Fabricantes de notebooks devem priorizar a produção de modelos com apenas 8 GB de memória RAM a partir de 2026, segundo um levantamento da empresa de análise TrendForce. A informação, divulgada nesta terça-feira, 16 de dezembro de 2025, às 17h50, aponta para uma mudança significativa no mercado, que atualmente equipa a maioria dos dispositivos com 16 GB.
O motivo central é uma escassez global de componentes, agravada pela alta demanda de data centers dedicados à inteligência artificial.
O cenário atual dos notebooks
Atualmente, os notebooks considerados mainstream, ou seja, de faixa média, vêm equipados com 16 GB de memória RAM. Essa quantidade tem sido suficiente para tarefas cotidianas e até para algumas demandas mais pesadas.
Configurações high-end
Por outro lado, os modelos high-end, voltados para profissionais e entusiastas, são comumente equipados com 32 ou até 64 GB. Essa configuração permite trabalhos intensivos, como:
- Edição de vídeo
- Modelagem 3D
- Execução de múltiplas aplicações simultâneas sem perda de fluidez
No entanto, o levantamento da TrendForce sugere que essa realidade está prestes a mudar. Os notebooks mainstream podem começar a vir com metade da quantidade atual, ou seja, apenas 8 GB.
Essa redução representa um retrocesso significativo em termos de capacidade. Dispositivos com 8 GB geralmente são os mais baratos e não oferecem o mesmo desempenho de um modelo equipado com o dobro de memória.
A pressão sobre o mercado de memória
O encarecimento da memória RAM, causado por uma escassez de componentes, já está sentindo o baque no mercado de peças para computadores montados pelo usuário, conhecido como DIY. Além disso, o mercado de PCs montados, ou seja, aqueles vendidos prontos pelas fabricantes, não está isento dessa pressão.
Demanda de data centers de IA
O principal fator por trás dessa escassez é a demanda crescente de data centers de inteligência artificial. Esses centros estão abocanhando uma grande parte da produção global de memória.
Esses centros de processamento exigem quantidades massivas de componentes para treinar e executar modelos complexos. Como resultado, desviam recursos que antes eram destinados ao mercado de consumo.
A oferta para fabricantes de notebooks e desktops diminui, levando a ajustes nas especificações dos produtos. Há quem acredite que a situação atingiu um nível sério, com impactos que devem se estender por pelo menos o próximo ano.
Impactos no desempenho e nas opções
A priorização de notebooks com apenas 8 GB de RAM deve limitar as opções disponíveis para os consumidores. Quem busca a quantidade máxima para trabalhos pesados, por exemplo, pode ficar restrito a modelos com 16 GB, que passarão a ser considerados high-end.
Essa mudança reduz a faixa de escolha e pode forçar usuários a pagarem mais por configurações que antes eram acessíveis em dispositivos de médio porte.
Redução em modelos high-end
Em contraste, os modelos high-end, que atualmente chegam a 32 ou 64 GB, devem passar a vir equipados com 16 GB. Essa redução, embora menos drástica que a dos notebooks mainstream, ainda representa um passo atrás em termos de capacidade bruta.
Para profissionais que dependem de grande poder de processamento, a adaptação a configurações mais modestas pode exigir ajustes no fluxo de trabalho. A fonte não detalhou alternativas específicas, mas menciona possíveis investimentos em soluções como desktops com mais memória.
O que esperar para o futuro
A informação da TrendForce serve como um alerta para consumidores e empresas que planejam adquirir novos equipamentos nos próximos anos. Com a escassez de memória RAM persistindo, é provável que os preços dos componentes continuem elevados, refletindo no custo final dos produtos.
Competição por recursos
Além disso, a competição por recursos entre data centers de IA e o mercado de consumo deve manter a pressão sobre a fabricação de notebooks e desktops.
Embora a situação pareça preocupante, é importante acompanhar as atualizações das fabricantes e analistas para entender como a tendência se desenvolverá. A adaptação a configurações mais modestas pode se tornar uma realidade temporária.
Essa situação também pode incentivar inovações em software e hardware para otimizar o uso da memória disponível. Por enquanto, os dados disponíveis indicam um cenário de restrições que deve moldar as escolhas dos consumidores em 2026 e além.
