O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajará a Manila, capital das Filipinas, para estreitar o relacionamento do Brasil com o Sudeste Asiático. Ele participará como convidado da Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), no dia 15 de novembro. A viagem marca mais um passo na estratégia brasileira de diversificar parcerias comerciais e diplomáticas em uma das regiões mais dinâmicas do mundo.
Convite repetido sinaliza respeito ao Brasil
O convite feito a Lula, pelo segundo ano consecutivo, também demonstra o respeito do bloco ao Brasil, na visão do Itamaraty. Em 2025, Lula foi convidado a participar da cúpula, ocorrida na Malásia. Agora, o convite se repete, para ir às Filipinas. Essa sequência de convites é interpretada como um reconhecimento da relevância brasileira no cenário internacional e do potencial de cooperação econômica entre as partes.
A presença de um chefe de Estado estrangeiro em uma cúpula da Asean não é automática. O bloco costuma convidar parceiros estratégicos e países com os quais mantém diálogo crescente. O fato de o Brasil ter sido lembrado em dois anos seguidos reforça a percepção de que há interesse mútuo em aprofundar laços. A diplomacia brasileira vê nesse gesto uma oportunidade de consolidar a imagem do país como um interlocutor confiável na Ásia.
Comércio com a Asean cresce dez vezes
O comércio brasileiro com os países da Asean vem ganhando importância ao longo dos anos, tendo aumentado dez vezes entre 2003 a 2025, passando de US$ 3 bilhões para US$ 38 bilhões, com uma taxa média de 12% de crescimento anual. Esse desempenho reflete não apenas o dinamismo das economias asiáticas, mas também o esforço de exportadores brasileiros em diversificar mercados. A corrente de comércio atual coloca o bloco como um parceiro relevante para o Brasil, ainda que abaixo de China, Estados Unidos e União Europeia.
Os números impressionam pela consistência. Em pouco mais de duas décadas, o volume de trocas se multiplicou, impulsionado por commodities agrícolas e minerais, mas também por produtos manufaturados. A taxa média de 12% ao ano supera o crescimento do comércio exterior brasileiro no mesmo período, o que indica uma aproximação acelerada. Para o governo, essa trajetória justifica a presença presidencial em fóruns como a Cúpula da Asean, onde acordos e parcerias podem ser destravados.
Os Estados-membros da Asean são Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Vietnã, Timor Leste, Mianmar, Brunei, Camboja e Laos. Juntos, esses países somam mais de 600 milhões de habitantes e um PIB combinado que ultrapassa US$ 3 trilhões. A diversidade econômica do bloco — de nações de renda alta, como Singapura, a economias emergentes, como Vietnã e Indonésia — oferece múltiplas frentes de cooperação para o Brasil.
Foco nas Filipinas: café, açaí e processados
Lula deve buscar ampliar a parceria do Brasil com as Filipinas. O Brasil exporta café, açaí, sucos e processados, como massas e biscoitos, e quer aumentar o volume de venda desses produtos. Desde 2016, o comércio entre os países cresceu quatro vezes. Esse avanço, embora parta de uma base menor, sinaliza um potencial ainda pouco explorado, especialmente em alimentos e bebidas, setores nos quais o Brasil tem competitividade reconhecida.
A pauta exportadora brasileira para as Filipinas é diversificada e inclui itens de maior valor agregado. O café, por exemplo, encontra consumidores exigentes no arquipélago, onde a cultura de cafeterias se expande. O açaí, antes restrito ao mercado interno, ganhou espaço como produto saudável e exótico. Sucos e processados, como massas e biscoitos, atendem a uma classe média em crescimento que busca conveniência e qualidade. A meta brasileira é ampliar a presença desses itens nas gôndolas filipinas, aproveitando a familiaridade crescente com a marca Brasil.
Além do comércio, a visita presidencial pode abrir portas para cooperação em áreas como agricultura tropical, energias renováveis e tecnologia. As Filipinas, assim como o Brasil, enfrentam desafios de segurança alimentar e buscam parceiros para modernizar sua agroindústria. A experiência brasileira em produção sustentável e em biocombustíveis pode ser um ativo valioso nesse diálogo. A fonte não detalhou se haverá assinatura de acordos específicos durante a cúpula.
Estratégia de aproximação com o Sudeste Asiático
A ida de Lula às Filipinas se insere em um movimento mais amplo de reaproximação do Brasil com a Ásia. Nos últimos anos, o país buscou reativar relações com nações do Sudeste Asiático, região que concentra alguns dos maiores crescimentos econômicos do planeta. A Asean, como bloco, tem se mostrado um interlocutor pragmático, aberto a parcerias que não exijam alinhamento político automático. Para o Brasil, isso representa uma janela de oportunidade em meio a um cenário global de tensões comerciais.
O Itamaraty tem enfatizado a importância de diversificar destinos das exportações brasileiras, hoje concentradas em poucos mercados. A Asean, com sua população jovem e urbanização acelerada, demanda alimentos, energia e infraestrutura — áreas em que o Brasil pode oferecer soluções competitivas. A presença de Lula na cúpula, portanto, não é apenas protocolar: é um gesto político que sinaliza prioridade para a região.
Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que o convite ao Brasil reflete também o interesse da Asean em equilibrar suas relações externas. O bloco mantém laços estreitos com China, Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos, mas busca ampliar o leque de parceiros. O Brasil, como potência agrícola e fornecedor confiável de commodities, encaixa-se nessa estratégia. A fonte não detalhou quais outros líderes foram convidados para a cúpula de Manila.
Expectativas para a cúpula de Manila
A Cúpula da Asean em Manila reunirá chefes de Estado e de governo dos países-membros e de nações convidadas. A agenda oficial não foi divulgada, mas tradicionalmente inclui sessões plenárias, reuniões bilaterais e eventos paralelos. Para Lula, a viagem é uma chance de encontros com líderes asiáticos em um único local, otimizando a agenda diplomática. A fonte não detalhou se haverá reuniões bilaterais específicas com o presidente das Filipinas ou com outros mandatários.
O comércio bilateral com as Filipinas, embora ainda modesto em comparação com outros parceiros asiáticos, tem crescido de forma consistente. Desde 2016, o volume quadruplicou, o que demonstra dinamismo e espaço para expansão. Produtos brasileiros como café e açaí já encontram aceitação no mercado filipino, e a expectativa é que a visita presidencial ajude a destravar barreiras não tarifárias e a promover a imagem do Brasil como fornecedor de qualidade.
A viagem de Lula também ocorre em um momento em que o governo brasileiro busca reforçar sua presença em fóruns multilaterais. A participação na Cúpula da Asean, ainda que como convidado, permite ao Brasil defender seus interesses comerciais e apresentar-se como parceiro confiável. A fonte não detalhou se o presidente fará discurso na sessão plenária ou se participará apenas de eventos paralelos.
O que esperar da visita
A visita de Lula às Filipinas deve render avanços concretos na relação bilateral e com o bloco. No curto prazo, a expectativa é de anúncios de cooperação em áreas como agricultura, comércio e investimentos. No médio prazo, a presença brasileira na Asean pode se traduzir em acordos de facilitação de comércio e em maior intercâmbio empresarial. A fonte não detalhou se haverá assinatura de memorandos de entendimento durante a cúpula.
Para os exportadores brasileiros, a viagem presidencial funciona como um selo de credibilidade. A presença do chefe de Estado em um fórum asiático ajuda a abrir portas para produtos que ainda não conquistaram escala na região. Setores como alimentos processados, bebidas e cosméticos podem se beneficiar da exposição gerada pela visita. A fonte não detalhou se haverá missão empresarial acompanhando o presidente.
Em resumo, a ida de Lula às Filipinas representa um passo calculado na estratégia de inserção do Brasil no Sudeste Asiático. Com um comércio que cresceu dez vezes em duas décadas e um convite repetido pela Asean, o país busca transformar boa vontade diplomática em resultados econômicos tangíveis. A cúpula de Manila, no dia 15 de novembro, será o palco para essa aproximação.
Fonte
- agenciabrasil.ebc.com.br
- Rádios (radios.ebc.com.br)
- TV Brasil Repórter Brasil de 6 de novembro de 2026; assista na íntegra (tvbrasil.ebc.com.br)
