A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou 21.762 importações de produtos à base de cannabis medicinal em julho, conforme levantamento da Cannect obtido via Lei de Acesso à Informação. O número representa alta de 19,4% em relação a junho e de 33,4% na comparação com o mesmo mês de 2025. Trata-se do segundo maior volume mensal já registrado, atrás apenas de março deste ano, quando foram 23.199 autorizações.
No acumulado dos sete primeiros meses, o órgão regulador já concedeu mais de 138 mil autorizações, média de 19,7 mil por mês e crescimento de 29,5% sobre o mesmo período do ano anterior. Os dados refletem a demanda crescente de pacientes brasileiros por tratamentos com derivados da planta, prescritos por médicos ou dentistas e liberados individualmente pela agência.
Julho registra segundo maior volume histórico
O desempenho de julho consolida uma trajetória de expansão consistente. Com 21.762 autorizações, o mês ficou atrás somente de março, que teve 23.199. A variação de 19,4% sobre junho indica aceleração no ritmo de pedidos aprovados, enquanto o avanço de 33,4% frente a julho de 2025 demonstra crescimento anual robusto.
Esse movimento ocorre mesmo com a legislação brasileira permitindo a comercialização de apenas alguns produtos derivados de cannabis em território nacional. A saída encontrada por pacientes é a importação, que exige autorização prévia da Anvisa para cada remessa. A fonte não detalhou quais produtos específicos foram mais importados no período.
Acumulado do ano supera 138 mil
Nos sete primeiros meses, o total de autorizações chegou a 138 mil, com média mensal de 19,7 mil. O crescimento de 29,5% em relação ao mesmo intervalo de 2025 evidencia que a busca por cannabis medicinal se intensificou de forma expressiva. Os dados foram compilados pela Cannect, ecossistema de saúde voltado ao cuidado integral de pacientes com doenças crônicas.
A Cannect obteve as informações por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), o que confere transparência ao levantamento. A entidade não divulgou projeções para os próximos meses, mas o ritmo atual sugere que o ano pode encerrar com recorde de autorizações, caso a tendência se mantenha.
Como funciona a autorização da Anvisa
A legislação atual permite que apenas alguns produtos derivados de cannabis sejam comercializados no Brasil. No entanto, a Anvisa possibilita que pacientes importem medicamentos ou outros itens à base da planta, desde que prescritos por um médico ou dentista e mediante autorização prévia emitida pela própria agência.
O processo exige que o profissional de saúde responsável indique o tratamento, e o paciente ou seu representante submeta o pedido à Anvisa. Após análise, a autorização é concedida para a importação de quantidades específicas. A agência não detalhou o tempo médio de análise nem os critérios de prioridade.
Condições de saúde mais associadas
Pacientes com doenças crônicas, como dor, ansiedade, insônia, autismo, Parkinson e epilepsia, estão entre os que mais buscam a cannabis medicinal. Essas condições apresentam maior recomendação e evidências científicas sobre o uso da planta, conforme apontado no levantamento. A fonte não detalhou a distribuição percentual por enfermidade.
O uso de produtos com princípio ativo natural tem sido uma alternativa para quem não obteve resposta adequada com terapias convencionais. Ainda assim, a prescrição deve ser individualizada e acompanhada por profissional habilitado, respeitando as normas sanitárias vigentes.
Contexto regulatório e perspectivas
O cenário regulatório brasileiro para cannabis medicinal permanece restritivo, com poucos produtos autorizados para venda em farmácias. A importação, portanto, segue como principal via de acesso para a maioria dos pacientes. A Anvisa não se pronunciou sobre eventuais mudanças nas regras.
O crescimento de 29,5% no acumulado do ano reforça a relevância do tema para a saúde pública e para o setor produtivo. Especialistas e associações de pacientes acompanham com atenção os próximos passos da agência reguladora, enquanto a demanda por tratamentos à base de cannabis continua em ascensão.
