Varíola ovina ameaça produção de feta na Grécia
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Surto de varíola ovina abala pecuária grega

Três meses após a intervenção das autoridades gregas para conter o surto de varíola em ovinos, os agricultores enfrentam desespero. A doença, que afetou principalmente o centro e o norte da Grécia, levou a uma ação drástica das autoridades sanitárias.

No início de março, mais de 480 mil ovinos e caprinos foram abatidos na tentativa de conter a doença. Essa medida, embora necessária para o controle sanitário, gerou impacto profundo na cadeia produtiva local.

Divergência nos números do abate

Os dados sobre o abate apresentam variação. Enquanto uma fonte menciona mais de 480 mil ovinos e caprinos abatidos, outra aponta entre 500 e 600 mil ovelhas mortas. Essa divergência reflete a complexidade do cenário.

O desfecho, em qualquer caso, é uma redução massiva do rebanho, com efeitos em cascata para toda a indústria ligada a esses animais. A fase crítica do surto pode ter passado, mas seus desdobramentos econômicos apenas começam.

Produção de leite em queda livre ameaça fabricação do feta

Os agricultores destacam que a forte redução do efetivo pecuário constitui séria ameaça para o feta. Com menos animais em produção, a disponibilidade de matéria-prima para o queijo cai drasticamente.

Sotiris Stamboulis sublinha que, com entre 500 e 600 mil ovelhas mortas, o leite será muito reduzido e, consequentemente, a produção de feta será muito reduzida.

Impacto na cadeia de fornecimento

A escassez de leite ovino não afeta apenas a quantidade, mas também a regularidade do fornecimento às queijarias. Sem fluxo constante de matéria-prima, a fabricação do feta enfrenta interrupções e custos mais altos.

Esse cenário coloca em risco a sustentabilidade de muitas empresas familiares que dependem dessa atividade. A transição para os próximos meses será decisiva para o setor.

Feta: patrimônio grego em risco

O feta possui Denominação de Origem Protegida (DOP), o que significa que sua produção segue regras rigorosas de origem e método. Esse status garante autenticidade e qualidade do queijo, além de protegê-lo como produto tradicional grego.

Mais do que um alimento, o feta é um dos produtos de exportação mais valiosos da Grécia, se não mesmo o mais valioso. Sua relevância econômica é enorme, gerando receitas significativas e empregos em diversas regiões do país.

Vulnerabilidade da produção certificada

A Denominação de Origem Protegida exige que o queijo seja feito exclusivamente com leite de ovelhas e cabras criadas na Grécia. Essa especificidade limita a possibilidade de importar matéria-prima e torna o produto mais vulnerável a crises no rebanho nacional.

A preservação desse patrimônio gastronômico depende, portanto, da recuperação da pecuária. A produção de feta será muito reduzida, fato que preocupa tanto o mercado interno quanto os compradores internacionais.

Estimativas apontam para déficit significativo na produção

De acordo com a Organização Nacional Interprofissional do Feta (NIOF), em 2026 a produção de feta poderá registrar déficit de cerca de 20 mil toneladas devido à menor disponibilidade de leite.

A produção total em 2025 ascendeu a cerca de 140 mil toneladas. O déficit esperado equivale a aproximadamente 14% da produção do ano anterior, um rombo considerável.

Efeitos prolongados do surto

As projeções indicam que os efeitos do surto de varíola ovina serão sentidos por anos, mesmo após o controle da doença. A reconstituição dos rebanhos leva tempo, e a produção de leite não se recupera de imediato.

Isso significa que a escassez de feta no mercado pode se prolongar, com possíveis aumentos de preço e redução nas exportações. Para um produto tão emblemático, essa perspectiva é alarmante.

Desafios para a recuperação do setor

Os agricultores enfrentam o duplo desafio de reconstruir seus rebanhos e manter a produção de feta. A perda de centenas de milhares de animais representa golpe financeiro severo, que exigirá apoio governamental e investimentos.

Sem ação coordenada, o risco é de que muitas propriedades familiares não resistam à crise. A varíola ovina deixou herança que vai além dos problemas sanitários.

Importância econômica e limitações

Como um dos principais produtos de exportação grega, qualquer queda na fabricação do feta afeta a balança comercial do país. A Denominação de Origem Protegida, embora garantia de qualidade, também limita a flexibilidade para buscar alternativas.

A solução passa necessariamente pela recuperação da pecuária ovina nacional. Os próximos meses serão cruciais para definir o futuro desse queijo tradicional.

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