BMP refaz gestão e lança Cyberdome após ataque hacker
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A BMP, instituição financeira que originou R$ 27 bilhões em crédito no ano passado, iniciou uma ampla reorganização de sua gestão e controles após um ataque hacker. O movimento inclui a criação de uma nova plataforma de segurança, o Cyberdome, que começou a ser testada internamente e tem lançamento previsto para 2027. A empresa busca diversificar receitas e demonstrar a eficácia de sua transformação para atrair novos clientes.

Reestruturação amplia equipe de riscos

Uma das mudanças mais expressivas ocorreu na estrutura de governança, riscos e compliance, conhecida pela sigla GRC. Segundo Schucman, a equipe passou de aproximadamente cinco para mais de 50 pessoas. O novo modelo operacional foi dividido em três eixos: comercial; produtos, operações e tecnologia; e governança e suporte. A reorganização envolve a revisão de responsabilidades e a automação de processos que ainda dependiam de intervenções manuais. Essa reestruturação visa fortalecer os controles internos e preparar a empresa para novos desafios.

Novas lideranças assumem posições-chave

Junto com Schucman, duas novas lideranças se juntaram à BMP. Luiz Conrado Sundfeld, que passou pelo Rabobank, assumiu como CFO; e Rodrigo Melgar, que esteve em Nubank, Santander, Zup, Digibee e Swap, como CTO. Nesse novo desenho, Benitez vem reduzindo a participação na rotina operacional e tem dedicado mais tempo à estratégia e a novas iniciativas. O fundador continuará como controlador e referência comercial da BMP. A chegada dos executivos reforça a capacidade de gestão e inovação da companhia.

Conselho consultivo evolui para administração

A BMP tem hoje um conselho consultivo e prepara sua transformação para um conselho de administração, além de uma nova composição da diretoria estatutária. Segundo Schucman, as mudanças dependem da aprovação do Banco Central. Os integrantes serão divulgados após essa etapa. Essa evolução na governança corporativa busca alinhar a empresa às melhores práticas do mercado e aumentar a transparência.

Cyberdome nasce de projeto interno

O projeto idealizado por Benitez foi colocado em prática por Schucman e Melgar. Inicialmente, a proposta era desenvolver uma solução para outras empresas. O caminho escolhido foi incorporá-la à BMP, testar seu funcionamento e, posteriormente, separar a atividade em um negócio próprio dentro do grupo. O primeiro teste envolveu a identificação de uma fraude interna de um desvio de quase R$ 2 milhões da BMP. A empresa informou ter identificado internamente movimentações irregulares e acionado as autoridades.

Plataforma integra dados e detecta padrões

O Cyberdome, que começou a ser testado internamente, será lançado em 2027, com a proposta de integrar informações de diferentes áreas para identificar padrões suspeitos. A BMP busca diversificar suas receitas e demonstrar a eficácia de sua reorganização para atrair novos clientes. É nesse mercado que a companhia pretende posicionar o Cyberdome, plataforma de tecnologia para segurança, gestão de riscos e compliance que começou a ser testada dentro da própria BMP. O próximo passo será oferecê-la a outras instituições financeiras, com lançamento previsto para 2027.

Regulação abre oportunidade comercial

Em novembro de 2025, o Banco Central e o Conselho Monetário Nacional publicaram uma resolução conjunta que regulamentou a prestação desses serviços. Para a BMP, essa necessidade de adaptação do setor abre uma oportunidade comercial para ferramentas de controle e segurança, como o Cyberdome. Seu desenvolvimento é parte da transformação realizada para adequar a estrutura de gestão e de controles de uma empresa que originou R$ 27 bilhões em crédito no ano passado e projeta alcançar R$ 30 bilhões neste ano.

Infraestrutura processa 100 mil eventos por segundo

Segundo Melgar, parte da infraestrutura tem capacidade para processar até 100 mil eventos por segundo. A ambição é usar os dados também para facilitar a troca de informações sobre ameaças entre instituições. A ideia é permitir que participantes de associações do setor compartilhem e acessem informações sobre ameaças sem pagar por esse intercâmbio. A receita viria dos eventos transacionais e dos agentes de inteligência artificial contratados, conforme a utilização de cada instituição.

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