Após um janeiro que começou devagar, o ritmo de investimentos em startups na América Latina mostrou uma reação expressiva em fevereiro. Segundo um levantamento do Sling Hub, os aportes em equity subiram 106% em relação ao mês anterior, sinalizando uma recuperação no mercado de capital de risco da região.

Esse movimento de alta contrasta com a fase inicial do ano e aponta para uma retomada das atividades de financiamento.

Os números da recuperação em fevereiro

Os dados do levantamento revelam que, em fevereiro, US$ 83,1 milhões foram captados pelas startups da região em investimentos equity. Quando se incluem outras categorias de funding, como dívida e FIDCs, o total captado no mês chegou a US$ 448 milhões.

Esse valor representa um aumento de 255% na comparação mês a mês, evidenciando a força da reação após o período inicial mais lento.

Mais operações fechadas

Além do volume financeiro, o número de operações também cresceu. No total, incluindo todos os tipos de captação, foram registradas 22 rodadas em fevereiro.

Esse número representou um aumento de 22% sobre janeiro, indicando que mais empresas conseguiram fechar acordos de investimento. A combinação de mais capital e mais negócios fecha um quadro positivo para o segundo mês do ano.

Ainda há retração na comparação anual

Apesar do avanço em relação a janeiro, o cenário ainda é de retração quando comparado a doze meses atrás. Nas rodadas equity, a queda no volume de dinheiro foi de 38% em relação ao mesmo período do ano anterior.

No cômputo geral, que inclui todas as modalidades de captação, a queda foi de 39% em relação a janeiro de 2025.

Contexto de cautela

Esses números mostram que, embora fevereiro tenha trazido um alívio após um início fraco, o mercado ainda não recuperou totalmente o fôlego do passado recente. A retração anual sugere que os investidores podem estar mais seletivos ou que as condições macroeconômicas continuam a influenciar o apetite por risco.

Por outro lado, a reação do mês pode ser um primeiro passo para reverter essa tendência.

Fintechs e FIDCs lideram as captações

O protagonismo do mês de fevereiro ficou com as fintechs e com os FIDCs. Três das cinco maiores captações do período foram nessas modalidades, destacando o setor financeiro e de crédito como os mais atrativos para os investidores.

Esse foco reflete tendências globais e a busca por soluções inovadoras em serviços bancários e de pagamento na região.

Principais captações em equity

  • Comp (hrtech B2B): fechou uma Série A de US$ 17,5 milhões com participação de Khosla Ventures, Canary, Endeavor e Kaszek.
  • Avenia (fintech): captou US$ 17 milhões em Série A com um consórcio de dez investidores, incluindo Quona Capital, big bets e Headline.
  • BeConfident (edtech de IA): levantou US$ 16,2 milhões em uma série A liderada pela Prosus, controladora do iFood e Decolar.

Esses casos ilustram a diversidade de setores que atraíram capital no mês.

Participação corporativa no funding

Um dado relevante do período é que 45% de todo o volume captado em fevereiro contou com participação de corporações, somando US$ 202 milhões. Essa presença significativa de empresas estabelecidas nos investimentos em startups indica uma estratégia de inovação aberta e busca por novas tecnologias.

Além disso, pode trazer mais estabilidade e recursos para as empresas nascentes.

Setores beneficiados

A participação corporativa não se limitou a um único setor, abrangendo desde fintechs até edtechs, como visto nos casos da Avenia e da BeConfident. Esse movimento sugere que grandes players estão cada vez mais integrados ao ecossistema de inovação, seja através de investimentos diretos ou parcerias estratégicas.

Para as startups, o apoio dessas corporações pode acelerar o crescimento e a expansão de mercado.

O que esperar para os próximos meses

Após a reação de fevereiro, a atenção agora se volta para a sustentabilidade desse ritmo nos meses seguintes. O aumento no número de rodadas e no volume de capital é um sinal positivo, mas a retração anual ainda impõe cautela.

O desempenho de setores como fintechs e a contínua participação corporativa serão fatores-chave a observar.

Panorama do ecossistema

O levantamento do Sling Hub oferece um retrato inicial de 2025, mostrando que, mesmo com desafios, o mercado de startups na América Latina mantém sua capacidade de atrair investimentos. A diversificação entre equity, dívida e FIDCs, além da variedade de setores beneficiados, aponta para um ecossistema em evolução.

Os próximos relatórios trarão mais clareza sobre se fevereiro foi um ponto de virada ou um respiro temporário.

Fonte

By

0 0 votos
Classificação
guest

Resolva a soma:
+ 55 = 57


0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários