Anvisa autoriza teste em humanos de vacina contra malária vivax
Crédito: medicinasa.com.br
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início de testes em humanos da primeira vacina do mundo contra a malária causada pelo Plasmodium vivax, parasita responsável pela maioria dos casos da doença no país. O imunizante é feito com tecnologia 100% nacional. A decisão foi anunciada pelo Ministério da Saúde, que destacou a relevância do avanço científico para o controle da enfermidade no território brasileiro.

“O avanço na pesquisa da tecnologia representa um marco e abre a possibilidade de uma nova forma de prevenção contra a doença que, em 2025, registrou 118.037 casos no território nacional”, avaliou a pasta no comunicado. A autorização para o ensaio clínico representa um passo inédito na busca por proteção específica contra essa espécie de parasita, que afeta principalmente as Américas e a Ásia.

Vacinas atuais não protegem contra vivax

As duas vacinas contra malária atualmente recomendadas por autoridades sanitárias foram desenvolvidas para outra espécie de parasita causador da doença, o Plasmodium falciparum, predominante na África, não contra o Plasmodium vivax, que predomina nas Américas e na Ásia. Essa lacuna deixa milhões de pessoas sem uma ferramenta imunológica direcionada ao parasita mais comum no Brasil. A nova candidata vacinal, portanto, preenche uma necessidade epidemiológica crítica.

A malária é uma doença infecciosa causada por um parasita do gênero Plasmodium, transmitido para humanos pela picada de fêmeas infectadas dos mosquitos Anopheles (mosquito-prego), mais abundantes nos horários crepusculares, ao entardecer e ao amanhecer. Por isso, medidas de proteção individual nesses períodos são especialmente recomendadas em áreas de risco.

Transmissão e sintomas da doença

“Não é uma doença contagiosa, ou seja, uma pessoa doente não é capaz de transmitir malária diretamente a outra pessoa”, reforçou o ministério. A infecção ocorre exclusivamente pela picada do mosquito vetor, o que torna o controle do inseto e a prevenção individual pilares do combate à enfermidade. O período de incubação varia conforme a espécie do parasita, mas os sintomas costumam surgir entre uma e duas semanas após a picada.

Também conhecida como impaludismo, paludismo, febre palustre, febre intermitente, febre terçã benigna, febre terçã maligna, a malária recebe ainda nomes populares como maleita, sezão, tremedeira, batedeira ou febre. Os sintomas clássicos incluem febre alta, calafrios, sudorese, dor de cabeça e dores musculares, que podem se manifestar em ciclos. Em casos graves, pode haver complicações como anemia, insuficiência renal e comprometimento cerebral.

Imunidade parcial e risco prolongado

“Toda pessoa pode contrair a malária. Indivíduos que tiveram vários episódios de malária podem atingir um estado de imunidade parcial, apresentando poucos ou mesmo nenhum sintoma. Porém, uma imunidade esterilizante, que confere total proteção clínica, até hoje não foi observada”, destacou a pasta. Isso significa que mesmo pessoas com exposição repetida ao parasita não estão completamente protegidas contra novas infecções.

O ministério alerta ainda que, caso não seja tratado adequadamente, o paciente com malária pode ser fonte de infecção por meses ou mesmo anos, de acordo com a espécie parasitária em questão. Essa característica reforça a importância do diagnóstico precoce e do tratamento completo, interrompendo a cadeia de transmissão. A persistência do parasita no organismo sem sintomas evidentes é um desafio para os programas de eliminação.

Distribuição geográfica no Brasil

No Brasil, a maioria dos casos da doença se concentram na região amazônica, composta pelos seguintes estados: Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. As condições climáticas e ambientais dessa região favorecem a proliferação do mosquito vetor, além de haver maior exposição humana em áreas de floresta e garimpo. A vigilância epidemiológica nesses estados é intensificada para conter surtos.

“Na região extra-amazônica, composta pelas demais unidades federativas, apesar das poucas notificações, a doença não pode ser negligenciada, pois a letalidade nesta região é maior que na região amazônica”, concluiu a pasta. Essa maior letalidade pode estar relacionada ao atraso no diagnóstico, uma vez que profissionais de saúde fora da Amazônia têm menos familiaridade com a doença. O alerta serve para que casos suspeitos sejam investigados mesmo em áreas de baixa incidência.

Perspectivas com a nova vacina

A autorização da Anvisa para os testes em humanos da vacina contra Plasmodium vivax representa um avanço significativo para a saúde pública brasileira. Se os ensaios clínicos confirmarem eficácia e segurança, o imunizante poderá se tornar uma ferramenta essencial para reduzir a carga da doença no país e em outras regiões das Américas e da Ásia. A pesquisa nacional demonstra a capacidade científica do Brasil em desenvolver soluções para problemas de saúde locais.

O desenvolvimento de uma vacina específica para o Plasmodium vivax é especialmente relevante porque essa espécie tem características biológicas distintas, como a formação de hipnozoítos no fígado, que podem causar recaídas meses após a infecção inicial. As vacinas atuais contra o Plasmodium falciparum não oferecem proteção cruzada contra o vivax, o que torna a nova candidata ainda mais estratégica. A comunidade científica acompanha com expectativa os próximos passos do ensaio clínico.

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