Europa pode se defender mas não substituir guarda-chuva nuclear dos
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Europa não pode substituir proteção nuclear americana

Andrius Kubilius afirmou à Euronews, nesta quarta-feira, que os europeus não podem substituir o “guarda-chuva nuclear” dos Estados Unidos, pelo menos por enquanto. A declaração ocorre em um contexto de debates sobre a autonomia estratégica da União Europeia em matéria de segurança e defesa.

Segundo o político lituano, essa é a realidade atual que precisa ser compreendida pelos países do bloco.

Contexto da declaração

Kubilius fez essas considerações poucos dias após o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, ter afirmado na segunda-feira que a União Europeia deve “continuar a sonhar” em tornar-se independente dos Estados Unidos em questões de segurança.

Os americanos são reconhecidamente o maior aliado do bloco europeu, mas as discussões sobre maior autonomia ganharam força nos últimos anos. Essa dualidade entre dependência e aspiração de independência marca o cenário atual.

Preparação para defesa convencional é urgente

No que diz respeito à defesa convencional, Kubilius é enfático: a Europa “precisa de estar preparada para se defender com muito menos dependência dos EUA”. Essa necessidade se torna mais premente diante do contexto geopolítico atual, especialmente considerando as tensões com a Rússia.

O político não especificou prazos concretos para essa transição, mas deixou claro que se trata de uma prioridade estratégica.

Desafio das tropas americanas

Um exemplo prático dessa realidade, explica Kubilius, é encontrar uma solução para substituir os cerca de 100.000 militares no ativo que o exército dos Estados Unidos tem atualmente estacionados na Europa.

Essas tropas desempenham “um papel crucial” na segurança do continente, segundo sua avaliação. A substituição dessa presença militar representa um dos maiores desafios para a autonomia defensiva europeia.

Desafios práticos e prazos indefinidos

Outra questão que permanece sem resposta, de momento, é quando é que isso será possível. Kubilius admitiu: “Não posso dizer-vos uma data muito clara”, ao comentar quando é que a UE poderá estar preparada para se defender sem os Estados Unidos.

A incerteza sobre os prazos reflete a complexidade do processo de construção de capacidades defensivas autônomas.

Capacidade contra ameaça russa

Além do cronograma, outra dúvida persiste: se será suficiente para fazer face a uma potencial ameaça da Rússia. Essa preocupação ganha relevância considerando o cenário de segurança regional.

A fonte não detalhou métricas específicas sobre o que seria considerado “suficiente” em termos de capacidade defensiva, mas a questão permanece central nos debates.

Ameaça russa e economia de guerra

“Temos de compreender que a Rússia, que é a maior ameaça para nós em termos convencionais para a segurança europeia, está a construir uma economia de guerra”, afirmou Kubilius. Essa constatação aumenta a urgência dos preparativos defensivos europeus, segundo sua perspectiva.

O cenário russo é visto como fator determinante para o planejamento de segurança do continente.

Perspectiva pós-conflito

Kubilius foi além ao projetar: “E se a paz na Ucrânia chegar, a Rússia não vai parar a sua economia de guerra. Continuarão a produzir como estão a produzir agora”.

Essa previsão sugere que os desafios de segurança persistirão independentemente da evolução do conflito ucraniano. A preparação europeia, portanto, precisa considerar um horizonte de longo prazo.

Risco de despreparo em alguns anos

De acordo com o comissário Kubilius, se a UE não aumentar o seu grau de preparação, “dentro de alguns anos poderemos ter de enfrentar a questão de saber como podemos resistir ao poder militar russo”.

O alerta aponta para uma janela de tempo limitada para fortalecer as capacidades defensivas do bloco. A urgência é clara em sua avaliação.

Balanço entre autonomia e realidade

As declarações de Kubilius destacam o delicado equilíbrio entre a aspiração por maior autonomia estratégica e a realidade das dependências atuais.

Enquanto a substituição da proteção nuclear americana parece distante, o fortalecimento das capacidades convencionais emerge como prioridade imediata. O caminho para maior independência defensiva europeia mostra-se complexo e cheio de desafios práticos.

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