As ações da Natura (NATU3) dispararam mais de 11% nesta terça-feira (17), liderando os ganhos do Ibovespa. O forte movimento de alta foi impulsionado pelo balanço do quarto trimestre de 2025, divulgado na véspera, que mostrou a companhia revertendo o prejuízo registrado no mesmo período do ano anterior. O desempenho trouxe alívio aos investidores, ainda que o cenário operacional apresente pontos de atenção.
Resultados financeiros do 4º trimestre de 2025
A Natura registrou lucro líquido das operações continuadas de R$ 186 milhões no último trimestre de 2025. O número representa uma reversão significativa em relação ao prejuízo de R$ 227 milhões apurado no mesmo período de 2024.
Por volta das 11h (horário de Brasília), as ações NATU3 eram negociadas a R$ 9,60, com uma valorização de 11,24%.
Ebitda supera expectativas
Analistas do BTG Pactual destacam que houve uma melhora nos indicadores operacionais, após a empresa eliminar itens não recorrentes. Além disso, o Bradesco BBI ressaltou que o Ebitda superou as expectativas do mercado, refletindo a disciplina da companhia no controle de despesas.
A expansão da margem reflete ganhos nas despesas com vendas, gerais e administrativas. Esses ganhos foram impulsionados por:
- Eficiências da integração entre Natura e Avon.
- Reduções táticas de custos.
- Ajustes estratégicos na remuneração variável.
O resultado positivo, portanto, não veio apenas da receita, mas também de um esforço de contenção de gastos.
Desafios na receita líquida
O quarto trimestre de 2025, no entanto, foi marcado por um desempenho fraco na receita líquida. A dinâmica de receita abaixo do esperado persiste, conforme aponta o BTG Pactual.
O trimestre foi caracterizado por queda de receitas e impactos contábeis ligados à simplificação do grupo. O fraco desempenho refletiu:
- Desaceleração da demanda no Brasil.
- Instabilidades na integração de marcas.
- Câmbio desfavorável na Argentina.
Esses fatores combinados pressionaram o topo da linha de resultados, mesmo com a melhora na lucratividade. A companhia, portanto, navega em um cenário de recuperação do lucro, mas com desafios para crescer suas vendas.
Esse contexto ajuda a explicar a cautela mantida por parte dos analistas, que veem a trajetória de receita como um ponto crítico a ser monitorado nos próximos trimestres.
Os três desafios estruturais da Natura
Há três anos, o BTG Pactual optou por rebaixar a recomendação da Natura para neutra. Desde então, três desafios estruturais são constantemente destacados pelos analistas do banco.
1. Alavancagem elevada em ambiente de juros altos
Essa alavancagem foi parcialmente mitigada pelas alienações da Aesop e da The Body Shop e, posteriormente, após a alienação da Avon International. A venda desses ativos ajudou a reduzir a dívida e melhorar o perfil financeiro da empresa, embora o cenário de juros altos continue a ser um fator de risco.
2. Reestruturação da Avon na América Latina
O processo de integração e ajuste do modelo de negócios demanda tempo e recursos, impactando a performance no curto prazo. A fonte não detalhou o cronograma completo dessa reestruturação.
3. Alienação da Avon International e consumo de caixa
Este ponto foi totalmente resolvido por meio das transações anunciadas desde setembro do ano passado. A resolução trouxe alívio imediato para o fluxo de caixa, permitindo que a empresa se concentre nos outros dois fronts.
Recomendação neutra mantida pelo BTG Pactual
Diante desse cenário misto, o BTG Pactual mantém a recomendação neutra para as ações da Natura, com preço-alvo de R$ 12. A avaliação reflete o reconhecimento dos avanços operacionais e financeiros, mas também a persistência de desafios que limitam uma visão mais otimista no curto prazo.
A alta expressiva das ações nesta terça-feira parece, portanto, incorporar o alívio com a reversão do prejuízo e a solidez do Ebitda. No entanto, a trajetória futura dependerá da capacidade da empresa em superar os obstáculos na receita e concluir a reestruturação da Avon na região.
Para os investidores, a mensagem é de cautela: os resultados do trimestre foram positivos, mas o caminho à frente ainda exige atenção aos indicadores operacionais e ao cenário macroeconômico. O mercado agora aguarda os próximos passos da companhia para consolidar a recuperação.
