Argélia criminaliza colonização francesa e exige desculpas
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O parlamento da Argélia aprovou, na quarta-feira, 24 de dezembro, uma lei que criminaliza a colonização francesa no país e exige um pedido oficial de desculpas de Paris.

A medida, adotada por unanimidade pelos deputados, declara o período colonial entre 1830 e 1962 como um crime de Estado. A França recebe atribuição de responsabilidade legal e moral.

A decisão marca um ponto de virada em um debate que se arrasta há décadas. Ela ocorre em um momento de tensão sem precedentes nas relações bilaterais.

Conteúdo e fundamentação da nova legislação

A lei é composta por 27 artigos e fundamenta-se nos princípios do direito internacional. Seu texto confirma explicitamente que o colonialismo francês na Argélia constitui um crime de Estado.

Ibrahim Boughal, uma das vozes no processo, sublinhou que a legislação reforça essa classificação. O assunto tem sido objeto de numerosos debates na Argélia desde os anos 80.

Nenhuma norma sobre o tema havia sido aprovada até agora. A aprovação unânime reflete um consenso político raro em torno da questão memorial.

Contexto da crise diplomática entre Argélia e França

As relações entre Paris e Argel começaram a deteriorar-se no verão de 2024. Elas evoluíram para a maior crise diplomática entre os dois países desde a independência da Argélia em 1962.

Principais pontos de atrito

  • Reconhecimento francês de um plano de autonomia sob soberania marroquina para o Saara Ocidental.
  • Exigência do presidente Emmanuel Macron por requisitos de visto mais rigorosos para diplomatas e funcionários governamentais argelinos.
  • Suspensão de um acordo bilateral assinado em 2013, citando alegadas dificuldades migratórias crescentes.

A Argélia, que reivindica a região do Saara Ocidental, acusou Paris de ter ultrapassado uma linha vermelha com essa decisão.

Trabalho memorial e esforços de diálogo

Uma fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Argélia reconheceu a amplitude do trabalho empreendido pelo presidente da República no que diz respeito à memória da colonização.

Esse esforço incluiu a criação de uma comissão mista de historiadores franceses e argelinos. O objetivo era abordar o passado de forma conjunta.

A mesma fonte afirmou que as autoridades continuam a trabalhar para retomar um diálogo exigente com a França. Esse diálogo visa responder aos interesses prioritários da França e dos franceses.

A fonte não detalhou os mecanismos específicos desse diálogo. As questões de segurança e migração foram mencionadas como focos.

Casos que tensionaram o cenário bilateral

Outro episódio que contribuiu para o clima de desconfiança foi a detenção do jornalista Christophe Gleize em maio de 2024 em Tizi Ouzou.

Ele foi condenado em recurso a sete anos de prisão por apologia do terrorismo e posse de publicações com fins de propaganda prejudicial ao interesse nacional.

Esse caso, somado às medidas migratórias e à questão do Saara Ocidental, criou um ambiente propício para a aprovação da lei sobre a colonização.

Próximos passos e implicações da lei

A nova lei coloca a França diante de uma demanda formal por um pedido de desculpas oficial. Paris não fez esse pedido até o momento.

A fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros argelino manteve a porta aberta para o diálogo. O foco está em interesses considerados prioritários.

A crise atual testa a resiliência das relações bilaterais. Elas foram construídas sobre um passado complexo e agora estão agravadas por divergências contemporâneas.

O desfecho desse impasse dependerá da capacidade de ambos os lados em equilibrar questões de memória com necessidades práticas de cooperação.

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