Críticas às restrições das agências de rating
O secretário do Tesouro, Rogério Ceron, expressou insatisfação com a postura das principais agências de classificação de risco, que mantêm restrições adicionais sobre o Brasil.
Justificativas das agências
Tanto a Standard & Poor’s (S&P) quanto a Fitch justificam essa posição com base no fraco desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) per capita entre 2015 e 2019.
Ceron considera essa avaliação uma penalização desproporcional, dado o contexto econômico mais recente. Ele argumenta que as agências deveriam considerar os indicadores atuais, que mostram uma recuperação significativa.
Além disso, o secretário destacou que o país está em processo de consolidação fiscal, o que poderia merecer uma revisão mais favorável.
Posição da Moody’s
Por outro lado, a Moody’s também mantém o Brasil abaixo do grau de investimento, embora em um nível menos severo comparado às outras duas agências.
Essa divergência nas classificações reflete diferentes metodologias e percepções de risco, mas todas apontam para desafios persistentes.
Ceron enfatizou que, apesar das críticas, o governo continua comprometido com reformas econômicas. A transição para um cenário mais positivo depende de fatores como:
- Controle da dívida pública
- Crescimento sustentável
Evolução recente do PIB per capita
Desde 2021, o PIB per capita brasileiro tem registrado um crescimento médio em torno de 3%, indicando uma recuperação econômica após anos de estagnação.
Esse desempenho contrasta fortemente com o período anterior, marcado por recessão e baixo dinamismo.
Fatores de melhoria
A melhoria é atribuída a políticas de estímulo e a um ambiente global mais favorável, embora persistem incertezas.
Dados recentes mostram que a economia começa a se recuperar de forma mais consistente, embora em um ritmo moderado.
Projeções para o próximo ano
Em contraste, projeções para o próximo ano sugerem um crescimento mais modesto. Uma instituição independente estima que a economia brasileira avance 1,7% no ano que vem, com inflação projetada em 4,3%.
Esses números indicam um cenário de expansão lenta, mas com relativa estabilidade nos preços.
Por outro lado, o governo federal apresenta expectativas mais otimistas em sua Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), com projeção de PIB de 2,4% e Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 3,6%.
Essa divergência reflete diferentes visões sobre a trajetória econômica, influenciadas por fatores externos e políticas domésticas.
Meta de recuperação do grau de investimento
A gestão do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, havia estabelecido como meta recuperar o selo de grau de investimento até 2026, um objetivo ambicioso diante das avaliações atuais.
Classificações atuais
Atualmente, o Brasil está dois degraus abaixo desse nível na S&P e na Fitch, e um nível abaixo na Moody’s.
Essa classificação inferior impacta o custo de captação de recursos no exterior e a confiança dos investidores.
Ceron reconhece que, devido a esses obstáculos, uma revisão mais significativa pelas agências só deve ocorrer em 2027.
Condições para a recuperação
A expectativa é que, se o próximo governo reforçar a credibilidade das regras fiscais e a trajetória da dívida, o Brasil terá condições de recuperar o grau de investimento entre 2027 e 2028.
Essa projeção depende de reformas estruturais e de um compromisso continuado com o equilíbrio orçamentário.
Em comparação, países como a Índia combinam desequilíbrios fiscais com forte crescimento, mostrando que diferentes estratégias podem levar a resultados variados.
Ceron enfatiza a importância de políticas consistentes para alcançar o objetivo.
Perspectivas futuras e desafios
O caminho para a reconquista do grau de investimento envolve superar desafios históricos e aproveitar oportunidades de crescimento.
Consolidação fiscal
A consolidação fiscal é vista como um elemento chave, necessitando de reformas que garantam sustentabilidade a longo prazo.
Ceron alerta que qualquer desvio nas metas orçamentárias pode adiar ainda mais a revisão positiva pelas agências.
Além disso, fatores externos, como a volatilidade dos mercados globais, também influenciam as avaliações.
Resumo das perspectivas
Em resumo, enquanto o Brasil avança em indicadores econômicos, a resposta das agências de rating permanece cautelosa.
A meta para 2027 representa um horizonte realista, mas exige esforços contínuos do governo e do setor privado.
A experiência de outros países sugere que a combinação de crescimento robusto e disciplina fiscal pode acelerar a melhoria nas classificações.
Ceron conclui que, com as medidas adequadas, o país está no caminho certo para recuperar sua credibilidade internacional.
