IA no mercado de capitais: 92% usam, mas retorno é incerto
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O mercado de capitais brasileiro adotou a inteligência artificial em larga escala, mas ainda engatinha na hora de medir seus resultados. É o que aponta uma pesquisa recente da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), que revela que 92% das instituições já utilizam a tecnologia em suas operações. Apesar da adoção massiva, a maioria não consegue demonstrar o retorno gerado pela IA, criando um descompasso entre entusiasmo e evidência.

O levantamento, divulgado pela Anbima, mostra que a inteligência artificial deixou de ser promessa e virou realidade no dia a dia do setor. No entanto, a euforia contrasta com a falta de métricas objetivas para avaliar o impacto da ferramenta. A fonte não detalhou o período exato da coleta de dados, mas os números indicam um cenário de consolidação tecnológica com lacunas importantes na governança de resultados.

Adoção quase universal, mas avaliação frágil

Se a relevância é consenso, a demonstração de resultados é a exceção. De acordo com a pesquisa da Anbima, 43% dos respondentes avaliam o uso de inteligência artificial de maneira informal e subjetiva, sem métricas ou registro, e 15% das instituições simplesmente não medem nem acompanham resultados. Isso significa que quase seis em cada dez organizações não possuem um processo estruturado para verificar se a IA está, de fato, trazendo benefícios.

Essa ausência de mensuração pode levar a decisões baseadas em percepções, e não em dados concretos. Sem indicadores claros, fica difícil justificar investimentos, identificar gargalos ou replicar boas práticas. A fonte não detalhou quais são os principais usos da IA no setor, mas o alto percentual de adoção sugere que a tecnologia permeia desde a análise de crédito até o atendimento ao cliente.

A informalidade na avaliação também pode mascarar ineficiências ou riscos. Quando não há registro formal, erros e acertos passam despercebidos, e a organização perde a oportunidade de aprender com a própria experiência. A pesquisa da Anbima evidencia, portanto, um desafio de maturidade analítica que acompanha a rápida digitalização do mercado de capitais.

O ponto cego da mensuração

O ponto cego: 43% avaliam a IA de forma informal e subjetiva. Esse dado, destacado no relatório da Anbima, revela que quase metade das instituições confia em percepções individuais ou em avaliações não padronizadas para julgar o desempenho da inteligência artificial. Em um ambiente que lida com altos volumes de dados e decisões em milissegundos, essa abordagem pode ser insuficiente.

Além disso, 15% das instituições simplesmente não medem nem acompanham resultados. Esse grupo, embora minoritário, opera no escuro: não sabe se a IA está gerando economia, aumentando receita ou melhorando a experiência do cliente. A fonte não detalhou os motivos dessa ausência de acompanhamento, mas é possível que a complexidade técnica ou a falta de cultura de dados contribuam para o cenário.

A falta de métricas objetivas também dificulta a comparação entre diferentes soluções de IA. Sem um padrão de avaliação, cada área pode usar critérios próprios, gerando inconsistências e dificultando a tomada de decisão estratégica. A pesquisa da Anbima, nesse sentido, acende um alerta para a necessidade de profissionalizar a gestão de tecnologia no setor.

Transparência e acesso aos dados

A pesquisa na íntegra pode ser acessada neste link: https://www.anbima.com.br/lumis/portal/file/fileDownload.jsp?fileId=8A2AB2969FF3A98101A0583E1E4150DB&inline=1. O documento completo traz detalhes adicionais sobre a metodologia e os resultados, permitindo uma análise mais aprofundada por parte de investidores, reguladores e demais interessados.

A divulgação pública do relatório é um passo importante para a transparência do setor. Ao disponibilizar os dados, a Anbima permite que o mercado compare práticas e identifique benchmarks de maturidade. A fonte não detalhou se haverá atualizações periódicas da pesquisa, mas a iniciativa já serve como um retrato valioso do momento atual.

Para as instituições que ainda não estruturaram a avaliação de IA, o relatório pode funcionar como um guia indireto. Ao mostrar o que as demais estão fazendo — ou deixando de fazer —, estimula a reflexão sobre a própria governança de dados e tecnologia. A transparência, afinal, é um dos pilares do mercado de capitais.

Desafios e próximos passos

O cenário descrito pela Anbima aponta para um paradoxo: a inteligência artificial já é amplamente utilizada, mas seu valor ainda não é devidamente comprovado. Para superar essa lacuna, as instituições precisarão investir em capacitação, definição de indicadores e integração entre áreas de negócio e tecnologia. A fonte não detalhou se há iniciativas em andamento nesse sentido, mas a pressão por eficiência tende a acelerar o movimento.

Outro desafio é a padronização de métricas. Sem um vocabulário comum para medir o retorno da IA, cada instituição seguirá seu próprio caminho, dificultando comparações e aprendizados coletivos. A pesquisa da Anbima, ao expor essa realidade, pode incentivar a criação de frameworks setoriais.

Por fim, a evolução da mensuração não é apenas uma questão técnica, mas cultural. É preciso que as lideranças do mercado de capitais reconheçam a importância de avaliar a IA com o mesmo rigor aplicado a outros investimentos. Só assim a tecnologia deixará de ser uma aposta baseada em fé para se tornar um ativo com retorno comprovado.

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