Filme de Street Fighter acerta ao abraçar galhofa dos games
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O filme Street Fighter estreia nos cinemas nesta quinta-feira (15) e, assim como Resident Evil, carrega diversas questões consigo. É a terceira vez que a Capcom tenta emplacar a franquia nas telonas — seguida de dois fracassos históricos, um nos anos 1990 e outro no fim dos anos 2000. Desta vez, porém, o resultado é diferente: a produção finalmente encontra o tom certo para agradar fãs e iniciantes.

Não é impossível contar a trama de Ryu, Ken e Chun-li apropriadamente, porém muitos diretores falharam nesta tarefa. Desta vez, o desafio foi entregue a Kitao Sakurai (Twisted Metal e The Passage) e uma coisa foi decidida logo de cara: o longa abraçaria de vez a galhofa que já existe nos games. Essa escolha se mostra acertada ao longo de toda a projeção.

Uma homenagem que cumpre o prometido

Ambientado em 1993, o longa-metragem busca homenagear o sucesso de Street Fighter II com seus personagens, temas musicais e toda uma geração de jogadores que enlouqueciam ao gastar todas suas economias em fichas de fliperamas. Na prática, este objetivo foi cumprido. A recriação de época e as referências visuais transportam o espectador para a era de ouro dos arcades.

Contudo, M. Bison planeja organizar a segunda edição do campeonato icônico de Street Fighter para absorver os poderes de Ryu e elevar seu próprio patamar. Na sua cola está Chun-li, uma agente disfarçada da Interpol que deseja se vingar pelo assassinato de seu pai. Essa trama central serve de espinha dorsal para as cenas de ação e desenvolvimento dos personagens.

Elenco convence em papéis desafiadores

Centineo convence muito no papel de um jovem playboy, convencido e que nutre um grande rancor pelas ações de seu maior aliado. Já Koji consegue passar com muita precisão a experiência, peso e o papel de um “campeão fracassado” que são apresentados dentro da trama. A química entre os dois atores sustenta boa parte do carisma do filme.

Atuação à parte, tudo em Street Fighter funciona muito bem. As coreografias de luta conseguem trazer movimentos clássicos sem que sejam esquisitos ou bregas. Os efeitos especiais não desapontam, apesar de sentir que poderia ter um carinho a mais da Legendary Pictures com seu investimento. Ainda assim, o resultado visual é competente e empolgante.

O acerto do enredo e da galhofa

Porém, o grande diferencial fica ao redor do enredo. A Capcom já tentou trazer a marca aos cinemas duas vezes e apenas na terceira que um acerto veio — justamente quando não se tenta ignorar as inconsistências e o bom humor que ajudaram a estabelecer a saga nos videogames. O roteiro abraça o absurdo com naturalidade, sem cair no ridículo.

Toda a construção ao redor de M. Bison, Akuma e do lado maligno de Ryu, que aqui desempenha um papel importantíssimo, funciona tão bem que me fez ficar “preso” na história. Você compreende as motivações, ações e até o que poderia ser forçado em qualquer obra, mas aqui possui uma razão. Essa coesão narrativa é um dos maiores trunfos do filme.

Profundidade inesperada e animações nostálgicas

Porém, o que realmente me surpreendeu foi a profundidade que Street Fighter apresenta à audiência. Não entenda errado, o filme é muito bem humorado e cheio de momentos descontraídos, contudo isso não impediu o roteiro, atores e toda a construção de ousar e dar um passo adiante. Há espaço para emoção genuína em meio aos socos e chutes.

Isso não significa que o longa-metragem é focado em drama e em cavar o passado traumático de todos eles. Apenas que a construção foi tão boa que deu espaço para tudo: as lutas, personagens, humor, explicações e também para explorar um pouco do que move cada um dos heróis e vilões no meio disso. O equilíbrio entre ação e desenvolvimento é notável.

Inclusive, um acerto e tanto foi trazer os flashbacks em formato de animação. Com uma qualidade vista apenas no emblemático desenho dos anos 1990 (você se lembra disso?), o carinho foi tanto que seria um imenso desperdício mantê-lo preso apenas aos longas-metragens. Essas sequências animadas são um presente para os fãs mais antigos.

Final aberto incomoda, mas não estraga

O saldo final é que a experiência se saiu muito melhor do que o esperado, no geral. Porém, a “mão invisível” de Hollywood já fez questão de deixar claro que investem em uma sequência: o longa encerra de forma inconclusiva, com diversas pontas soltas que serão desenvolvidas em uma segunda obra. Isso incomoda bastante e prejudica o ritmo do filme.

Mesmo no Universo Cinematográfico Marvel (MCU), as tramas iniciadas nos longas e séries são encerradas ali — enquanto algo maior é construído ao seu redor. Street Fighter não faz nem isso e o que você sente é que assistiu a uma “Parte 1”. A sensação de incompletude pode frustrar quem esperava uma história fechada.

Veredito: obrigatório para fãs

Se você é fã da série e cresceu com os games, o filme é obrigatório. É o primeiro que respeita o seu material original, sem temer entrar na “farofada” ou ressignificar ataques e personagens emblemáticos pelo bem de um enredo mal redigido. A fidelidade à essência dos jogos é o grande diferencial desta adaptação.

É possível se desapontar com o final aberto e com o pouco tempo de tela de alguns personagens que são os favoritos de muita gente, mas ainda assim toda a produção expressa seu amor aos jogos de luta em tudo e vale cada segundo do seu tempo. Comparar com Mortal Kombat 2, que estreou neste ano também, chega a ser incabível. Street Fighter

, sem dúvidas, leva a melhor e mostra que é possível montar algo que mantenha a fidelidade e ainda assim tenha uma ótima apresentação como mídia adaptada.

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