma disposição para o diálogo. Essa reunião presencial poderá consolidar os acordos discutidos por telefone e definir os detalhes operacionais da ação conjunta contra as guerrilhas do narcotráfico.
Contradição aparente na comunicação
Paralelamente, em uma mensagem no X, Petro escreveu que as forças armadas da Colômbia devem terminar imediatamente “as comunicações e outros acordos com as agências de segurança dos EUA”. A fonte não detalhou como essa determinação se compatibiliza com os novos acordos de cooperação.
Desafios na fronteira Colômbia-Venezuela
A fronteira entre Colômbia e Venezuela, com seus 2.200 quilômetros, representa um desafio logístico e de segurança considerável. A extensão porosa facilita o movimento de grupos armados como o ELN, que se aproveitam da geografia para escapar de operações militares.
Complexidade da região fronteiriça
Vários grupos disputam o controle dos lucros do tráfico de droga, da mineração ilegal e do contrabando na região, tornando-a uma zona de conflito complexa. A cooperação entre Colômbia e Estados Unidos poderá trazer recursos adicionais para monitorar e combater essas atividades ilícitas.
No entanto, a efetividade das ações dependerá da capacidade de coordenação entre as agências de segurança dos dois países, especialmente considerando as recentes suspensões na troca de informações. O sucesso da iniciativa conjunta ainda está por ser demonstrado na prática.
