Agentes de IA trazem novas dores de cabeça a vendedores
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Agentes de inteligência artificial, como o Muse, da Meta, e o Dots, da OpenAI, estão ajudando milhões de pessoas a decidir o que comprar e a fazer lances em leilões on-line. Eles também estão reservando viagens e jantares, elaborando dietas para as pessoas seguirem e fazendo pedidos de supermercado. Essa nova realidade está gerando dores de cabeça para os vendedores online, que precisam se adaptar a um cenário onde os compradores nem sempre são humanos.

Ao contrário dos consumidores, cujos cliques e pesquisas podem ser facilmente rastreados, muitas vezes não está claro em nome de quem os agentes externos estão agindo. Por isso, é mais difícil identificar o que eles procuram — ou o que provavelmente procurarão no futuro. Essa falta de transparência complica as estratégias de marketing e vendas das empresas.

Varejistas enfrentam decisão difícil

Os varejistas online, porém, enfrentam uma decisão difícil: devem aceitar agentes externos na esperança de aumentar as vendas ou resistir a eles? A primeira opção tem custos. Além da redução do poder de mercado e do distanciamento em relação aos clientes, erros nas compras podem aumentar as devoluções de mercadorias ou as contestações de cobranças no cartão de crédito.

A autenticação das transações se torna significativamente mais complexa quando há agentes envolvidos, destacou Christopher Waller, dirigente do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, em um discurso recente. “A questão deixa de ser provar que o comprador é um pagador autorizado e passa a ser provar que o agente tem autorização para pagar em nome do comprador”, afirmou. Essa mudança de paradigma exige novas soluções de segurança e verificação.

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Amazon adota postura contrária

A Amazon, dona da maior plataforma de comércio eletrônico do mundo, adotou até agora uma postura contrária à IA agêntica, proibindo o Muse e o Dots de fazer compras. E, pelo menos por enquanto, essa parece ser uma decisão acertada. Bloquear os agentes protege a capacidade da Amazon de anunciar e vender diretamente aos consumidores — muitos dos quais são assinantes do Amazon Prime e não mudarão de loja apenas porque seus agentes estão impedidos de comprar na plataforma.

“Com a descoberta de produtos, as transações, a entrega e os dados concentrados em um único ecossistema, a Amazon tem poucos motivos para entregar qualquer parte dessa cadeia de valor a um agente externo”, escreveu Scott Devitt, analista da Rosenblatt Securities, em um relatório recente. A gigante do varejo prefere manter o controle total sobre a experiência do cliente.

Outras empresas são mais receptivas

Outras empresas, que têm menos a perder, foram mais receptivas. A Target permite o acesso de agentes de uma lista de empresas externas aprovadas. O Walmart tem trabalhado ativamente com a OpenAI e o Google para tentar aumentar o tráfego por meio de ferramentas de IA. O presidente-executivo da operação americana da varejista, David Guggina, afirmou no mês passado que essas ferramentas estão atraindo novos clientes e gerando taxas de conversão “fantásticas”.

No caso da DoorDash, que tem seu próprio agente, chamado Ask, o presidente-executivo Tony Xu afirmou em agosto que apenas a própria empresa sabe quais produtos estão disponíveis em estoque e consegue coordenar a logística de retirada dos pedidos nos estabelecimentos e entrega aos consumidores. Os consumidores, segundo ele, “sinceramente, só se importam em receber seu burrito, seu par de tênis Nike ou suas compras de supermercado da semana”.

Benefícios incertos para o comércio

Os agentes capazes de realizar essas tarefas facilitarão a vida dos consumidores e aumentarão a receita das empresas de tecnologia que os desenvolvem. Mas os benefícios para as empresas de comércio eletrônico que ficam no meio dessa relação são muito menos evidentes. Enquanto alguns varejistas abraçam a tecnologia, outros preferem manter distância, e o futuro dessa interação ainda é incerto.

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