Um acordo entre os principais bancos credores da Novonor e a gestora IG4 Capital viabiliza a transferência do controle da petroquímica Braskem. As instituições financeiras aceitaram trocar uma dívida garantida em ações, avaliada em cerca de R$ 20 bilhões, por instrumentos financeiros ligados ao valor futuro da empresa.

A operação, apurada pela Bloomberg, representa uma aposta dos credores na recuperação de parte das perdas por meio de uma eventual valorização da Braskem sob nova gestão.

Como funciona a troca de dívida

No acerto fechado com a IG4, bancos como Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e BNDES concordaram em receber derivativos. Esses instrumentos dão direito a participar do ganho quando a gestora de Paulo Mattos decidir vender as ações da Braskem no futuro.

Em vez de simplesmente vender os créditos a qualquer preço, os credores optaram por essa troca. A negociação vinha sendo conduzida para viabilizar a entrada da IG4 no controle da empresa.

Estruturação dos fundos

Pelo desenho da operação, os créditos problemáticos da Novonor serão transferidos para um fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC). Por outro lado, as ações da Braskem ficarão em um fundo de investimento em participações (FIP) ligado à IG4.

Essa estruturação separa os ativos e organiza a governança, permitindo que a gestora assuma o controle com mais clareza.

Os números da operação

O valor nominal da dívida garantida em ações é cerca de R$ 20 bilhões. No entanto, o valor atual dessa fatia é hoje em torno de R$ 2 bilhões, refletindo descontos significativos.

Em contraste, a Braskem vale cerca de R$ 6 bilhões em bolsa atualmente. Essa discrepância entre o valor nominal da dívida e a avaliação de mercado da empresa ajuda a explicar por que os bancos aceitaram a troca por derivativos.

Impacto contábil

No caso da Novonor, esse processo de ajuste vinha sendo feito ao longo dos últimos anos. O impacto contábil da dívida já estava, em grande parte, absorvido pelos balanços das instituições financeiras.

A estratégia dos bancos credores

Para os bancos, a estratégia é clara: a aposta é que uma eventual valorização da Braskem permita recuperar parte das perdas já reconhecidas em balanço quando o controle for vendido no futuro.

Essa valorização poderia ocorrer por diversos fatores, como:

  • Melhora operacional da empresa
  • Resolução de passivos
  • Mudança no ciclo petroquímico

Ao aceitar os derivativos, os credores trocam a certeza de um preço baixo atual pela possibilidade de um retorno maior adiante. Essa movimentação reflete um cálculo de risco e oportunidade, comum em reestruturações complexas de grandes empresas.

Posicionamento das partes envolvidas

Quando procurados para comentar o acordo, representantes das instituições mantiveram discrição. Um representante do BNDES disse que o banco não comenta assuntos envolvendo empresas de capital aberto, seguindo uma política comum no mercado.

Da mesma forma, representantes do Bradesco, do Banco do Brasil e da própria IG4 não quiseram se pronunciar sobre os detalhes da negociação. O Itaú e o Santander, por sua vez, não responderam aos pedidos de comentários.

Esse silêncio é típico em operações sensíveis que ainda podem estar em fase de finalização. A Bloomberg permanece como fonte primária da informação.

Contexto da reestruturação

A operação se insere em um processo mais amplo de reestruturação da Novonor, antiga Odebrecht, que vinha sendo conduzido nos últimos anos. Com o impacto contábil da dívida já absorvido, a troca por derivativos representa um passo adiante na busca por uma solução definitiva para os créditos.

A criação dos fundos FIDC e FIP ajuda a isolar os riscos e organizar a governança. Agora, a atenção do mercado se volta para o futuro, aguardando os desdobramentos da gestão da petroquímica e a possível realização dos ganhos esperados pelos bancos.

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