Decisão histórica em Londres
O Tribunal Superior de Londres decidiu, em 14 de sexta-feira, que a BHP é responsável pelo rompimento da barragem de Fundão em Mariana, Minas Gerais, em 2015. A juíza Finola O’Farrell afirmou que a empresa não deveria ter continuado a aumentar a altura da barragem antes do colapso.
Segundo a magistrada, esse aumento foi a causa direta e imediata do rompimento. A decisão representa um marco no processo judicial que envolve centenas de milhares de brasileiros.
Impactos devastadores do desastre
Vítimas humanas e ambientais
O rompimento da barragem matou 19 pessoas e deixou milhares de desabrigados. Entre as vítimas estava Thiago, de sete anos, filho de Gelvana Rodrigues da Silva.
Além disso, a lama inundou florestas e poluiu toda a extensão do rio Doce. As consequências ambientais e sociais ainda são sentidas na região.
Processo bilionário em andamento
Valor e participantes da ação
Advogados dos autores da ação avaliaram o processo em até 36 bilhões de libras, equivalentes a US$ 48 bilhões. Centenas de milhares de brasileiros, dezenas de municípios e cerca de 2.000 empresas processaram a BHP.
Um segundo julgamento para determinar os danos que a empresa deverá pagar está previsto para começar em outubro de 2026.
Estrutura de propriedade da barragem
Joint venture Samarco
A barragem de Fundão em Mariana era de propriedade e operada pela joint venture Samarco. A Samarco foi formada pela BHP e pela Vale, duas das maiores mineradoras do mundo.
A BHP é a maior mineradora do mundo em valor de mercado. Essa estrutura empresarial foi central nas discussões sobre responsabilidades.
Resposta e recursos da BHP
Posicionamento da empresa
A BHP disse que recorreria da decisão e continuaria a enfrentar o processo. A empresa contestou a responsabilidade pelo rompimento desde o início.
Brandon Craig, representante da companhia, afirmou que 240 mil autores da ação em Londres já receberam indenização no Brasil.
Acordos e reparações anteriores
Compensações financeiras
O Brasil assinou um acordo de compensação de 170 bilhões de reais, equivalentes a US$ 31 bilhões, com BHP, Vale e Samarco.
A BHP afirmou que já foram gastos quase US$ 12 bilhões em reparações, indenizações e pagamentos a autoridades públicas desde 2015.
A Vale estima uma provisão adicional de aproximadamente US$ 500 milhões nas demonstrações financeiras de 2025.
Próximos passos no processo
Julgamento de danos em 2026
Com a decisão de responsabilidade firmada, o foco agora se volta para o julgamento de danos em 2026. A BHP mantém sua posição de contestação e busca reverter a sentença.
As comunidades afetadas aguardam definições sobre compensações futuras. O caso continua a ser acompanhado de perto por investidores e autoridades.