Redação do Site Inovação Tecnológica – 02/06/2026

Pesquisadores do Instituto Federal de Tecnologia (ETH) de Zurique, na Suíça, alcançaram um feito inédito: gerar aleatoriedade perfeita por meio da física quântica. O avanço, liderado por Anatoly Kulikov e colegas, foi publicado na revista Nature e promete transformar a segurança de sistemas criptográficos.

O desafio da aleatoriedade

Criar aleatoriedade perfeita é surpreendentemente difícil. Mesmo os geradores de números aleatórios mais modernos nunca geram números completamente ideais. Pequenos erros sistemáticos fazem com que alguns números apareçam com frequência ligeiramente maior do que outros. Para muitas aplicações, isso não importa, mas para a criptografia é inaceitável. Até mesmo os menores desvios podem ser problemáticos, pois permitem engenharia reversa do cálculo, quebrando o segredo que deveria estar imune à espionagem.

A solução quântica

Anatoly Kulikov e colegas do ETH Zurique demonstraram como usar a física quântica para criar aleatoriedade perfeita. O experimento envolveu uma conexão de 30 metros entre dois chips quânticos, garantindo pela primeira vez a geração de aleatoriedade perfeita. “Os avanços técnicos nos permitiram, pela primeira vez, criar números aleatórios que permanecerão perfeitamente aleatórios por toda a eternidade – independentemente dos métodos analíticos utilizados para avaliar sua aleatoriedade”, comemorou o professor Renato Renner.

Como funciona o experimento

A equipe utilizou dois chips quânticos interligados por uma fibra óptica de 30 metros. Essa configuração permitiu explorar propriedades quânticas fundamentais, como o emaranhamento, para gerar bits verdadeiramente aleatórios. O método elimina qualquer viés sistemático, algo impossível com geradores clássicos.

Implicações para a criptografia

A nova técnica resolve um problema central da criptografia: a vulnerabilidade dos geradores tradicionais a ataques de engenharia reversa. Com números verdadeiramente aleatórios, sistemas de segurança podem se tornar imunes à espionagem, mesmo contra métodos analíticos avançados. A imagem de uma ovelha criptografada ilustra a diferença: usando aleatoriedade comum, a imagem ainda preserva alguns padrões; com aleatoriedade perfeita certificada pela nova técnica, a imagem se transforma completamente em ruído.

Próximos passos

O estudo, intitulado “Experimental Randomness Amplification”, foi publicado na Nature (Vol. 653, páginas 1033-1038, DOI: 10.1038/s41586-026-10521-8). A fonte não detalhou prazos para aplicações comerciais, mas o avanço abre caminho para geradores de números verdadeiramente aleatórios baseados em princípios quânticos.

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