IA exige líderes que saibam formar futuros gestores
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A inteligência artificial está transformando a maneira como trabalhamos, produzimos e tomamos decisões. Processos que antes exigiam dias ou semanas podem ser realizados em minutos. A produtividade cresce, os custos podem diminuir e as empresas descobrem novas possibilidades de eficiência.

Mas existe uma pergunta que começa a ganhar importância e que talvez ainda não esteja recebendo a atenção necessária: se a tecnologia está assumindo parte do trabalho dos profissionais mais jovens, como estamos preparando aqueles que serão os líderes de amanhã?

O alerta foi feito por Carla Elage, que esteve no Exponential Summit 2026 a convite da organização, com exclusividade para GZM e Startupi. Durante o evento, ela destacou que a aceleração tecnológica pode estar comprometendo etapas fundamentais do desenvolvimento profissional.

IA acelera tarefas complexas em minutos

Ao comentar os avanços da inteligência artificial, ela trouxe um exemplo de sua própria área: “atividades complexas, que antes exigiam semanas de trabalho de economistas com doutorado, já podem ser realizadas em muito menos tempo com o apoio da tecnologia”.

A pergunta ultrapassa os limites do mercado financeiro. Ela alcança praticamente todos os setores da economia. A fonte não detalhou quais setores específicos foram citados, mas enfatizou que o desafio é transversal.

Essa transformação, embora benéfica para a eficiência, coloca em xeque o modelo tradicional de aprendizado no trabalho.

Formação profissional exige prática e erros

Durante décadas, a formação de um profissional aconteceu por meio de uma combinação de conhecimento, prática, observação, erros, correções e responsabilidades progressivamente maiores.

Um jovem analista não aprendia apenas a produzir relatórios. Aprendia a interpretar informações, questionar resultados, identificar inconsistências e compreender as consequências de suas recomendações.

Um gerente não se tornava líder simplesmente porque dominava processos. Sua capacidade de liderança era construída também nas conversas difíceis, nas decisões equivocadas, nos conflitos e na responsabilidade pelos resultados de sua equipe.

Essas experiências desenvolvem algo que nenhuma ferramenta entrega automaticamente: discernimento. E discernimento não é apenas ter acesso à resposta correta. É compreender o contexto, avaliar alternativas, reconhecer riscos e assumir a responsabilidade por uma escolha.

Se eliminarmos indiscriminadamente as etapas pelas quais os profissionais desenvolvem essas competências, poderemos criar organizações tecnologicamente avançadas, mas com uma fragilidade importante na formação de seus futuros dirigentes.

Risco está nas escolhas de gestão

Não acredito que o caminho seja resistir à inteligência artificial. Ao contrário, considero seu potencial extraordinário. A questão está em como decidimos incorporá-la às organizações.

Se utilizarmos a tecnologia exclusivamente para reduzir custos, substituir atividades e aumentar a produtividade imediata, poderemos comprometer algo que não aparece facilmente nos indicadores financeiros: a capacidade de formar pessoas.

E aqui surge uma responsabilidade fundamental para os líderes: não basta perguntar quais tarefas podem ser automatizadas. Precisamos perguntar quais experiências continuam sendo indispensáveis para desenvolver pensamento crítico, autonomia, capacidade de decisão e liderança.

Talvez o profissional mais jovem não precise mais passar semanas organizando dados. Mas continuará precisando aprender a interpretar esses dados, questionar premissas e compreender por que determinada decisão pode produzir consequências diferentes das esperadas.

A tecnologia pode acelerar a execução. A liderança precisa garantir que essa aceleração não empobreça a aprendizagem.

Liderar é preparar quem virá depois

Ao longo de minha trajetória profissional, aprendi que um dos maiores desafios de quem ocupa uma posição de liderança é abandonar a necessidade de controlar tudo.

Liderar não significa concentrar conhecimento ou ser a pessoa que apresenta todas as respostas. Significa criar condições para que outras pessoas desenvolvam competências, assumam responsabilidades e, muitas vezes, saibam mais do que nós em suas respectivas áreas.

Diante desse cenário, a reflexão proposta por Carla Elage convida gestores a repensar o papel da tecnologia na formação de equipes. A eficiência trazida pela IA é inegável, mas não pode substituir o desenvolvimento humano que sustenta a liderança do futuro.

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