Operação na Venezuela e o horizonte do agro
Apesar de não enxergar impactos diretos no curto prazo para o agronegócio do Brasil em meio à operação dos EUA na Venezuela, o professor do Insper, Marcos Jank, vê um movimento norte-americano com objetivo de reduzir a influência da China na América Latina.
Isso pode afetar, no futuro, países como o Brasil, que têm relações comerciais muito fortes com a China no agronegócio. Esse tema não é imediato, mas está no horizonte estratégico, exigindo atenção constante dos envolvidos no setor.
O Brasil precisará navegar com cuidado nesse novo cenário geopolítico, segundo a análise apresentada. A crise na Venezuela é mais uma entre várias que existem hoje no mundo, em um contexto de crescente instabilidade.
Contexto de instabilidade global
Temos problemas na Europa, no Oriente Médio, no entorno da China, o que contribui para um ambiente internacional mais complexo.
Fragmentação global e gestão de riscos
O mundo caminha para uma fragmentação maior, um cenário que traz desafios adicionais para o comércio exterior. Para o produtor brasileiro em 2026, o recado do professor do Insper é claro: aprofundar a gestão de risco e o controle da empresa.
Desde 2017, o Brasil se beneficiou do enfraquecimento das relações EUA–China, aproveitando oportunidades em meio às tensões. Agora, com tarifas contra o mundo inteiro, isso não é positivo para um setor que depende tanto do comércio global como o agro.
Adaptação necessária
A mudança no panorama comercial exige adaptação e planejamento por parte dos agentes econômicos. A volatilidade nas regras de comércio internacional se tornou uma realidade a ser monitorada de perto.
Competição e pressões no mercado
O professor do Insper faz um exercício e diz que a agricultura brasileira avançou muito mais rápido que a norte-americana nos últimos 20 anos. Esse crescimento, porém, pode gerar reações em um ambiente de competição acirrada.
O risco para Jank é que, à medida que o farmer americano perde espaço, ele pressione politicamente para culpar o Brasil e tentar nos tirar do mercado. Isso exige atenção redobrada às novas ‘regras do jogo’, que hoje são unilaterais e bilaterais, não mais multilaterais.
Mudança nas regras comerciais
A OMC perdeu relevância, deixando um vácuo que é preenchido por acordos diretos entre nações. A ausência de um fórum global estável complica a previsibilidade para os exportadores.
Navegando em águas turbulentas
Diante desse quadro, a capacidade de adaptação se torna um ativo crucial para o agronegócio brasileiro. A diversificação de mercados e o fortalecimento de cadeias produtivas internas ganham importância estratégica.
A gestão de riscos, mencionada pelo especialista, vai além do controle financeiro, abrangendo também a análise geopolítica. O setor precisa estar atento não apenas às safras e aos preços, mas também às movimentações políticas internacionais.
Preparação para cenários adversos
A interconexão entre eventos distantes e o mercado agrícola local ficou mais evidente nos últimos anos. A preparação para cenários adversos é, portanto, parte essencial do planejamento para o futuro.
