Economistas consultados pelo Banco Central (BC) revisaram para cima as expectativas de inflação para os próximos anos, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (30). O relatório semanal, que compila as projeções do mercado financeiro, mostra movimentos principalmente nas previsões para a inflação, enquanto outros indicadores mantiveram maior estabilidade.
Expectativas de inflação revisadas para cima
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal termômetro da inflação no país, teve suas projeções ajustadas para cima em quase todos os horizontes analisados. As mudanças refletem uma nova avaliação dos especialistas sobre o cenário econômico futuro.
Projeções do IPCA por ano
- 2026: subiu de 4,17% para 4,31%
- 2027: ajustada de 3,80% para 3,84%
- 2028: aumentou de 3,52% para 3,57%
- 2029: manteve-se inalterada em 3,50%
Esses ajustes sugerem uma percepção de que o controle dos preços ao consumidor pode demandar mais tempo do que o inicialmente estimado. A estabilização apenas em 2029 mostra que os economistas enxergam pressões inflacionárias mais persistentes.
Taxa básica de juros com poucas alterações
Enquanto a inflação apresentou movimentos ascendentes, as previsões para a taxa Selic tiveram alterações mais limitadas. A estabilidade indica que o mercado projeta um ciclo de política monetária relativamente previsível no médio prazo.
Expectativas para a Selic
- 2026: mantida em 12,50%
- 2027: mantida em 10,50%
- 2028: mantida em 10%
- 2029: ajustada de 9,50% para 9,75%
A mudança para 2029, embora pequena, reflete um alinhamento com as expectativas de inflação mais elevadas para os anos anteriores. Os especialistas sinalizam que uma taxa de juros um pouco mais alta pode ser necessária para garantir a convergência da inflação para a meta.
Câmbio mantém projeções estáveis
No que diz respeito ao câmbio, as apostas para a cotação do dólar não sofreram alterações significativas. Essa estabilidade sugere que os economistas não enxergam pressões externas fortes o suficiente para desvalorizar substancialmente a moeda brasileira.
Expectativas para o dólar
- 2026: mantida em R$ 5,40
- 2027: mantida em R$ 5,45
- 2028: mantida em R$ 5,50
- 2029: mantida em R$ 5,50
A manutenção das expectativas pode estar ligada a um cenário global considerado mais controlado, segundo a avaliação dos especialistas consultados.
Crescimento econômico com leve ajuste
As expectativas para o crescimento da economia, medido pelo Produto Interno Bruto (PIB), sofreram uma alteração pontual. A ausência de revisões mais expressivas reflete a incerteza sobre os motores do crescimento futuro.
Projeções do PIB
- 2026: ajustada de 1,84% para 1,85%
- 2027: mantida em 1,80%
- 2028: mantida em 2%
- 2029: mantida em 2%
Trata-se de um ajuste mínimo, mas que indica uma visão ligeiramente mais otimista sobre a atividade econômica no próximo ano. Os números mostram que os especialistas mantêm uma perspectiva de expansão modesta para a economia brasileira no médio e longo prazos.
Análise do cenário econômico
O conjunto de informações do Focus desta semana aponta para um cenário de inflação mais resistente, com projeções revisadas para cima em três dos quatro anos analisados. Em paralelo, as expectativas para a taxa de juros e para o câmbio mostraram maior estabilidade, com mudanças concentradas apenas no longo prazo.
Essas projeções são utilizadas pelo Banco Central como um dos insumos para a condução da política monetária. A manutenção de uma Selic elevada nos próximos anos, conforme indicado pelo relatório, está alinhada com o objetivo de conter as pressões inflacionárias.
O desafio das autoridades será equilibrar esse combate à inflação com o estímulo a um crescimento mais robusto. O crescimento econômico, por sua vez, teve um ajuste positivo, ainda que muito discreto.
