As ações da Azul (AZUL54) enfrentaram uma forte desvalorização nesta quarta-feira (7), com queda superior a 30% no pregão. O movimento ocorre em um contexto de reestruturação financeira da companhia, que envolve um aumento de capital e a conversão de dívida em ações. A expectativa é que a empresa conclua seu processo de recuperação judicial ainda em 2023.
Queda expressiva no pregão
Na Bolsa de Valores, as ações AZUL54 chegaram a cair mais de 30% nesta quarta-feira. Por volta do horário de Brasília, os papéis registravam uma desvalorização de 32,03%, sendo cotados a R$ 379,90.
Valor unitário das ações
Esse valor, no entanto, corresponde a um lote de 10 mil ações. Ao dividir o preço atual de tela, o valor unitário da ação está na casa dos centavos, valendo cerca de R$ 0,03. A queda acentuada chama a atenção dos investidores e reflete a volatilidade do momento.
Mudança no ticker
O movimento negativo ocorre após a companhia passar a utilizar o código AZUL54 desde o dia 23 do mês passado. A mudança no ticker está relacionada ao processo de reestruturação, que implicou na alteração das negociações das ações, anteriormente sob o código AZUL4. Essa transição é um dos elementos que compõem o cenário atual da empresa.
Plano de aumento de capital
O aumento de capital da Azul foi anunciado em dezembro e está em linha com as expectativas do mercado. A medida reforça o plano de saída do Chapter 11, processo de recuperação judicial nos Estados Unidos.
Detalhes da emissão de ações
Para viabilizar a operação, a companhia emitirá um volume massivo de papéis, convertendo senior notes emitidas no exterior em participação acionária. Conforme os detalhes divulgados:
- Serão emitidas 723.861.340.715 ações ordinárias ao preço de R$ 0,00013527 cada.
- Haverá a emissão de 723.861.340.715 ações preferenciais ao preço de R$ 0,01014509 cada.
Conversão de ações preferenciais
A proposta prevê que cada ação preferencial (AZUL4) seja convertida em 75 ações ordinárias (AZUL3). Segundo o comunicado ao mercado, a proporção foi estabelecida pela administração com base na relação econômica existente entre os dois tipos de ação.
Reestruturação em andamento
A reestruturação da Azul segue em andamento, com passos importantes já dados. No início de dezembro, a aérea recebeu a aprovação da Justiça dos Estados Unidos para o plano de recuperação judicial.
Plano de recuperação judicial
O plano previa justamente a conversão de grande parte da dívida pré-existente em ações, alinhando-se às medidas recentemente anunciadas. Espera-se que a empresa saia do processo ainda neste ano, um marco crucial para sua estabilização financeira.
Objetivo do aumento de capital
O aumento de capital, portanto, é visto como um passo estratégico para fortalecer o balanço e permitir a retomada de operações com mais solidez. A conclusão do Chapter 11 é aguardada com expectativa pelo mercado.
Recomendação de analistas
Em meio a esse cenário, o Bradesco BBI recomenda venda para a ação da Azul. A orientação do banco de investimento reflete uma avaliação cautelosa sobre os papéis, considerando os desdobramentos da reestruturação e a diluição acionária decorrente do aumento de capital.
Perspectiva de longo prazo
A recomendação soma-se ao ambiente de incerteza que cerca a companhia no curto prazo. Apesar da perspectiva negativa no momento, a conclusão do processo de recuperação judicial pode abrir espaço para uma nova fase.
A conversão da dívida em ações visa reduzir o passivo e melhorar a estrutura financeira, elementos essenciais para a sustentabilidade do negócio a longo prazo. O mercado acompanhará de perto os próximos capítulos dessa reestruturação.
