A Vale divulgou nesta quinta-feira (29) seu balanço do terceiro trimestre, revelando um cenário de contrastes: o cobre ganhou força e ajudou a compensar a piora nos resultados do minério de ferro. No período, a mineradora ganhou 66% mais com suas operações de cobre do que no mesmo intervalo do ano anterior, enquanto o resultado do minério de ferro caiu 34%.
Os números reforçam uma mudança gradual no portfólio da companhia, que ainda tem no minério de ferro sua principal fonte de receita, mas vê no cobre uma aposta estratégica para os próximos anos.
Preços explicam a virada
A diferença veio principalmente dos preços. A Vale recebeu, em média, 56% mais por tonelada de cobre vendida, mesmo com uma queda de 6% na produção do metal. Já o minério de ferro seguiu o caminho contrário: o preço médio caiu 10%, enquanto os custos de produção e transporte aumentaram.
Esse movimento de preços reflete o momento distinto dos dois mercados. O cobre se beneficia da demanda por eletrificação e transição energética, enquanto o minério de ferro enfrenta um cenário de desaceleração da construção civil na China, principal consumidora global.
Produção de minério recua
A produção de minério de ferro também caiu 6%, para 88,4 milhões de toneladas, principalmente por restrições operacionais em Serra Norte, no Pará. As vendas, porém, ficaram praticamente estáveis, porque a companhia utilizou estoques acumulados nos trimestres anteriores.
A queda na produção não impediu que a receita total da Vale crescesse 2%, para US$ 10,6 bilhões, impulsionada justamente pelo cobre. No entanto, o lucro líquido caiu 53%, para US$ 1,26 bilhão, pressionado pela menor rentabilidade do minério de ferro.
Lucro cai apesar da receita
A piora no negócio de minério de ferro pesou sobre o balanço divulgado nesta quinta-feira (29). O lucro líquido da Vale caiu 53% no terceiro trimestre, para US$ 1,26 bilhão, apesar de a receita ter crescido 2%, para US$ 10,6 bilhões.
Esse descompasso entre receita e lucro evidencia o efeito dos custos mais altos e dos preços menores no principal produto da empresa. Ainda assim, o cobre trouxe alívio, evitando uma queda ainda mais acentuada no resultado geral.
Expansão do cobre em foco
O minério de ferro continua sendo o principal negócio da Vale, mas a companhia está investindo para ampliar sua produção de cobre. Um dos projetos é a expansão da mina de Salobo, no Pará, que deve acrescentar cerca de 30 mil toneladas à produção anual a partir de 2028.
Além de Salobo, a mineradora tem outras iniciativas em andamento para aumentar a oferta do metal. A meta da Vale é produzir até 500 mil toneladas de cobre por ano até 2030. Para 2026, a previsão é de 360 mil a 380 mil toneladas. Nos primeiros nove meses do ano, a produção do metal cresceu 4%.
Esses números mostram que o cobre deve ganhar participação cada vez maior na receita da Vale, reduzindo a dependência do minério de ferro em um cenário de volatilidade de preços.
Perspectivas para o futuro
Com a demanda global por cobre em alta, impulsionada por veículos elétricos, redes elétricas e energia renovável, a Vale aposta no metal como pilar de crescimento. A expansão de Salobo e outras iniciativas devem elevar a produção nos próximos anos.
No curto prazo, porém, o minério de ferro seguirá ditando o ritmo dos resultados. A companhia não detalhou projeções de preços para a commodity, mas o cenário atual indica pressão contínua sobre as margens.
O balanço do terceiro trimestre, portanto, ilustra um momento de transição: o cobre começa a compensar as perdas do minério, mas ainda não é suficiente para reverter a queda no lucro. A estratégia de diversificação, no entanto, parece ganhar tração.
