As jogadoras da WNBA, a liga profissional feminina de basquete dos Estados Unidos, conquistaram um aumento salarial histórico de quase 400% após um acordo coletivo finalizado neste mês. O feito contou com uma assessoria de peso: a economista Claudia Goldin, de Harvard, que em 2023 se tornou a primeira mulher a ganhar sozinha o Prêmio Nobel de Economia.
A especialista, de 79 anos, recusou qualquer pagamento para ajudar o sindicato das atletas. Seu foco foi analisar a fração da receita da liga destinada a salários e benefícios.
Assessoria gratuita de uma Nobel
Após vencer o Nobel, Claudia Goldin recebeu centenas de convites e solicitações, mas aceitou apenas três. Um deles foi justamente para assessorar o sindicato das jogadoras da WNBA durante as complexas negociações de um novo acordo trabalhista.
A economista recusou receber qualquer pagamento pelo trabalho. Sua contribuição foi voluntária, movida pelo expertise que a levou ao Nobel: avançar na compreensão sobre os resultados laborais das mulheres.
Compromissos seletivos pós-Nobel
Além do trabalho com a WNBA, Goldin aceitou participar do programa de rádio da NPR ‘Wait Wait…Don’t Tell Me!’ e arremessar a bola inaugural em um jogo do Boston Red Sox. Esses foram seus únicos compromissos públicos após a consagração, demonstrando seu critério seletivo.
O foco principal, no entanto, permaneceu nas negociações que mudariam a realidade financeira das atletas.
O maior aumento já negociado por um sindicato
O resultado das tratativas, concluídas neste mês, foi um acordo coletivo que concedeu às jogadoras da WNBA um aumento salarial de quase 400%. Segundo a própria Claudia Goldin, esse é o maior aumento já negociado por qualquer sindicato no mundo.
Com o novo pacto, os salários médios das atletas nesta temporada passarão de US$ 580 mil. Esse valor ultrapassa significativamente a média de US$ 118 mil vigente no início de 2024.
Contexto da disparidade salarial
Mike Bass, porta-voz que representa tanto a NBA quanto a WNBA, chamou o acordo de ‘transformador’. A palavra reflete a magnitude da mudança, que busca reduzir uma histórica disparidade.
Para contextualizar, no início de 2024, o salário médio de uma jogadora da NBA, a liga masculina, era de cerca de US$ 12 milhões. A nova média da WNBA, embora ainda distante, representa um salto quantitativo sem precedentes no esporte feminino.
Análise das receitas da liga
Durante as negociações, Claudia Goldin manteve o foco na fração da receita da liga destinada a salários e benefícios. Esse ponto é crucial para entender a sustentabilidade do aumento.
A WNBA finalizou no verão de 2024 um acordo de mídia de 11 anos que pagará US$ 2,2 bilhões à liga. Em contraste, o acordo de mídia da NBA com os mesmos parceiros vale cerca de US$ 75 bilhões.
Estratégia de negociação baseada em dados
A disparidade nos contratos de mídia explica, em parte, a diferença abissal nos salários médios entre as ligas masculina e feminina. No entanto, o novo acordo da WNBA, impulsionado pela assessoria de Goldin, realoca uma parcela maior dessa receita para as atletas.
A estratégia foi basear as reivindicações em dados econômicos concretos, em vez de apelos emocionais. O prestígio do Nobel deu peso técnico às demandas.
Legado prático da economista
Claudia Goldin ganhou o Prêmio Nobel de Economia em 2023 por suas pesquisas que avançaram na compreensão sobre os resultados laborais das mulheres ao longo da história. Sua atuação nas negociações da WNBA coloca esse conhecimento em prática de forma direta e impactante.
Ao ajudar a fechar o que ela mesma classifica como o maior aumento sindical do mundo, Goldin estende seu legado para além das salas de aula e publicações acadêmicas.
Impacto na equidade salarial
A economista demonstrou como o rigor analítico pode ser uma ferramenta poderosa na luta por equidade salarial. Seu trabalho voluntário com o sindicato das jogadoras mostra um compromisso pessoal com a causa que estudou por décadas.
O caso da WNBA se torna, assim, um exemplo prático de como a expertise econômica pode transformar realidades profissionais. Especialmente em setores com históricas desigualdades de gênero.
O acordo transformador, nas palavras do porta-voz oficial, redefine as perspectivas financeiras para uma geração de atletas femininas. A carta na manga das jogadoras, assessorada por uma vencedora do Nobel, mostrou que dados e estratégia podem falar mais alto na mesa de negociações.