O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu suas projeções de crescimento econômico para a América Latina em seu relatório mais recente. A estimativa para este ano passou a ser de 2,3%, abaixo dos 2,5% previstos para 2025 e também inferior à previsão de julho, que apontava 2,4% para 2026. A revisão reflete um cenário de riscos persistentes e condições globais mais desafiadoras para a região.
Além disso, o FMI ajustou a projeção para 2027, reduzindo-a de 2,7% para 2,5%. Os dados constam das tabelas do relatório divulgado pelo Fundo, que detalha o desempenho esperado para cada país latino-americano. A fonte não detalhou os motivos específicos para cada revisão, mas destacou fatores regionais e globais que pressionam o crescimento.
A queda nas projeções ocorre mesmo com o Fundo tendo elevado ligeiramente sua previsão de crescimento mundial para este ano, de 3% (em julho) para 3,1%. O FMI atribuiu essa resiliência da chamada “economia global dividida” ao redirecionamento dos suprimentos de energia e aos investimentos impulsionados pela inteligência artificial.
Chile desacelera e Bolívia encolhe
Entre os países da região, o Chile deve registrar uma desaceleração significativa. Segundo as tabelas do relatório, o crescimento chileno passará de 2,5% para 0,6% neste ano. A queda representa uma forte redução no ritmo de expansão econômica do país andino, que vinha de um desempenho mais robusto em 2025.
Já a Bolívia deve enfrentar uma contração ainda mais profunda. A economia boliviana encolherá 3% neste ano, após já ter registrado uma queda de 1,6% em 2025. Os números indicam um agravamento das dificuldades econômicas no país, que acumula dois anos consecutivos de retração.
Na Venezuela, o cenário é marcado por uma aceleração inflacionária alarmante. A inflação deve saltar de 252% para 467,9% neste ano, de acordo com as projeções do FMI. O dado evidencia a persistência da crise de preços no país, que segue como um dos casos mais graves de inflação no mundo.
Essas revisões para baixo na região contrastam com a leve melhora na projeção global, sugerindo que os ventos favoráveis da economia mundial não se distribuem de maneira uniforme. A fonte não detalhou as razões específicas para as diferenças entre os países, mas os números refletem realidades econômicas distintas.
Riscos seguem inclinados para o negativo
O FMI afirmou que os riscos para a América Latina continuam inclinados para o lado negativo. O Fundo alertou que a turbulência nos mercados poderia afetar as economias emergentes por meio de custos mais elevados de endividamento público, pressão sobre suas moedas e condições financeiras locais mais restritivas.
Esses fatores podem reduzir o espaço para políticas de estímulo e aumentar a vulnerabilidade de países com dívidas elevadas. A combinação de juros globais altos e aversão ao risco tende a encarecer o crédito e dificultar o financiamento externo para a região.
Além disso, o choque energético global decorrente da guerra no Oriente Médio adiciona pressão inflacionária. O petróleo Brent está cerca de 45% acima do nível pré-guerra, elevando os custos de combustível e energia para famílias e empresas. Os temores de inflação persistente ajudaram a elevar os custos globais de financiamento a níveis não vistos em várias décadas.
Na América Latina, o efeito desse choque energético depende de os ganhos dos exportadores de commodities superarem as perdas dos importadores de energia e da credibilidade das metas de inflação dos bancos centrais. O FMI acrescentou que “há pouca compensação proveniente da recuperação do setor tecnológico na maioria dos países”.
Impacto desigual entre exportadores e importadores
O relatório do FMI destaca que o impacto do choque energético não é uniforme na região. Países exportadores de petróleo e gás podem se beneficiar de preços mais altos, enquanto importadores de energia enfrentam custos adicionais que pressionam a balança comercial e a inflação doméstica.
A credibilidade das metas de inflação dos bancos centrais é apontada como um fator crucial para mitigar os efeitos do choque. Em países onde a autoridade monetária tem maior confiança do mercado, a transmissão dos preços de energia para a inflação tende a ser mais contida.
Por outro lado, a recuperação do setor tecnológico, que tem impulsionado outras regiões, oferece pouca compensação para a maioria dos países latino-americanos. A fonte não detalhou quais países poderiam se beneficiar desse movimento, mas indicou que o efeito é limitado na região.
Essa assimetria reforça a necessidade de políticas econômicas prudentes e de diversificação produtiva para reduzir a dependência de commodities e aumentar a resiliência a choques externos. O FMI não apresentou recomendações específicas no trecho divulgado, mas o diagnóstico aponta para um ambiente desafiador.
Perspectivas para os próximos anos
As projeções revisadas indicam um ritmo de crescimento mais moderado para a América Latina no horizonte até 2027. A redução de 2,7% para 2,5% na previsão para aquele ano sugere que a recuperação esperada pode ser mais lenta do que o antecipado anteriormente.
O contraste com a leve melhora global ressalta a posição frágil da região em um cenário de economia mundial dividida. Enquanto o redirecionamento de suprimentos de energia e os investimentos em inteligência artificial beneficiam algumas economias, a América Latina enfrenta obstáculos estruturais e conjunturais.
O FMI não detalhou as premissas por trás das revisões para cada país, mas os dados disponíveis mostram um quadro de desaceleração em importantes economias, como Chile, e de crise persistente em outras, como Venezuela. A Bolívia, por sua vez, enfrenta uma recessão que se aprofunda.
Diante desse cenário, os formuladores de políticas da região terão de lidar com pressões inflacionárias, custos de financiamento elevados e riscos externos. A trajetória futura dependerá, em grande medida, da evolução dos mercados globais e da capacidade de resposta das economias locais.
Fonte
- agenciabrasil.ebc.com.br
- Rádios (radios.ebc.com.br)
- TV Brasil Repórter Brasil de 13 de outubro de 2026; assista na íntegra (tvbrasil.ebc.com.br)
