BGS morreu? Entenda a transformação da feira de games
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A Brasil Game Show, que começou suas atividades em 2009 e logo se tornou o maior evento do gênero em toda a América Latina, vive um momento de transformação profunda. A feira, que já foi palco de grandes anúncios e trouxe os melhores jogos de três gerações de videogames, hoje é vista por muitos como um evento que perdeu sua essência original. Em 2026, a pergunta que ecoa pelos corredores é: a BGS como a gente conhece morreu?

A resposta, segundo observadores e participantes, é sim — mas apenas a feira que o público conhecia. O nome permanece, mas o objetivo foi alterado. Talvez esteja na hora de os gamers aceitarem que a história mudou em definitivo.

Memórias de uma era dourada

Os fãs que acompanharam a BGS desde o início testemunharam marcos importantes da indústria. Viram o fim da geração PS3, Xbox 360 e Wii, o fracasso do Wii U, a chegada do PlayStation 4, Xbox One e Nintendo Switch, além dos lançamentos do PS5, Xbox Series e do Switch 2 e seus principais títulos.

Nesse período, a feira também refletiu as idas e vindas do mercado brasileiro: a Big N foi embora do Brasil e retornou, a SEGA teve uma volta gloriosa, e a Sony Interactive Entertainment e a Microsoft sumiram repentinamente de feiras desse tipo.

Essas memórias construíram uma relação afetiva com o evento, mas também evidenciam o contraste com o presente. A ausência de grandes marcas e a mudança de prioridades deixaram muitos saudosistas desapontados.

Influencers e marcas fora do universo gamer

Nos últimos anos, as mudanças se tornaram mais evidentes. O destaque grandioso para a presença de influenciadores e YouTubers, assim como a participação de marcas que não conversam com o mercado de games — como estandes da Sadia, Bauducco e outras envolvidas em ramos diferentes da indústria —, chamou a atenção do público. Em 2026, isso se intensificou de tal forma que eram poucos os estúdios que ganhavam a atenção, pela ausência de diversos outros.

SEGA, Nintendo e Square Enix dominavam entre os gamers, enquanto os demais tentavam chamar o público de outros modos.

O foco, contudo, não é mais esse. Quem observar bem nota que a Brasil Game Show hoje se tornou um palco para conectar a comunidade com seus criadores de conteúdo favoritos. Basta ver a lista oficial de presenças confirmadas: são mais de 100 influenciadores e personalidades da internet.

Reclamações no chão da feira

Conversamos com alguns jogadores espalhados pelo chão da feira e as reclamações batiam em pontos em comum. “A BGS não é mais a mesma”, “essa edição está mais vazia, né?” e “se tirar Nintendo e SEGA, a Brasil Game Show 2026 não tem nada” foram ouvidos à exaustão e não apenas pela nossa equipe. A sensação de esvaziamento, tanto de conteúdo quanto de público, foi um tema recorrente.

Os cosplayers já tinham uma visão diferente. Alguns que estavam com roupas mais complexas e que exigiam um cuidado maior reclamavam do tratamento com um camarim exposto e a ausência de cuidados como um “Help Cosplay” (com itens de costura para reparar trajes). Para eles, a experiência deixou a desejar em termos de infraestrutura.

Expositores veem oportunidade

Se, para o público, a BGS 2026 não foi tão agradável, para expositores e marcas a conversa era diferente. Alguns que conversaram conosco destacaram a oportunidade de se aproximar de sua comunidade — com foco em ações e vendas, mas também por terem um espaço para se apresentar devidamente aos fãs. Deste modo, conversamos também com algumas das companhias presentes na Brasil Game Show, assim como influenciadores, que dividiram suas opiniões e experiências ao longo dos últimos anos.

Na visão deles, a feira continua a ser o melhor lugar para se conectar ao público.

A gerente executiva de marketing da VISA, Mariana Diniz, nos revelou que há muita expectativa da empresa para a BGS e que buscam essa oportunidade para trabalhar junto com parcerias e entregar um conteúdo mais robusto aos visitantes da edição. A própria Team Liquid, por meio da general manager da companhia, Miah Campos, reforça esse ponto de vista e indica que essa proximidade é importante não apenas para a corporação, mas também para os visitantes que estão no local.

Visão de quem vive o evento

Na opinião da influenciadora Beatriste, que atua como caster e analista de esports e construiu uma carreira vasta no cenário de Counter-Strike, a Brasil Game Show ainda tem uma lacuna para se aprimorar, mas hoje ocupa uma parte muito importante dentro da comunidade gamer. Sua fala resume o dilema: o evento mudou, mas não perdeu relevância para todos.

Além disso, há reclamações de expositores (antigos e atuais) sobre o valor cobrado para ter um espaço na feira. Nota-se que na edição deste ano, por exemplo, PlayStation, Xbox, Ubisoft e outras grandes não tiveram um estande próprio — assim como a NVIDIA, AMD, Logitech e mais da indústria tech. A ausência dessas marcas reforça a percepção de que a BGS deixou de ser uma vitrine de jogos para se tornar um evento de marketing e comunidade.

O futuro incerto da BGS

Não é novidade para qualquer pessoa que acompanhou a Brasil Game Show nos últimos anos que o evento já não é mais o mesmo. Contudo, é preciso aceitar que o foco da organização hoje é outro: influenciadores, vendas e ativações grandiosas. Os jogos, infelizmente, se tornaram secundários. Para os fãs que buscam uma experiência focada em games, o brasileiro ainda tem como opção a gamescom latam, que começou em 2024 e segue em direção à sua terceira edição no próximo ano.

A BGS como a gente conhece morreu, mas o nome continua. Resta saber se o público vai abraçar essa nova identidade ou migrar para outras alternativas.

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