Eneva encerra operações com carvão e prioriza gás natural
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A Eneva deixou oficialmente o mercado de geração de energia a carvão nesta quarta-feira (21). A companhia anunciou que concluiu a venda de sua última usina movida pelo combustível fóssil, a UTE Itaqui, no Maranhão, para a Diamante Geração de Energia. A transação marca um ponto de inflexão na trajetória da empresa, que agora direciona seus recursos para o gás natural. O movimento já havia sido sinalizado em agosto, quando a Eneva vendeu a UTE Pecém II, também para a Diamante.

Com a conclusão do negócio, a Eneva encerra um capítulo de sua história ligado ao carvão mineral. A decisão está alinhada à tendência global de transição energética, na qual o gás natural é visto como um combustível de transição mais limpo. Além disso, a companhia busca otimizar seu portfólio, concentrando-se em ativos que considera estratégicos para o longo prazo.

Detalhes da venda da UTE Itaqui

Em troca da usina, a Eneva recebeu R$ 365,3 milhões e os 50% que ainda não possuía na Porto do Pecém Transportadora de Minérios (PPTM), passando a controlar integralmente a empresa. A operação havia sido anunciada em setembro, mas somente agora foi concluída.

A UTE Itaqui está em operação e tem contrato de fornecimento de energia até 2027. Neste ano, a usina garantiu um novo contrato de dez anos, com início previsto para agosto de 2031. Se esse prazo for antecipado, a Eneva poderá receber até R$ 467 milhões adicionais da Diamante.

O controle total da PPTM é um ativo relevante para a Eneva, pois a transportadora está localizada no Complexo do Pecém, no Ceará, área estratégica para os planos da companhia. A PPTM opera um terminal portuário que pode ser utilizado para movimentação de minérios e, potencialmente, para apoio a projetos de gás natural. A integração desses ativos fortalece a posição da Eneva na região.

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Estratégia focada no gás natural

A saída do carvão começou em agosto, quando a Eneva vendeu outra termelétrica, a UTE Pecém II, também para a Diamante. A mudança faz parte da estratégia da Eneva de concentrar seus negócios no gás natural. A companhia também atua na exploração e produção do gás que utiliza para gerar eletricidade em suas termelétricas. Essa integração vertical é um diferencial competitivo, pois reduz a exposição a oscilações de preços do combustível.

Um dos principais projetos dessa estratégia é o Hub Ceará, no Complexo do Pecém, que prevê a construção de duas termelétricas a gás, com capacidade conjunta de 1,2 gigawatt, além de um terminal para receber gás natural importado. O investimento previsto nas usinas é de R$ 6,5 bilhões, com início de operação esperado para 2029. O terminal de regaseificação permitirá à Eneva importar gás natural liquefeito (GNL) de diferentes fornecedores, aumentando a flexibilidade e a segurança energética.

O Hub Ceará representa um passo significativo na expansão da capacidade de geração a gás da Eneva. A companhia já opera outras termelétricas a gás no país, como as do Complexo Parnaíba, no Maranhão. Com o novo projeto, a Eneva amplia sua presença no Nordeste, região com demanda crescente por energia e potencial para integração com fontes renováveis.

Diamante amplia presença no carvão

Enquanto a Eneva abandona o carvão, a Diamante amplia sua presença nesse mercado. A companhia tem como sócio Pedro Grünauer Kassab, sobrinho de Gilberto Kassab, ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro do governo federal. A Diamante agora controla duas usinas a carvão no Nordeste: a UTE Pecém II, adquirida em agosto, e a UTE Itaqui, comprada agora. A estratégia da Diamante parece ser a de consolidar ativos de geração a carvão, aproveitando contratos existentes e a infraestrutura portuária.

A venda da UTE Itaqui incluiu cláusulas que podem gerar pagamentos adicionais à Eneva, condicionados à antecipação do novo contrato de fornecimento. Isso demonstra que a Diamante tem interesse em manter a usina operando por mais tempo, possivelmente além de 2027. A fonte não detalhou os termos exatos dessa condição, mas o valor potencial de R$ 467 milhões indica a relevância do ativo.

Impactos e perspectivas

A saída da Eneva do carvão não significa o fim da geração a carvão no Brasil. Outras empresas ainda operam usinas desse tipo, especialmente no Sul do país. No entanto, o movimento da Eneva reflete uma tendência de grandes geradoras em reduzir a exposição a combustíveis fósseis mais poluentes. O gás natural, embora também seja um combustível fóssil, emite menos gases de efeito estufa e é considerado uma ponte para uma matriz mais limpa.

Para os consumidores, a transição pode trazer impactos na oferta de energia e nos preços. A geração a gás tende a ser mais flexível e pode complementar fontes intermitentes, como eólica e solar. No entanto, o custo do gás natural importado pode variar conforme o mercado internacional. A Eneva, ao controlar a PPTM e investir em terminal de GNL, busca mitigar esses riscos.

O Hub Ceará, com investimento bilionário, deve gerar empregos e movimentar a economia local. A construção das usinas e do terminal deve começar nos próximos anos, com operação prevista para 2029. Até lá, a Eneva continuará operando suas termelétricas a gás existentes e expandindo sua produção de gás natural em bacias como a do Parnaíba.

Em resumo, a Eneva concluiu sua saída do carvão e agora concentra esforços no gás natural, com destaque para o Hub Ceará. A venda da UTE Itaqui à Diamante trouxe recursos financeiros e ativos estratégicos. O mercado acompanhará os próximos passos da companhia na implementação de seus projetos.

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